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Torneio de robôs revela lado boleiro de estudantes de tecnologia

Torneio de robôs revela lado boleiro de estudantes de tecnologia

Atualizado: Segunda-feira, 25 Outubro de 2010 as 10:36

Não é fácil, no mundo do futebol, gerenciar uma equipe vencedora. O assédio financeiro dos rivais, o desgaste das noites em claro, jogadores de se recusam a cumprir ordens simples... Os problemas são os mesmos, não importa se seu time é formado por atletas de carne e osso ou por robôs e estudantes de engenharia.

“Tem muita coisa que pode dar errado”, resume o estudante de engenharia elétrica Taumar Morais, um dos cerca de 700 alunos e professores que participam entre domingo (24) e quarta-feira (27) da Competição Latino-Americana de Robótica (Larc), no Centro Universitário FEI, em São Bernardo, na Grande São Paulo.

O evento não tem apenas futebol de robôs: há simulações de operações de resgate, percursos com obstáculos, e até uma competição de dança entre máquinas humanóides. Mas numa competição que reúne jovens de países da América Latina, em sua maioria do sexo masculino, é normal que o futebol atraia mais atenção.   “A gente vem para ganhar, é como no estádio mesmo”, conta Diones Fischer, calouro no curso de engenharia da computação da Universidade Federal do Rio Grande. Em sua primeira competição, Fischer faz parte da equipe atual hexacampeã da categoria RoboCup F180. Como todo bom representante do futebol gaúcho, o destaque do time é a defesa, explica Fischer. Nos últimos campeonatos, os robôs da FURG pareciam saber jogar mesmo sem a bola. A ideia é repetir a tática este ano, embora toda a programação da estratégia da equipe tenha sido feita do zero.

Funciona assim: a chamada inteligência artificial dos robôs é criada pelos programadores de cada time. A maioria das equipes desenvolve os algoritmos, sequências de instruções que cada máquina deve seguir dependendo da situação de jogo, em linguagem de programação C. Criada em 1972, é uma das linguagens mais populares entre os programadores, principalmente por poder ser compatível com quase todas as arquiteturas – tipos de máquinas – existentes hoje em dia.

Os times também desenvolvem as “entranhas”, as placas que transportam as instruções dadas pela inteligência artificial para sistemas responsáveis pelos movimentos do robô. É um trabalho meticuloso, que envolve projetar as placas em computador, testar virtualmente o funcionamento dos circuitos, encomendar os equipamentos e, depois, testá-los novamente para ver se o sistema – já montado – está em ordem.   Só na torcida

Mas após o apito de início de cada partida, os alunos viram espectadores. Dali em diante é o computador quem decide o que cada robô deve fazer para garantir a vitória. Duas câmeras instaladas sobre o campo enxergam pontos coloridos colocados sobre os “atletas”, e transmitem para a máquina a posição dos robôs, além das coordenadas da bola.

Os programas desenvolvidos pelos estudantes analisam essas informações e escolhem, automaticamente, qual a melhor tática para chegar ao gol. As instruções são repassadas, por radiofrequência para cada robô.

Quando tudo dá certo, os minicraques desarmam o adversário, driblam e carregam a bola em direção ao gol. Se enxergarem que o caminho está livre, sem nenhum adversário para impedir o tento, acionam uma pequena mola que solta o “chute”.

As habilidades desenvolvidas pelos estudantes que participam destas competições faz com que eles sejam desejados pelo mercado de trabalho antes mesmo de se formarem. “Hoje em dia a gente tem dificuldade em segurá-los dentro da universidade”, diz a professora Esther Colombini, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Há déficit de bons profissionais de engenharia e ciência da computação tanto no mercado brasileiro quanto no exterior.    

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