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Videogame no Brasil é caro mesmo. E aí?

Videogame no Brasil é caro mesmo. E aí?

Atualizado: Quinta-feira, 26 Agosto de 2010 as 10:11

E olhe só a contradição. Foi justamente a semana em que a Sony Brasil anunciou o lançamento do PlayStation 3 em nosso território. Quase quatro anos depois do lançamento oficial no mercado internacional, o console ganha uma versão quase brasileira, com embalagem e manual em português, garantia e em conformidade com as normas técnicas do País.

A questão que pouca gente comemorou foi apenas uma: o precinho desse lançamento. R$ 1999,00.

R$ 1999,00 , vamos admitir, é um eufemismo: é R$ 2000 mesmo. Afinal, R$ 1 hoje em dia não paga nem um cafezinho no boteco. E este é o console de videogame que, lá fora, pode ser comprado hoje em dia por US$ 330 dólares (somando impostos). Se convertido no dólar de hoje, daria para dizer que o PlayStation 3 brasileiro está saindo por… US$ 1110,00. Ops.

Convenhamos, é uma conta injusta de se fazer. Mesmo com a cotação do dólar em nível relativamente razoável (por volta de R$ 1,80 – US$ 1), é um exercício de sofrimento fazer essa conversão e constatar que somos cobrados quase três vezes mais do que os norte-americanos pelo mesmíssimo produto. Enfim, a vida é difícil, games são caros, a gente não ganha o que merece…

Ninguém passou batido pela notícia divulgada pela Sony . Este blog há muito tempo não recebia tantas visitas e comentários . E eu diria que 90% dos visitantes não gostaram nada dessa história . Alguns foram mais cuidadosos com as críticas. Outros se valeram da relativa blindagem que a internet proporciona para chutar o pau da barraca e xingar com afinco e força. Seja qual for o tipo de comentário, todos foram lidos. E certamente não só por mim, mas também pelas partes interessadas – a dizer, a própria Sony Brasil .

Temos – eu e meus colegas de profissão – discutido muito esse tema polêmico, seja nas mesas de bar, nos fóruns de internet, pelo MSN e Twitter: será que a imprensa deve se posicionar em se tratando desse tipo de situação? Vejamos.

Não há dúvidas, o PlayStation 3 brasileiro é caro mesmo. Mas o que nós da imprensa devemos fazer nesse caso? Apenas transmitir a informação e deixar o consumidor opinar por conta própria? Ou escancarar nossas opiniões, mesmo que não sejam baseadas em números e fatos, mas em gostos pessoais, achismos e prévias experiências? O que você, leitor, gostaria de ler? Um ataque raivoso, uma defesa fervorosa, ou simplesmente fatos, ou as verdades que os envolvem?

Minha posição aqui no Gamer.br sempre foi equilibrada. Alguns podem chamar de “moderada”, ou “em cima do muro”. Há quem diga que eu prefiro não me comprometer. Pode haver um pouco de verdade nisso. Mas é a maneira que prefiro trabalhar – perguntando o que todo mundo quer saber, escutando todas as as partes envolvidas e apresentando as informações captadas de bandeja para o leitor, da maneira mais descomplicada o possível. As informações estão aí, boas ou ruins, concordando eu ou não. Cabe a você decidir se o preço cobrado pela Sony é ou não abusivo. Cabe a você analisar as palavras apresentadas e concluir se são encheção de linguica, enrolação ou mentira pura, ou se são realmente baseadas na verdade absoluta. É isso o que vou continuar a fazer por aqui. Acho mais justo e mais interessante.

Mas duas coisas eu penso e não escondo:

1. Realmente, gostaria que o PlayStation 3 brasileiro custasse menos, assim como gostaria que o Xbox 360 brasileiro estivesse mais em conta. Não apenas isso, adoraria que o brasileiro, de um modo geral, tivesse condições melhores de adquirir os produtos de consumo que tanto deseja.

2. Tenho certeza que tem gente que gosta de reclamar simplesmente por reclamar. E que mesmo que o PS3 fosse anunciado a R$ 800, muitos iriam chiar sem constrangimento. É interessante o fato de muita gente se tornar doutor em economia nessas horas, mostrando que sabe fazer matemática muito melhor do que os executivos da Sony, Microsoft e Nintendo.

É claro que a gente deseja que mais e mais pessoas tenham acesso aos consoles de ponta. Certamente, é esse também o desejo das fabricantes de videogames. Ao mesmo tempo, essas empresas não estão nessa por filantropia. O negócio desses caras é ganhar dinheiro, única e simplesmente. Se não fosse isso, não compensaria em nada o esforço de desenvolver uma nova máquina de videogame a cada sete anos. Logo, esses fabricantes podem colocar seus produtos à venda pelos preços que lhes der na telha. Ninguém, em lugar nenhum do mundo, é obrigado a comprar qualquer coisa. Eles vendem o que e como quiserem; nós compramos se assim for o nosso desejo. É assim com qualquer relação comercial normal, e é assim que sempre o será.

Isso tudo é óbvio, mas serve para você se lembrar de não gastar tanta energia reclamando que o videogame é absurdo de caro ou que a empresa X ou o executivo Y são mentirosos e inescrupulosos. Nada irá mudar o fato de que o produto custa mais do que a maioria dos brasileiros pode pagar. Mas você tem alternativas, se assim o desejar. Na lei da oferta e da procura, deveria vencer o consumidor. Então, se achou caro o PS3 da Sony Brasil e ainda assim precisa ter um videogame em casa, corra atrás de outro preço. Certamente, irá encontrar algo que se adapte melhor ao seu bolso. A internet é um mundo vasto e amigável.

E por favor, não me compreenda mal. Não falei que você não deva reclamar do que acha errado. Só acho que menos energia negativa poderia ser dispensada com esse tema, porque neste caso específico, estamos falando de uma causa perdida. O que está feito, está feito, pelo menos neste momento. Eventualmente (e assim como rolou com o Xbox 360 e o Wii), o preço do PS3 deverá cair – mas provavelmente, será uma redução insuficiente para fazer o nosso PlayStation 3 ser considerado barato . O preço pode cair cinco vezes em um mesmo ano e nunca será considerado acessível.

Porque, afinal (e muita gente se esquece disso),  game NÃO é entretenimento de massa . Reitero, ainda em negrito – videogame jamais será considerado um produto barato – seja aqui, seja nos Estados Unidos, seja no Japão. Felizardo é aquele que hoje tem pleno acesso a eles. Talvez um dia seja algo acessível à maioria. Eu, de minha parte, torço para que aconteça logo. Enquanto isso seguimos por aqui, questionando, analisando e reportando os fatos.

Postado por: Thatiane de Souza

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