22% dos jovens compartilham celular com desconhecidos na web

22% dos jovens compartilham celular com desconhecidos na web

Atualizado: Sexta-feira, 12 Novembro de 2010 as 3:56

O Brasil tem 12,5 milhões de jovens entre 13 e 17 anos acessando a internet, o que é mais do que a população da Grécia e corresponde a um em cada cinco internautas brasileiros. E, entre as dez principais atividades desses jovens na web, sete delas apontam para o compartilhamento de informações pessoais com desconhecidos.

De acordo com uma pesquisa encomendada pela empresa de Segurança da Informação McAfee à TNS Brasil, empresa de pesquisa de mercado, 22% dos jovens compartilha o número do próprio celular com pessoas que não conhecem no mundo offline. Além disso, 21% fornece o nome da escola onde estuda a desconhecidos, 9% passa o telefone de casa, 7% o endereço e 4% o CPF.

Nas redes sociais a exposição também é frequente. A cada 10 jovens, oito utilizam mídias como Twitter, Orkut e Facebook. Destes, 71% atualizam seus status frequentemente e, entre eles, 46% incluem as respectivas localizações. "A pessoa mal intencionada levanta informações sobre o jovem no Facebook, lê um tweet como ‘estou no cinema’ e sabe que o celular ficará desligado por duas horas. Isso facilita a prática de falsos seqüestros", exemplifica José Matias Neto, Gerente de Suporte Técnico da McAfee para a América Latina.

Segundo as empresas envolvidas no levantamento, as consequências do compartilhamento dessas informações podem ser fraudes, bullying, stalking e sequestro. Os próprios jovens entrevistados confirmaram que tamanha exposição pode acarretar problemas. Os dados apontam que 72% conhecem alguém próximo que sofre com bullying, 50% já tiveram o computador infectado por ameaças virtuais, 25% foram vítimas de insultos pejorativos e 20% tiveram senhas roubadas. Apesar disso, os jovens mostraram conhecer os riscos que correm e 79% acreditam saber se manter seguros na internet.

Quanto à preocupação dos pais com aquilo que os jovens acessam, 88% dos jovens afirmaram que os responsáveis estão seguros quanto ao que eles fazem online. Entretanto, declararam saber esconder essas atividades (53%) e não contar aos pais o que fazem na internet (32%). Outras medidas frequentes para que os pais não saibam os hábitos dos filhos na web são limpar o histórico dos sites navegados, minimizar os sites quando um adulto se aproxima e criar endereços secretos de e-mail. De acordo com Alexandre Momma, diretor de atendimento da TNS, isso não significa que eles estejam utilizando o e-mail para enviar dados pessoais a estranhos e nem acessando conteúdo adulto, mas demonstra a preocupação dos adolescentes em manter certa privacidade.

Para Momma, a exposição excessiva dos jovens não deve ser motivo para restringir o acesso à internet. "Não adianta limitar. Se os pais limitam em casa, o jovem vai para a casa de um amigo ou lan house, para usar a internet longe da família. Adolescentes são heavy users e cortar acessos não é a solução". A sugestão, portanto, é o diálogo e a aproximação entre pais e filhos, para que os adolescentes sejam devidamente orientados.

Veja dicas dos especialistas para manter-se seguro on-line:

- Não abra e-mails de desconhecidos (mesmo aqueles que dizem que você foi premiado ou que encontraram fotos suas) e, principalmente, não clique nos links;

- Ao fazer compras pela internet, verifique se a página contém um cadeado ao lado do endereço e certificado de segurança;

- Não disponibilize informações pessoais como atual localização, escola em que estuda, bairro onde mora e locais que frequentará em breve;

- Caso seja usuário do Foursquare, não twitte os check-ins e só aceite como amigo pessoas conhecidas e confiáveis;

- Se postar vídeos pessoais no YouTube para compartilhá-los com os amigos, não os marque como públicos. O mesmo vale para fotos no Orkut, Facebook, Flickr, Picasa e outras mídias de compartilhamento de imagens;

- Cuidado com o que conta da própria vida em blogs. Pessoas mal intencionadas podem reunir informações aparentemente inocentes de vários posts para traçar um perfil do autor e usar isso para criar perfis fakes e praticar cyberbullying.

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