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Windows Phone 7 traz problemas e promessas

Windows Phone 7 traz problemas e promessas

Atualizado: Quarta-feira, 3 Novembro de 2010 as 10:29

O que a Microsoft estava pensando ao criar um rival para o iPhone agora, em 2010?

Será que ela não percebe que a Apple tem uma vantagem de três anos, 70 milhões de aparelhos e 300 mil aplicativos? E que o Google, com seu Android, tem uma vantagem de dois anos, 30 milhões de aparelhos e 100 mil aplicativos?

Será que a Microsoft realmente pensa que o mundo precisa de mais um smartphone retangular e preto com tela multitoque?

Bem, certamente a resposta a essa última pergunta é sim. O Windows Phone 7 é o software que a Microsoft espera que rode em novos aparelhos a serem lançados nos próximos meses. Eu testei o sistema em três celulares: Samsung Focus, HTC Surround e HTC HD7. Os três serão vendidos nos próximos meses, nos Estados Unidos. Não há previsão de chegada do Windows Phone 7 ao Brasil.

O nome “Windows Phone 7” engana duas vezes. Pra começar, não é Windows. Não parece com o Windows, não roda software Windows e nem requer um PC com Windows (há um programa parecido como iTunes para transferir dados para computadores, mas está disponível também para Macs).

Segundo, não é “7”. Esse número implica uma relação com o Windows Mobile 6.5, a aposta anterior da Microsoft na área de smartphones, um sistema pesado e confuso. Não, o Windows Phone 7 é decididamente um sistema 1.0.

Isso pode parecer uma crítica severa. Mas “1.0” pode tanto significar “incompleto” como “um novo começo, cheio de novidades”. Por isso, embora o Windows Phone 7 mostre alguns recursos excelentes, não tem uma longa lista de recursos básicos presentes no iPhone e no Android. Preparado?

Pontos negativos

Não há recurso de copiar e colar, nem pastas para organizar os aplicativos. Não há como adicionar novos toques de chamada (ringtones), nem como mandar vídeos para outros aparelhos como mensagens MMS. Não há videoconferências nem câmeras frontais nos aparelhos.

Também não há o recurso multitarefa, que permite rodar vários programas ao mesmo tempo. Dá para ouvir as músicas guardadas no aparelho enquanto se trabalha em outros programas, mas não dá para ouvir, por exemplo, o serviço de música online Pandora.

Parece familiar? São exatamente os mesmos recursos que não estavam no primeiro iPhone. Além disso, há um botão de busca, mas ele não busca todo o conteúdo do aparelho de uma vez (para localizar aplicativos, contatos e e-mail ao mesmo tempo, por exemplo). Também não há opção de tethering (recurso que permite usar o smartphone como modem 3G, para permitir navegação em notebooks).

Como no iPhone, o navegador não abre sites com Flash. Mas o Windows Phone 7 também não roda os vídeos em HTML5 que abrem normalmente no iPhone. O sistema não toca nem vídeo em Silverlight, um formato da própria Microsoft. Então, sem YouTube, sem Hulu, sem vídeos de sites de notícias.

O programa de e–mail não junta várias contas em uma só caixa de entrada. Na verdade, cada conta vira um ícone na tela de entrada. Também não há exibição de mensagens como conversas, recurso muito popular do Gmail e de outros serviços.

O calendário sincroniza informações com serviços online como os do Yahoo! e do Google. Mas, de forma inacreditável, só mostra uma categoria de cada vez (como calendário pessoal ou trabalho).

Já a agenda de contatos tem o problema oposto: ela mostra todos os seus contatos, de todas as redes, em uma só lista. Se você tem dezenas de amigos no Facebook, eles entopem a lista e ficam no caminho das pessoas realmente mais próximas (não há integração com o Twitter, apenas um aplicativo independente).

Isso parece uma longa lista de dever de casa para a Microsoft, e é. Mas, quem sabe. Se há uma empresa famosa por estratégias de longo prazo e gastos de fortunas em software, é ela. A empresa jura que fará do Windows Phone 7 um concorrente sério na área de smartphones. Pelo menos dá pra garantir que a Microsoft não vai matar o projeto poucos meses depois de lançá-lo, como fez com os aparelhos da linha Kin.

Pontos positivos

O ponto positivo é que o WP7 é uma versão 1.0 também no bom sentido. É uma completa revisão do conceito de software para smartphones. A Microsoft conseguiu criar uma interface nova, bonita e agradável de usar. Além disso, ela é completamente diferente das usadas no iPhone e no Android.

A tela de entrada do WP7 não tem ícones distribuídos igualmente, como acontece no Android e no iPhone. Em vez disso, há duas colunas de ícones retangulares. Cada um representa um aplicativo, um atalho de discagem, uma página favorita, uma lista de músicas, enfim, o que o usuário quiser.

É fácil reorganizar e apagar os ícones. Isso é especialmente relevante porque, nos Estados Unidos, a Microsoft permite que as operadoras instalem aplicativos extras. E esses programas são inúteis na maioria das vezes.

Esses ícones grandões também trazem informações úteis. Um número no ícone diz quantas mensagens de voz, mensagens de e-mail ou atualizações de programas estão na fila. O ícone de música mostra capa de álbuns, o ícone do calendário mostra seu próximo compromisso, e assim por diante.

Outras ideias bacanas estão no sistema. Em qualquer smartphone com WP7 há um botão dedicado para câmera, e dá para tirar fotos até com o aparelho desligado, um excelente recurso. É possível configurar o aparelho para transferir as fotos automaticamente para o Facebook ou para o SkyDrive, serviço de backup da Microsoft.

O sistema também permite usar a voz para ativar ligações, fazer buscas no Bing ou abrir aplicativos. Mas não dá para ditar um texto, como no iPhone (por meio do aplicativo grátis Dragon Dictation) ou no Android (recurso embutido no sistema).

Alguns aplicativos são chamados de “hubs”, programas maiores e compostos de vários ícones. Alguns deles são Pictures (fotos), People (contatos) e Office (programas de escritório). Como você sabe que pode usar um gesto para mudar para a tela seguinte? A “ponta” da próxima tela aparece na tela original. Boa ideia.

Até a tela que trava o aparelho recebeu uma interface inteligente. É possível ver informações básicas, como horário, quantidade de e-mails e próximo compromisso, sem ativar completamente o aparelho.

Diferenciais

Então tudo bem, o WP7 é tão rápido e agradável de usar quanto seus rivais. Mas pense na quantidade de carregadores, aplicativos, acessórios e até carros compatíveis com o iPhone. O que a Microsoft pode oferecer pra alguém optar pelo WP7?

Três coisas. Primeiro, Office. Smartphones com WP7 vêm com Word, Excel e PowerPoint. Mas, considerando que o Office é um dos pontos fortes da Microsoft, o suporte para o pacote no WP7 é estranhamente limitado. Não dá nem pra mudar as fontes no Word, e no PowerPoint só dá para editar caixas de texto. Nada de criar novos arquivos. Os aplicativos do Office para iPhone e Android têm mais recursos.

Em segundo lugar, o Zune. Se você não está entre as seis pessoas que compraram um desses, o Zune é o rival do iPod feito pela Microsoft. O produto foi um fracasso, mas o software é muito bom, a loja online tem boa variedade de conteúdo e o plano de US$ 15 por mês (disponível somente nos Estados Unidos) torna o aparelho um rádio com conteúdo sob demanda.

Finalmente, o Xbox. Se você tem um videogame Xbox 360, suas estatísticas e seu avatar aparecem no smartphone e muitos jogos já estão disponíveis.

A Microsoft determina a configuração mínima para as empresas que querem equipar aparelhos com o WP7. Por isso, os aparelhos são muito rápidos. O software responde bem aos gestos. As animações são bonitas e não atrapalham o uso do aparelho.

Bateria fica na média

Já a bateria é outra história. Como acontece com aparelhos similares, é necessário carregar os aparelhos todo dia. E cuidado com o modo de espera. Esses smartphones consomem tanta bateria durante a noite que parece que têm um buraco por dentro.

É incrível que a Microsoft tenha conseguido o mais difícil: criar uma interface verdadeiramente nova, bonita e fácil de usar.

Mas, obviamente, a empresa ainda tem muito trabalho a fazer. E ainda vai levar algum tempo até que a loja de aplicativos ofereça uma boa quantidade de programas. A Microsoft pretende lançar atualizações de software para, aos poucos, corrigir as falhas do sistema. Em outras palavras, por enquanto, esse provavelmente não será o smartphone que você deseja.

Mas definitivamente é um aparelho para ficar de olho.

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