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País se arrasta nos serviços de internert, diz Firjan

País se arrasta nos serviços de internert, diz Firjan

Atualizado: Terça-feira, 29 Março de 2011 as 1:17

O Brasil tem metas de expansão e aumento da velocidade do serviço de internet defasadas em relação a outros países, além de preços mais elevados quando se leva em conta o acesso oferecido às empresas. Essas são as principais conclusões do estudo “Quanto custa o acesso à Internet para as empresas do Brasil?”, produzido pelo Sistema Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro).

O levantamento mapeia serviços e custos oferecidos no país, em contraposição às demais nações no mundo, apontando os desafios que o Brasil ainda enfrenta. O custo médio nacional de acesso empresarial à Internet foi medido com os valores oficiais informados pelas operadoras de pacotes de acesso, que oferecem serviços nas capitais brasileiras. Foram pesquisados os valores de três velocidades de download – 1, 10 e 100 Mbps, que atendem a nichos do mercado empresarial com necessidades diferentes.

Em termos de velocidade mínima, o pacote mais simples na tecnologia DSL oferece velocidade de download de 150 Kbps às empresas, cerca de cinco vezes menor do que a convencionada como banda larga pela Federal Communications Commission (FCC) americana. Para efeito de comparação, a velocidade mínima oferecida no Japão é de 12 Mbps, 81 vezes superior à brasileira. Já na França, a velocidade mínima é de 8 Mbps, na Itália de 7 Mbps, em Portugal de 4 Mbps e no Uruguai, de 3 Mbps. Mesmo os países dos Brics têm velocidade maior nos seus pacotes básicos: a China oferece mínimo de 1 Mbps, Índia e Rússia, o mínimo de 256 kbps.

Velocidadede 1Mbps Para a tecnologia de banda larga DSL para empresas, o custo de acesso levantado pela pesquisa da Firjan no Brasil é de R$ 70,85 em média para o pacote com velocidade de download de 1 Mbps, o mínimo necessário para atender às micro e pequenas empresas. Esse custo, porém, não é igual em todos os estados. Ele varia até 650% no país, com valor mínimo de R$ 57,40 em Alagoas e Espírito Santo e máximo de R$ 429,90 no Amapá, estado atendido por link de satélite, onde a velocidade máxima disponível é de apenas 600 Kbps.

Mesmo tirando o Amapá da comparação, a variação é grande, com os maiores custos no Norte e Nordeste. A variação chega a 75%, comparando-se os estados mais baratos com Amazonas, o segundo mais caro. A diferença de preços, além de refletir estratégias adotadas pelas operadoras nos diversos mercados, é influenciada pela disponibilidade de infraestrutura física na região e de sua interligação com os backbones nacionais.

Em relação à natecnologia wireless, para a mesma velocidade, o custo é em média 55% mais caro do que a tecnologia DSL. Porém o estudo mostra que o preço tem variação muito pequena entre os estados: na média, o acesso custa R$ 109,82,variando entre R$ 106,27 e R$ 114,56.

A comparação internacional mostra que embora o custo nacional seja mais baixo do que os demais países dos Brics e semelhantes aos apresentados na Índia, Argentina e Estados Unidos, no Brasil ainda se paga 150% a mais que no Canadá, 238% a mais que no México e Colômbia e 348% acima da Alemanha.

Velocidadede 10 Mbps Na velocidade de 10 Mbps na tecnologia DSL, novamente há g variação entre os estados: o preço parte de R$ 84,90 no Rio Grande do Norte e alcança R$ 192,40 no Acre. A diferença de 125% reflete questões competitivas de mercado e de infraestrutura de acesso. Amapá e Amazonas foram excluídos da comparação porque os serviços oferecidos às empresas da região não alcançam essa velocidade. Na comparação internacional, o Brasil aparece mais competitivo, mas ainda cobrando preços mais altos que Alemanha, Chile e Portugal.

Velocidade de 100 Mbps A velocidade de 100 Mbps só está disponível em apenas 13 dos 27 estados. Isso por conta da estrutura de fibra ótica, que só está disponível em algumas regiões do país. O valor médio para esse acesso no Brasil é de R$ 529, o equivalente a aproximadamente US$ 320, mais caro do que no Japão (US$ 311), EUA (US$ 310), Singapura (US$ 231), China (US$ 189) e Portugal (US$67).

A velocidade de 100 Mbps é a maior oferecida ao mercado empresarial em pacotes “de prateleira”. Enquanto isso, no Japão há ampla oferta de 500 Mbps e na Suécia de até 1Gbps. De acordo com o estudo, o incremento significativo de velocidade, seja da mínima ou da máxima, passa necessariamente por investimentos expressivos em infraestrutura, especialmente na expansão de linhas troncais de fibra ótica e de suas ramificações, garantindo a existência da última milha.     Por Francine Machado

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