50% dos jovens infratores voltam a cometer delitos

50% dos jovens infratores voltam a cometer delitos

Atualizado: Quinta-feira, 17 Março de 2011 as 8:51

A situação de crianças, jovens e adolescentes que cometeram algum ato infracional, seja ele leve ou grave, e tem que cumprir medidas socioeducativas, no Ceará, é preocupante. Segundo a Pastoral do Menor, o índice de reincidência desses jovens passa dos 50%. Outro dado alarmante é a enorme quantidade de meninos que vem do Interior do Estado. São 280, o que representa um terço desse total.

Faltam unidades de atendimento, profissionais para atender a demanda, prioridade do poder público com a causa e, principalmente, recursos financeiros.

Orçamento

A falta de investimento é verificada também no Município de Fortaleza. Aurilene Vidal, coordenadora da Pastoral do Menor, denuncia que apenas 26% do que estava orçado pela Prefeitura da Capital para ser gasto em 2010, foi executado.

Atualmente, cerca de dois mil jovens cumprem medidas socioeducativas no Ceará, nos três sistemas: meio aberto, de semi-liberdade ou de privação de liberdade. Em Fortaleza, 840 adolescentes cumprem medidas em unidades de internação - regime fechado.

Mas afinal, de quem é a falha? Quem de fato tem que ser responsabilizado? É esse o questionamento que faz a campanha "Dê oportunidade - Medidas socioeducativas responsabilizam, mudam vidas", lançada ontem, no Condomínio Espiritual Uirapuru (CEU). Na opinião da coordenadora institucional da campanha, Aurilene Vidal, todo um conjunto de fatores contribuem para formar esse triste cenário.

A presidente do Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente (Comdica), Flor Fontenele, ressalta que a sociedade pede uma cultura de paz, mas não percebe que ela própria exerce a violência. "A sociedade deseja que esses adolescentes sejam castigados e não responsabilizados".

Nádia Cândido, coordenadora do programa "Se garanta", da Secretaria de Direitos Humanos de Fortaleza (SDH), afirma que mais de 50% do orçamento da SDH é destinado para a área da infância, e que ele foi totalmente executado. "Esse ano, houve um aumento no orçamento para a política da infância, que passou para de R$ 12 milhões para R$ 21 milhões", afirma.

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