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Redes móveis se sobrepõem ao PNBL na massificação da banda larga

Redes móveis se sobrepõem ao PNBL na massificação da banda larga

Atualizado: Sexta-feira, 29 Abril de 2011 as 2:16

A melhor solução para realmente massificar a banda larga no Brasil é através das redes de dados móveis. Isto é o que defendem as operadoras de telefonia celular no Rio Wireless 2011, realizado no Rio de Janeiro nesta semana. Para elas, as redes 3G (e, futuramente, 4G) têm potencial inclusivo muito maior que as convencionais redes de transmissão por cabos. Primeiro por sua facilidade de expansão, que permite acesso a lugares remotos ou de difícil acesso, e segundo porque o fazem a um custo muito mais baixo.

Em debate realizado durante o evento, e que incluiu representantes de três das maiores operadoras de telefonia móvel do País, o diretor de assuntos regulatórios da Claro, Luiz Otávio Calvo Marcondes, foi enfático ao concluir que “a solução para massificar e democratizar a internet banda larga são as redes sem fio”. Para ele, essa é a melhor maneira de atingir maiores parcelas da população.

Para o vice presidente de operações da Vivo, Paulo Cesar Teixeira, um dos grandes desafios da empresa neste ano é ampliar a cobertura da banda larga móvel em todo o País. “Estamos fortemente empenhados para que esse plano efetivamente aconteça”, disse. Teixeira citou o crescimento expressivo da receita da operadora com banda larga móvel em 2010, que cresceu 78%.

“O plano específico da Vivo é alcançar 85% da população brasileira, ou pouco mais de 2,8 mil municípios, até o fim de 2011”, diz Teixeira. O investimento necessário para atingir esse nível de cobertura deve ser feito basicamente em infraestrutura, inclusive com parcerias com outras operadoras para constituição de uma grande rede de fibra ótica em todo o território nacional. “Temos encontrado dificuldades na Região Norte, que é difícil de ser acessada, e na obtenção de licenças ambientais. É hora de ter uma estrutura que suporte o crescimento da demanda.”

Além disso, as operadoras apontam outras vantagens nas redes wireless. Segundo elas, os dispositivos móveis são muito atrativos, pois permitem que a conexão seja constante e territorialmente ilimitada. A variedade de dispositivos é cada vez maior, e incluem laptops, smartphones e os tablets, “os computadores do futuro”, segundo Marcondes. Pesquisas recentes apontam que 70% dos usuários de celular desejam evoluir logo seus devices para smartphones, que estão ficando cada vez mais baratos.

Na busca de um modelo ideal para massificação da banda larga, o pré-pago seria a melhor escolha. “O serviço pré-pago é o principal responsável pelo grande número de celulares no Brasil hoje, e representam 82,8% do mercado. É o método de pagamento mais simples e preferido dos clientes”, diz Marcondes, da Claro. A TIM concorda. “As ofertas padrão de banda larga não foram construídas do jeito mais fácil para o consumidor, seja pelo preço elevado, velocidade ou limite de download”, diz Bruno Marsili, gerente de ofertas de banda larga da TIM. “Os consumidores não querem ou não podem pagar o preço da banda larga. Nesse ponto concordo que o melhor caminho é o pré-pago.”

  Marsili cita a estratégia da TIM, que desde o fim do ano passado oferece um plano de banda larga móvel baseado na cobrança diária. O cliente paga 50 centavos por acesso a rede apenas nos dias em que usar. “Simples e acessível, é uma oferta diária por um preço bastante razoável, bem abaixo do custo padrão de uma lan house, por exemplo.” Para o gerente, esse tipo de plano atrai clientes que tem medo de assumir grandes gastos com planos de acesso. “Mas também oferecemos planos para outros perfis de clientes.”

Luiz Marcondes, da Claro, ainda cita outros obstáculos para a popularização das redes sem fio, como a demora na liberação das frequências de 2,5 GHz, 3,5GHz e também a de 700 MHz. “A tributação excessiva também é importante. Apesar dos acenos do governo, essa questão é complexa pois exige alterações nas leis”, diz.

PNBL

O assessor do departamento de banda larga do MiniCom, Ronald Emerson da Costa, concorda com as operadoras. “As redes sem fio são o mecanismo mais rápido e barato para expandir a rede, apesar de atualmente possuírem capacidade inferior”, diz. “Mas isso vai melhorar com o uso das faixas de 2,5 GHz e 3,5 GHz, e as tecnologias WiMax e LTE devem multiplicar por sete essa capacidade nos próximos anos, atingindo locais em que a estrutura via cabos é inviável.”

Costa se baseia em pesquisas para afirmar que as redes sem fio devem beneficiar principalmente as classes C, D e E, se tornando uma componente chave do processo de inclusão. “Nas áreas de baixa renda, com grau de urbanização e segurança precários, é muito melhor utilizar a rede sem fio, pois o custo médio de acesso por usuário é menor, diz. O assessor do MiniCom também acredita que, devido a competição acirrada no setor, os custos para o consumidor final devem ser reduzidos.

A demanda por acesso à internet banda larga no Brasil não para de crescer, segundo dados do IPEA sob os quais o ministério se apóia. Em 2009, eram 10 milhões de domicílios atendidos ao custo médio de R$ 96. Costa acredita que, se o mercado continuar trabalhando da mesma forma, até 2014 seriam 19 milhões de domicílios atendidos ao custo de R$ 58. “A proposta do PNBL é que se chegue a 35 milhões ao preço de R$ 35, mas já está se pensando em propor 40 milhões ao custo de 15 reais. As redes móveis tem papel importante nesse plano”, diz.       Por Marcelo Vieira

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