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Sites de compras coletivas crescem e se preparam para o futuro

Sites de compras coletivas crescem e se preparam para o futuro

Atualizado: Quarta-feira, 5 Janeiro de 2011 as 4:26

Menos de um ano depois do lançamento do primeiro site brasileiro de vendas coletivas, esse segmento de e-commerce se transformou em febre entre internautas e num grande filão de negócios para novos empreendedores. Nos sites bem sucedidos, a recuperação do investimento inicial é questão de poucos meses e empresas recém-criadas passam rapidamente a empregar dezenas de pessoas. Não existem dados que quantifiquem o faturamento do setor, mas as maiores empresas já trabalham com cifras na casa do milhão.

Atraído pelas boas perspectivas do negócio, o empresário Artur Gama se associou a dois amigos para criar o site Boa do Dia, em agosto do ano passado. Ele diz que o investimento inicial foi de aproximadamente R$ 17 mil na montagem da estrutura básica do negócio: mobiliário para escritório, legalização da empresa e contratação de equipe técnica. No primeiro mês no ar, o retorno dos negócios já cobriu os gastos iniciais. Hoje, o Boa do Dia gera faturamento suficiente para manutenção da estrutura física, salário dos 15 funcionários, mais retirada dos sócios.

Desde março passado, quando foi criado, até hoje, o Peixe Urbano, primeiro de compra coletiva do país, já contabiliza mais de 5 milhões de internautas cadastrados. Para atender a demanda, o site mantém 300 funcionários. Inicialmente no Rio de Janeiro, já se expandiu para 32 outras cidades. O sucesso é tamanho que atraiu o interesse do apresentador de TV Luciano Huck, que hoje é um dos quatro sócios da empresa

O negócio torna-se mais atrativo por ser em cadeia. A ideia é que empresas ofereçam promoções atrativas e os internautas comprem cupons para adquirirem determinados produtos ou serviços com descontos. Os abatimentos vão de 50% a 98%. Nesse jogo, as empresas fazem publicidade para os seus produtos, os consumidores pagam menos pelo o que se interessarem e os sites ganham comissões em cima do que venderem. Para garantir que muitas pessoas se cadastrem os sites estipulam um número de clientes mínimo para que as compras sejam efetuadas.

Para a diretora de comunicação da empresa, Letícia Leite, o formato teve aceitação no mercado porque todos os envolvidos no processo ganham. Ela adiantou que na próxima sexta-feira (7) o site vai alcançar Juiz de Fora, em Minas Gerais.

O crescimento das compras coletivas no país atraiu um grupo que atuava desde 2008 nos Estados Unidos, o Groupon, que chegou no Brasil em julho. A empresa já emprega na América Latina 500 pessoas de diversas áreas, como marketing, vendas, finanças, dentre outras, como explica o diretor de marketing da empresa, Daniel Funis.

- Desde sua criação, o grupo se expandiu para mais de 35 países. Isso mostra que é um negócio e de futuro.

Funis ressalta que a concorrência no setor está acirrada, mas para ele com o tempo o mercado vai se regular pelo processo de seleção natural.

- Não dá para mantermos 200 empresas fazendo a mesma coisa. Com o tempo só vão restar as mais sérias.

O bom desempenho dos sites gera efeito positivo em cadeia, para fornecedores de serviços. A empresa Dinheiro Mail, responsável por criar o modelo eletrônico de pagamento do comércio online, por exemplo, dobrou o faturamento por causa disso. A empresa atende a 20 sites de compras coletivas, segundo Marcos Bueno, diretor-presidente do grupo no Brasil.

- Aumentamos o número de funcionários de 170 para 200 em poucos meses.

Carlos Henrique Silva Dias, gerente da choperia Devassa, na capital mineira, explica que as empresas que oferecem promoções nesses sites também são beneficiadas. A choperia onde ele trabalha fez duas promoções nesses sites e atraiu 4.000 pessoas. Pagaram R$ 11 por cinco chopes, em vez de R$ 23,50.

Por Tatiana Lagôa

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