A escola como extensão do ambiente familiar

A escola como extensão do ambiente familiar

Atualizado: Terça-feira, 20 Setembro de 2011 as 8:53

Em um determinado momento da vida, o jovem se pergunta: será que estou no lugar certo? Junto com as descobertas da adolescência, vem a vontade de se sentir aceito e, mais que isso, a vontade de estar em um ambiente apropriado para colocar em prática as primeiras decisões sérias da vida. O perfil de sua escola tem um papel fundamental nisso: é por lá que você passa maior parte de seu tempo, conhece amigos e aprende novos valores. Quero passar em primeiro lugar em uma federal? Ou quero conhecer o mundo antes de me estabilizar? Essas perguntas são freqüentes durante o período do Ensino Médio e é importante sempre levar a discussão pra casa, antes que seja tarde demais.

Para Kátia Pavani Gomes, professora de Psicologia das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), é essencial que haja bom senso por parte dos pais na hora de escolher a escola de seus filhos. "A escola é a extensão do ambiente familiar, por isso as visões de mundo entre a família e a instituição de ensino devem ser semelhantes", observa. Caso contrário, segundo ela, o jovem pode ficar confuso.

"Se a família é mais liberal e matricula o adolescente em uma escola muito ortodoxa, pode ocorrer um choque por não haver continuidade e coerência nos discursos. O mesmo acontece se o jovem for de uma família muito tradicional e estudar em uma escola mais flexível, reflexiva e humanista", avalia.

A estudante Júlia Freitas Gudwin, de 15 anos, aluna do 1º ano do Ensino Médio da Escola Comunitária de Campinas, afirma que possui a mesma abertura para expor suas opiniões tanto em casa quanto na escola. "Não acho que a Comunitária seja uma escola totalmente liberal, mas também não é super rígida. Podemos dialogar com os professores, temos essa abertura. E eu sempre tive isso na minha casa", diz.

Sobre o ranking do Enem divulgado pelo MEC – que revelou o colégio carioca São Bento, tradicional e conservador, em primeiro lugar -, Júlia afirma não dar importância. "Não ligo para esse tipo de avaliação. Acho que aprender e se dar bem no vestibular depende muito mais do aluno do que da escola. Se você se dedica e leva os estudos a sério, suas chances são maiores mesmo que você frequente em uma escola que não é tão conceituada", conta.

Formação crítica Diferente do campeão do ENEM, o Colégio Equipe, de São Paulo, tem foco na formação crítica dos alunos, e não apenas formal. "Nosso compromisso não é só com a transmissão do saber, mas também na maneira como o aluno se apropria deste saber", explica Luciana Fevorini, diretora do Colégio Equipe.

De acordo com ela, uma das principais propostas da escola é a de promover reflexões sobre o mundo para que o aluno possa compreender a realidade em que vive, tendo sempre opiniões próprias. João Pedro Gammardella Rizzi, de 17 anos, aluno do 3º ano do Equipe, reitera a definição da diretora. "Prefiro uma escola que passa valores e visões de mundo. É claro que há uma preocupação com o vestibular, mas nem por isso os professores sacrificam as reflexões mais aprofundadas sobre o mundo em que vivemos. Desenvolvemos uma postura crítica da realidade e também de nós mesmos", conta    

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