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Windows para celulares pode equipar tablet concorrente do iPad

Windows para celulares pode equipar tablet concorrente do iPad

Atualizado: Sexta-feira, 17 Setembro de 2010 as 1:50

A Microsoft estuda a possibilidade de utilizar o sistema operacional Windows Phone 7 (WP 7), criado para telefones celulares e que chega ao mercado americano entre o final de outubro e o início de novembro, como base para tablets que concorram com o iPad, da Apple.

Segundo o gerente de marketing da divisão de comunicação móvel da empresa, Augusto Valdez, a interface do celular, projetada desde o início para ser usada em telas sensíveis ao toque, pode ser adaptada para telas maiores, como tablets.

A estratégia fortaleceria as chances de sucesso da Microsoft no setor de tablets. Em 2001, a empresa tentou criar o conceito de “Tablet PCs”, computadores com tela sensível ao toque rodando Windows. Sem adaptações de interface e com preço alto para a época, o produto fracassou. Nove anos depois, a Apple conseguiu, utilizando um sistema originalmente criado para celulares, fazer o iPad o maior sucesso de vendas do ano no setor de tecnologia.

“O sistema do tablet pode ser o WP 7, ou algo intermediário entre o WP7 e o Windows 7 para computadores”, afirmou Valdez, durante demonstração do novo sistema operacional para celulares da Microsoft. Na sede da empresa em Redmond, no estado americano de Washington, o G1 teve acesso a um protótipo, fabricado pela LG, já rodando a versão final do WP7.

Depois de erros sucessivos no desenvolvimento de ecossistemas para telefones celulares, a Microsoft decidiu criar uma nova linha de desenvolvimento para o Windows Phone 7. Nada foi aproveitado da versão 6.5, que jamais teve condições técnicas de concorrer com sistemas como o iPhone, da Apple, o Android, do Google, e o Blackberry, da RIM. “Fizemos tudo do zero”, conta Valdez.

“Gestão de memória” nunca mais

Em contraste com a complexidade das versões anteriores, que tentavam transportar para a telinha do celular todas as funções do Windows para PCs, o WP7 é bastante simples. Não há uma confusão de ícones, menus e programas diferentes para funções como “organizar arquivos” e “gerenciamento de memória”, coisas que só fazem sentido em um PC, mas que estavam presentes nos telefones antigos com software Microsoft.

A mudança se tornou necessária após o surgimento do iPhone, em 2007, quando os smartphones deixaram de ser exclusivos para uso corporativo e passaram para o bolso dos usuários domésticos. “Eles (Apple) acertaram quando fizeram um ecossistema constante e unificado”, diz Valdez. Nas versões anteriores do Windows Phone, cada fabricante de aparelhos e as próprias operadoras podiam alterar a interface gráfica, deixando cada telefone com uma “cara” diferente.

“Às vezes, o consumidor trocava um aparelho com Windows para outro também com Windows, mas nem percebia que seus programas eram compatíveis, pois parecia uma experiência completamente diferente”.

“Hubs” e botões fixos

Agora, com o Windows Phone 7, a Microsoft resolveu repetir a experiência bem sucedida da Apple. Até mesmo os botões físicos dos aparelhos serão padronizados: os fabricantes terão de disponibilizar a tecla “Windows”, que volta para a tela inicial, a tecla “voltar”, para retroceder uma tela na navegação, e o botão de busca, com ícone em formato de lupa.

Mudou também o sistema de instalação de aplicativos e jogos: agora, o usuário só poderá baixar softwares aprovados pela Microsoft, disponibilizados no Windows Phone Market Place. Novamente, a inspiração é a Apple, que consegue manter o padrão e a segurança dos aplicativos para o iPhone em detrimento da liberdade na distribuição destes programas.

Mas se no iPhone o foco é justamente nestes aplicativos, o sistema da Microsoft toma um caminho diferente. Os ícones na tela –separados entre “trabalho” e “vida pessoal” – não abrem programas específicos, mas sim conteúdo organizado em “hubs”, ou portos centrais temáticos. Desta forma, o ícone de fotos serve para entrar nas imagens tiradas pela câmera do celular, mas também nas disponibilizadas por seus contatos em redes sociais como o Facebook.

É possível também criar “hubs” para acompanhar todo o conteúdo on-line de um contato específico. Você pode, por exemplo, adicionar um ícone – que muda de acordo com cada atualização de conteúdo – para seguir tudo o que sua namorada te enviar por e-mail, torpedo ou mesmo publicar no Twitter, Facebook, Orkut, LinkedIn... Não importa a rede, mas sim a pessoa.

Uma vantagem em relação ao iPhone é a facilidade em criar atalhos para seleções específicas de música. Na demonstração ao G1, Valdez criou, com poucos cliques, um “hub” para acessar toda sua coleção de discos do U2. Depois, adicionou outro, para o disco “Death Magnetic”, do Metallica. O telefone transformou fotos da banda e a capa do disco em um ícone.

Xbox portátil

Outra boa notícia para quem gosta de games: como é compatível com as mesmas ferramentas de programação utilizadas para o desenvolvimento de jogos para a Xbox Live Arcade, rede online do videogame da Microsoft, será fácil adaptar centenas de jogos para a telinha do Windows Phone 7. É a oportunidade, inclusive, de oferecer uma versão portátil do Xbox. No momento, a Microsoft é a única das grandes fabricantes de videogames fora deste setor.

Na demonstração, Valdez mostrou dois títulos que estarão disponíveis já no lançamento dos aparelhos no mercado americano. Os gráficos são comparáveis ao de jogos presentes nos três videogames portáteis que disputam o mercado atualmente: o Nintendo DS, o PSP, da Sony, e o iPhone/iPod Touch. Sim, o telefone da Apple – e sua versão sem conexão celular – têm também forte apelo por conta da disponibilidade de bons jogos na loja de aplicativos. Pena que o consumidor brasileiro não tenha, por uma questão jurídica, acesso a esses títulos. 

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