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Só acesso a TIC não basta para promover o desenvolvimento econômico

Só acesso a TIC não basta para promover o desenvolvimento econômico

Atualizado: Terça-feira, 13 Setembro de 2011 as 12:51

O estudo comparativo Conexões para o desenvolvimento: revelando o impacto das novas tecnologias da informação, a mais importante entre as publicações do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), constata que o acesso à Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) não basta para promover o desenvolvimento econômico.

Foram apontados pelo relatório que a qualidade das instituições e do marco regulatório, da formação dos profissionais e da infraestrutura física são essenciais para que essas tecnologias possam ter um impacto positivo no desenvolvimento. Antes de investir na aquisição e na expansão do acesso à TIC, os governos precisam examinar e aprimorar a capacidade que têm seus países para uma utilização eficiente da tecnologia.

As avaliações de resultados apresentadas consideram o uso da TIC nas áreas institucional, financeira, educacional, de saúde, trabalho e meio ambiente. Foram acompanhadas aplicações eficazes: na Argentina, os cidadãos de La Plata podem participar diretamente dos projetos públicos realizados pelo governo local; no Peru, camponeses pobres de Cajamarca usam a Internet para obter melhor assistência médica; na Colômbia, cafeicultores das áreas rurais efetuam e recebem pagamentos por meios eletrônicos; no Paraguai, a transparência das eleições nacionais é facilmente monitorada via celular e Internet; no México, as empresas utilizam ferramentas web para incentivar a reciclagem; na Bolívia, as pessoas recebem mensagens de texto com lembretes para economizar; no Haiti, após o terremoto de 2010, as equipes de resgate aplicaram as TICs em operações de socorro.

A maioria das evidências disponíveis se baseia em casos específicos que descrevem histórias de sucesso, mas fornecem poucos dados empíricos sobre a relação entre a TIC e os supostos avanços em produtividade e prosperidade.A pesquisa também indicou que as TICs permitem que múltiplos agentes transmitam e compartilhem informações de maneira instantânea, sem o deslocamento físico de indivíduos ou informações. As ferramentas de TIC geraram menor desperdício, mais eficiência e maior retorno no desenvolvimento das políticas públicas.

Um alerta relevante foi de que barreiras institucionais como leis e regulamentos, também desempenham um papel importante no desenvolvimento de aplicações das TICs na região. Outro aspecto verificado foi que as TICs aceleraram a disseminação dos testes aleatórios a outros setores e empresas, tais como Google, Amazon e eBay, que frequentemente aplicam esses testes em tempo real.

Este livro usou em sua análise quarenta e seis projetos: de governo que estavam prestes a se iniciar; criados e implementados especificamente para este trabalho; outros viabilizados por parcerias diretas com ONGs em diversos países e alguns que constituiram parcerias com instituições especializadas sem fins lucrativos, entidades acadêmicas e universidades. A maioria &S210; quarenta e um &S210; foi concebida como exercícios experimentais (quase todos ensaios controlados aleatórios) ou semiexperimentais. A idéia foi focar em iniciativas com objetivos de desenvolvimento e se obtiveram resultados.

Aproximadamente 18% dos projetos tratam de temas relacionados à educação. Dezoito por cento são projetos relacionados à área de saúde. Cerca de 14% dos projetos têm um viés ambiental, 18% das iniciativas estão relacionadas à pobreza e trabalho e os 12% restantes são ligados a finanças.

Uma das constatações foi a de que diferentes casos relatados no livro mostram que as ferramentas de TIC devem ser complementadas por outras formas de capital (em um caso de dificuldade com os computadores, por exemplo, era necessário capital humano). Aproximadamente 90% dos estudos foram completados com sucesso. Para aproximadamente 39% dos experimentos de campo realizados foi vantajoso o fato de contarem com componentes de TIC.

Cerca de 60% dos experimentos de campo que incluíam tópicos relacionados a finanças e 57% dos que tinham relação com trabalho e com o setor privado se beneficiaram significativamente das ferramentas de TIC. Entretanto, isso não aconteceu com os experimentos relacionados a educação e meio ambiente, em que o impacto positivo das ferramentas de TIC não foi tão claro. Além disso, não houve relação digna de nota entre o uso de TIC e os resultados econômicos setoriais em aproximadamente 22% dos projetos.

Com políticas econômicas adequadas, os governos podem se beneficiar significativamente de ferramentas de TIC para o desenvolvimento. A TIC ajuda, por exemplo, a corrigir falhas de mercado causadas por problemas de coordenação e assimetria de informação. Outro aspecto importante é que o desenvolvimento do e-banking e m-banking podem promover a bancarização numa região em que somente 35% tem contas bancárias, a América Latina, porém ainda há barreiras regulatórias.

Um ganho apontado por este grande levantamento foi que na América Latina, há indícios recentes de que as TICs estão se tornando um instrumento eficaz não somente para maior eficiência do setor público, mas também para ajudar a população a monitorar a atuação do governo. Na maioria dos países, constatou-se que ainda é incipiente a utilização de ferramentas de TIC no campo da saúde. Esta ampliação exigiria um significativo aumento de recursos humanos, hardware, software e infraestrutura. Telemedicina, registros médicos eletrônicos, monitoramento e rastreamento de pacientes são segmentos com potencial e necessidade de desenvolvimento.

Com relação às iniciativas em educação, elas devem se desenvolver passo a passo, sem grandes saltos, para que se possa planejar à luz da experiência, avaliar resultados e alterar decisões com base em novas informações. Treinamentos se fazem necessários não apenas para o melhor desempenho escolar, mas também para uma melhor colocação profissional futura. Na avaliação relacionada ao meio ambiente, a substituição da comunicação em papel pelo e-mail deve ser confrontada com os custos ambientais das TICs, principalmente no que diz respeito ao consumo de energia elétrica e a quantidade de lixo eletrônico que produzem. Ainda é necessário avançar nas pesquisas para entender como se dão estas compensações, especialmente no caso da utilização combinada de tecnologias diversas.

O livro demonstra ainda que é preciso reconhecer que as TICs não são um fim em si mesmas; levar em conta os diversos fatores que condicionam a eficácia das TICs; definir metas políticas em termos de uso, não de acesso; fomentar a cooperação, de modo a beneficiar a todos; explorar a parceria público-privada; além de incentivar projetos de larga escala para aumentar o retorno relativo do investimento.            

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