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Pranchetas eletrônicas conquistam grande público

Pranchetas eletrônicas conquistam grande público

Atualizado: Segunda-feira, 27 Dezembro de 2010 as 8:27

Como toda nova tecnologia, tablets (ou pranchetas eletrônicas) como o iPad, da Apple, e o Galaxy Tab, da Samsung, mal foram lançados e já conquistaram - além dos chamados early adopters (fãs de tecnologia), que sempre são os primeiros a comprar os últimos lançamentos -idosos e até bebês. E até já contam com um dos primeiros casos de LER (Lesão por Esforço Repetitivo) no país.

Foi o que aconteceu com o diretor da Caju Filmes, Marco Fadiga. Dono de um iPad há seis meses, de tanto ver filmes na cama com um método de apoio um tanto inusitado (como mostra a foto ao lado), Fadiga passou várias noites segurando o aparelho apenas com o polegar e o indicador por mais ou menos duas horas, e acabou com uma inflamação no tendão do dedo mínimo, a tal ponto que não conseguia pegar o isqueiro da mesa.

- Devo ser o primeiro caso de LER por causa do iPad.

O diretor conta que o tablet substituiu totalmente seu notebook. Tanto que passou a usá-lo para fazer várias coisas - como ler mais de 3.000 PDFs e enviar e-mails -, principalmente fazer apresentações dos trabalhos audiovisuais de sua produtora. O único problema, diz ele, é que “às vezes, o papo vira o iPad e não a empresa”.

Fadiga recomenda o tablet da Apple para pessoas idosas, que têm medo de computador, porque sua interface é mais simples e fácil de usar que o notebook. A única recomendação que o diretor faz é que o usuário envie e-mails pequenos, de no máximo quatro parágrafos, porque a digitação no teclado virtual pode se tornar cansativa.

Encantada com a digitação deslizante

Convidada para testar o Galaxy Tab por dois meses, a advogada e blogueira Flávia Penido ficou “impressionada” com o aparelho. Flávia diz que o Galaxy é mais fácil de manusear que o iPad. A advogada, que não gosta de sistemas operacionais fechados (caso do da Apple) e curte o Android (sistema do aparelho da Samsung), ficou encantada com a tecnologia Swype do Galaxy, que permite ao usuário digitar apenas deslizando sobre as letras. Gostou tanto do aparelho que diz que deverá comprá-lo assim que terminar o prazo de testes.

- Ando para cima e para baixo com ele. Meu filho gostou tanto também que já perguntou se vou levar o Galaxy junto em nossa viagem à Bahia porque senão terá que levar o afinador de violão.

Ela acrescenta que, além do aplicativo do afinador, o tablet da Samsung conta com muitos outros interessantes (alguns religiosos), como um para muçulmanos que aponta onde fica Meca, outro que traz os salmos e um terceiro que converte qualquer documento em PDF.

Do netinho à vovó

Amigo de Fadiga, o analista de sistemas e empresário Anderson Simões foi convencido pelo diretor a comprar o tablet da Apple. Diz que está gostando muito do aparelho, que outro amigo trouxe dos Estados Unidos há três meses. Simões conta que sua única decepção com o tablet da Apple é que ele não conta com um aplicativo de home broker (para investir na Bolsa de Valores), que ele já usava em seu BlackBerry.

O empresário explica que tem baixado todos os aplicativos de banco, lido jornais (“sem sujar as mãos”) e acessado mais o Twitter pelo iPad. Só ainda não levou o aparelho para o lugar preferido da maioria dos usuários do iPad.

- Para a cama, não, senão minha mulher me larga. Agora, fiquei impressionado com a interação entre meu filho de seis meses com o Poke Me, um jogo com um dinossaurozinho, que ele adorou. Ele já descobriu que se encostar na maçã ela cai e ri quando o bichinho ri.

Simões só reclama que tudo no iPad tem que ser salvo na nuvem (internet), quando gostaria de salvar no próprio aparelho, mas confessa que não sabe mexer direito nele. Ele gostaria que o iPad fizesse backup automático, coisa que seu PC faz.

O empresário gostou tanto do aparelho que o deu de presente para a avó de sua mulher, Sonia Machado Guimarães, que tem 84 anos e é tão fã de tecnologia que, segundo ele, tem um armário cheio de quinquilharias. Sonia, por sua vez, diz que adorou o iPad. Diz que ainda não o domina porque está sem tempo por causa das festas de final de ano.

- Ele está encostadinho, mas é formidável. Hoje em dia, não dá para a gente ficar fora da internet. Estou defasada, mas deixa passar o Natal que vou tomar umas aulas. O problema não tá nele, tá em mim. Ele é a solução, é fácil, oferece uma boa visibilidade, é agradável e portátil.

Convencido pelo samba

Dono de um Galaxy há duas semanas, o desenvolvedor Rogério Araújo, que já cria aplicativos para o iPhone e para o próprio iPad, havia dois anos vinha sentindo necessidade de ter uma leitura mais prazerosa. Por muito tempo, ficou interessado no iPad para navegar e jogar. Mas o tempo foi passando e ele percebeu que o Brasil não era prioridade para Steve Jobs, o chefe supremo da Apple. Nesse meio tempo surgiu o Galaxy e ele não teve dúvida.

- Fui à loja de uma operadora e encontrei o [compositor] Jorge Aragão, que tinha acabado de comprar um Galaxy. Perguntei se valeu a pena e ele disse: ‘Ô, se valeu’. Como oferece mais recursos que o iPad: TV digital, câmeras frontal e traseira, telefone, 3G, Wi-Fi nem pensei duas vezes.

Outra qualidade do tablet da Samsung, segundo ele, é que, graças ao Android, é possível sincronizar todos os aplicativos do Google (Gmail, Gtalk, Gmail, Picasa) com o computador e com os aparelhos de sua casa, por meio da tecnologia DLNA (Digital Living Network Alliance), que deverá permitir reproduzir, por exemplo, na TV um vídeo acessado no Galaxy.

Segundo a IDC (International Data Corporation), 2011 ainda será o ano dos smartphones na América Latina. Mas à medida que os preços dos tablets caírem e seus primeiros usuários já estiverem dominando seus recursos, vai ser uma questão de tempo até que se popularizem por aqui. Até lá, vale a pena dar uma experimentada nos aparelhos, para ver qual deles tem mais a ver com a necessidade de cada usuário.

Há quem diga que o iPad é melhor para ser usado em casa, e o tablet da Samsung, para levar para a rua. Só o tempo dirá como o consumidor usará cada um dos tablets.

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