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TV digital exige mudança do consumidor

TV digital exige mudança do consumidor

Atualizado: Terça-feira, 25 Agosto de 2009 as 12

Quem quiser ver TV daqui a sete anos vai ter que se preparar. Das duas, uma: ou terá que comprar um aparelho de televisão com conversor integrado para TV digital, ou terá que adquirir um conversor externo (os chamados set-top box) – além de uma antena UHF, caso ela não esteja embutida nem no conversor independente, nem em um modelo novo de TV. Tudo isso porque o Ministério das Comunicações espera que em junho de 2016 todas as emissoras de TV aberta interrompam definitivamente suas transmissões em sinal analógico. O sinal digital será o único a ser emitido.

A tão alardeada interatividade da TV digital (como, por exemplo, fazer compras pela televisão) ainda está engatinhando no Brasil. Nem mesmo os aparelhos com conversor embutido possibilitam interatividade a contento - aliás, as próprias emissoras não oferecem muitas possibilidades de interação.

Para que a real interatividade aconteça, é necessário que o televisor receba e envie informações. Aí entra em cena uma espécie de programa (ou software) que faz o "meio de campo" entre seu televisor e a emissora. É o chamado middleware, cuja função, basicamente, é aglutinar um conjunto de aplicações e lhes dar coerência. No Brasil, o middleware usado é o Ginga, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e implementado no aparelho por uma empresa de informática.

Os televisores que estão no mercado hoje, porém, ainda não trazem o Ginga e, portanto, não oferecem possibilidade de interatividade. Assim, quando a interatividade deixar de ser experimental e virar rotina na programação das emissoras, o televisor provavelmente precisará acoplar mais um equipamento externo para poder usufruir da interatividade total. Ou, então, comprar um novo televisor. "A existência de aparelhos vendidos hoje sem o Ginga pode criar no futuro um verdadeiro conflito de gerações, já que para desfrutar de todos os benefícios da interatividade o consumidor precisará adquirir um novo aparelho", diz Carlos Affonso Pereira de Souza, coordenador adjunto do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas.

Apesar do prazo estipulado pelo Ministério das Comunicações, não é preciso esperar sete anos para fazer a migração para o sistema digital, visto que as emissoras já fornecem sinal digital em 22 cidades do país. Para isso, o consumidor tem que avaliar, de acordo com suas expectativas, qual o melhor momento e a melhor forma de fazer a transição.

Entender o que é TV digital não tem segredo: trata-se de uma nova tecnologia de transmissão do sinal de televisão. O nome digital é usado porque a imagem e o som são transmitidos pelo mesmo tipo de linguagem dos computadores - ondas que carregam as combinações dos dígitos 0 e 1. Isso significa mais qualidade, mais definição. É o adeus a borrões, fantasmas e chiados. Esse sinal será enviado por UHF - daí a necessidade desse tipo de antena.

Um ponto importante a ser considerado é a qualidade do sinal UHF em cada região. "A TV digital só tem dois estados possíveis: ou pega (imagem e som perfeitos), ou não pega. Se o telespectador está longe dos transmissores ou recebe um sinal UHF refletido, é bom ter uma antena de alto ganho", afirma Euzébio Tresse, consultor técnico do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital. Isso significa que é importante buscar informação sobre qual tipo de antena será necessário em cada região, pois os custos podem variar bastante. Há antenas embutidas nos conversores internos e nos próprios televisores, mas elas são menos eficientes.

Mas a tendência é o sinal UHF já estar suficientemente consolidado, o que vai eliminar a necessidade de antenas muito potentes. "As emissoras estão se aparelhando, mas tudo isso custa muito caro e, por isso, não dá para ser feito de uma hora para outra", diz Tresse.

TV digital é alta definição?

Receber o sinal digital em casa não significa que sua televisão vai automaticamente passar a exibir imagem e som em alta definição. A imagem reproduzida em uma TV é formada pelo cruzamento de linhas horizontais e verticais. Quanto mais linhas, maior a resolução. O sinal digital tem uma resolução máxima de 1.080 linhas horizontais (o analógico não passa de 650). Além disso, o som digital utiliza seis canais, enquanto o analógico é mono ou estéreo (dois canais). Mas estamos falando do sinal – e não do aparelho que vai recebê-lo.

Assim, para ter acesso à alta definição, é preciso ter um televisor que possa reproduzir esse tipo de imagem. Se mantiver seu televisor convencional (também chamado CRT, por tubo de raios catódicos) e apenas comprar o conversor externo, terá o som e a imagem melhorados, pois o sinal digital é menos suscetível a interferências – o que significa ausência de ruídos e chuviscos. Mas a resolução da imagem será de 480 linhas horizontais – o máximo permitido pelas televisões comuns.

Se a TV for de plasma ou LCD, isso tampouco garante a chamada alta definição. A verdadeira alta definição é de 1.080 linhas horizontais, chamada Full High Definition. Alguns aparelhos, apesar de contarem com tecnologias mais atualizadas que os modelos CRT, têm resolução máxima inferior às 1.080 linhas – por exemplo, é comum a resolução de 720 linhas. Por isso, é preciso ficar atento, pois muitos fabricantes não fazem muita questão de passar essas informações de maneira clara.

Também é preciso lembrar que, principalmente neste período de transição de sistemas, as emissoras nem sempre vão transmitir o sinal da TV digital em qualidade máxima. Cada emissora ainda vai decidir o nível de resolução de suas transmissões.

Outro detalhe importante: as transmissões analógicas trabalham com o formato de tela 4:3, das telas de TV de tubo. A programação digital, no entanto, já comporta o formato 16:9, com área de exibição maior, semelhante à do cinema. Assim, se a TV tiver tela quadrada e receber, via sinal digital, um programa em formato 16:9, duas faixas pretas aparecerão, acima e abaixo da imagem. Como os atuais DVD players, os conversores digitais deverão possibilitar ajustes diversos de formato das imagens por parte do espectador, permitindo que o telespectador que dispõe de uma TV 4:3 opte por eliminar as duas faixas pretas em 16:9 para ter a tela completamente preenchida.

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