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Robôs invadem a Bovespa

Robôs invadem a Bovespa

Atualizado: Quarta-feira, 23 Março de 2011 as 2:16

Os robôs já são uma presença cotidiana na BM&FBovespa. Não se trata de humanoides de lata, é claro, mas de algoritmos invisíveis, preparados para diversas funções, como acompanhar a oscilação de preços e analisar variáveis que envolvem a compra e a venda de ações.

Desde setembro de 2010, a bolsa permite que o investidor de ações se conecte diretamente à sua plataforma de negociação sem o uso da infraestrutura tecnológica da corretora. Nesse ambiente eletrônico, o investidor pode realizar operações mais precisas auxiliado por algoritmos. O administrador de empresas André Demarco, de 38 anos, conduziu essa mudança. Ele é diretor de operações da BM&FBovespa e tem 15 anos de experiência no mercado financeiro. Acompanhe, a seguir, a entrevista com Demarco.

Quais são as vantagens, para o investidor, em negociar diretamente no sistema da BM&FBovespa?

Negociar em uma plataforma com acesso direto abre um leque de modelos de operação muito maior que o tradicional, onde o profissional ou o sistema da corretora pela qual o investidor opera é quem, no final, executa as ordens de compra e venda. Nosso ambiente de Acesso Direto ao Mercado (DMA, na sigla em inglês) dá liberdade ao cliente de executar a ordem diretamente no sistema de negociação. Com isso, ele pode testar diferentes programas que permitem um nível de automação muito maior do que a decisão pontual e humana.

Como funcionam esses robôs?

Um exemplo: sou um investidor e quero comprar ações da Petrobras. Primeiro, vou programar meu sistema para que ele emita uma ordem de compra toda vez que essa ação estiver negociando em determinado nível de preços. Depois, posso determinar que o sistema faça o gerenciamento dessa ordem, no lugar de ter de fazê-lo de forma manual e visual, acompanhando a cotação ao longo do pregão.

Que outras opções o cliente tem para negociar no ambiente de acesso direto da BM&FBovespa?

É possível negociar com algoritmos de automação e execução de ordens do tipo VWAP (sigla em inglês para os aplicativos que buscam ativos dentro de um determinado preço médio). Dá para, por exemplo, estabelecer uma compra de 10.000 ações da Petrobras de forma que meu preço médio fique próximo a um determinado valor. Com essa informação de parâmetro, o software toma as decisões de enviar as ordens de acordo com a oscilação do preço na bolsa. Como não se sabe como o preço vai estar daqui a dez minutos, ele fraciona a execução das ordens para ficar mais próximo do preço médio.

Outra maneira de execução que cresce no Brasil é a do modelo TWAP, algoritmos robotizados programados para executar ordens em determinados períodos de tempo e formar um preço médio. Ou seja, quero negociar 1.000 ações a cada meia hora. Então, fraciono a execução, de forma a pegar os diversos preços ao longo desse período. Estamos falando de estratégias. Mas quem define como conduzi-las é o cliente.

Qual a capacidade de operação das plataformas?

O Global Trading System, que processa negócios com derivativos e futuros, tem capacidade para 200.000 operações diárias e deve chegar a 400.000 no final deste primeiro trimestre. Já o Megabolsa (do mercado de ações), que registra 1,5 milhão de negócios por dia, vai rodar 3 milhões de negócios por dia.

Há algum tipo de investidor que se beneficia mais com essas tecnologias?

Não. Seja estrangeiro ou local, pessoa física ou institucional, o que o investidor precisa no mercado de capitais é liquidez para o ativo em que está negociando. Os modelos de automação dão um nível de presença no mercado muito maior do que se fossem apenas pessoas trabalhando. A rapidez nas ofertas gera mais negócios e, com isso, há mais preços no mercado. Mas, é claro, o investidor que faz uma operação por mês não vai precisar de um computador instalado dentro da bolsa.

E quais serão as próximas novidades da BM&FBovespa?

Estamos integrando as plataformas de negociação. Vamos substituir nossas quatro plataformas por uma só, onde se poderá negociar qualquer ativo. Ela terá os protocolos de comunicação mais usados no mundo, permitindo melhor conectividade com bolsas de outros países. O custo de manutenção vai cair, o que vai beneficar a bolsa e, indiretamente, também os clientes de mercado. Se hoje eu quiser comprar uma debênture e vender ações, tenho de ter duas telas para fazer isso. No futuro, tudo será feito no mesmo sistema.      

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