22h12

22h12

Atualizado: Segunda-feira, 27 Setembro de 2010 as 8:35

Estava no meu escritório, na frente do meu laptop, dando uns últimos retoques numa pregação em Daniel que ia fazer dois dias depois, domingo, na minha igreja,quando alguém bateu na porta.

- Quem é?

Logo gritei, mas nada de entrar. Então gritei mais uma ou duas vezes e levantei pensando quem estaria na porta aqui em casa as 22h12 da noite.

Quando abri aporta, assustado, falei:

- Nossa você aqui? Já?!

Ele respondeu levantando uma das sobrancelhas:

- Esta reação não muda mesmo, todo mundo leva um susto quando me vê.To pra ver alguém que fale simplesmente um Oi!

Eu olhava para ele com muito espanto e preocupação, acho que a descarga de adrenalina tinha me paralisado. Certa vez vi na Discovery que isso pode acontecer.

- É Marcos, chegou a hora! Ele disse olhando para o relógio e se virando como se estivesse com muita pressa.

- Pera, pera ai! Calma, entra um pouco.Falei para ele de sopetão, pois estava de chinelo e já com a roupa de dormir.

- Marcos eu não tenho muito tempo, do que você precisa para ir?

- To muito surpreso, é que eu não estava te esperando agora.

E ele respondeu:

- E quem está? Disse ele.

- Não, não é isso. Entra aqui na cozinha rapidinho vou pegar um copo d’agua para o senhor.

Ele falou que não precisava, mas fui pegar assim mesmo, pois precisava ganhar tempo para pensar e, também, a esta altura minha boca estava totalmente seca.

Quando me viro, sinto-me aliviado, pois ele tinha sentado a mesa da cozinha.

- Marcos, por que você está me enrolando?

- Mestre eu sei que eu deveria estar muito contente, te abraçar. Mas é que...

- É que você não acreditava que isso realmente podia acontecer!

Ele me interrompeu.

- Não é bem assim. É que.

Com uma respirada parei a frase no meio e pensei, a quem estou querendo enganar, a ele? E sem pensar faço a pergunta mais estúpida da minha vida, como uma correção:

- Mas você não deveria vir nas nuvens para todos verem?

Foi quando ele deu uma risada que lembrou a do meu pai, chegou até a inclinar a cabeça para trás.

- Ah meu filho, vocês tem a mania de interpretar as figuras de linguagem de forma literal e as literais de forma figurada.

E deu outra risada bem alta. Eu também ri com ele, meio sem graça por não entender bem a piada, mas também ri. Sempre dou risada quando vejo alguém rindo, mesmo quando não entendo!

Depois de alguns segundos ele bate as duas mãos na mesa, se levanta e fala:

- Bom, já que você tomou o copo d’água que era pra mim, acho que podemos ir.

- Você não quer que eu chame os outros? Quem está indo também?

- Marcos os que tem ser chamados agora só eu posso chamar, sozinho com cada um. As pessoas que você deveria chamar, deveria ter sido antes das 22h12. Mas não se preocupe, você vai ficar muito feliz com quem vai encontrar lá.

Já estávamos saindo e por força do hábito peguei a chave de casa que fica pendurada em uma casinha na parede em cima do filtro.

- Pode deixar a chave Marcos, a partir de agora você não mora mais aqui.

- Desculpa mestre, ainda não to acreditando no que esta acontecendo.

E ele me disse com uma risadinha no canto da boca:

- Não se preocupe, você vai ter uma eternidade para cair a ficha!

Marcos Botelho   é pós-graduado em Teologia Urbana, Missionário do Jovens da Verdade, SEPAL. Professor da FLAM - Faculdade Latino Americana de Missões e responsável pelo Terra dos Palhaços Brasil  

  www.jvnaestrada.co m

veja também