A influência da mídia sobre a sexualidade dos adolescentes

A influência da mídia sobre a sexualidade dos adolescentes

Atualizado: Sexta-feira, 4 Fevereiro de 2011 as 3:09

Já reparou como a mídia vem sendo o principal bode expiatório da sexualidade precoce e de toda a contracultura que vem acompanhando os temas relacionados ao sexo? Semanticamente, mídia quer dizer meio. Ampliamos seu significado para meios de comunicação de massa, ou seja, qualquer veículo que leve informação a um grande número de pessoas. Não apenas rádio, TV, jornal e revista, mas também os out-doors, os baners no metrô, as propagandas na traseira dos ônibus e até aquela folhinha com fotos eróticas que fica pendurada na oficina mecânica. Em tudo há uma informação.E, porque será que, no meio de tanta informação, há tanto sexo? Porque o sexo atrai a atenção? Entre uma foto do presidente em reunião com seu ministério e outra que tenha uma mensagem sensual, num primeiro momento, qual chama mais sua atenção? A notícia do presidente pode ser mais importante para a sociedade como um todo, mas aquela foto… Ah!

O nosso corpo é o meio de comunicação dos mais primitivos. É, sem dúvida, um sistema de comunicação, e comunicação sexual. Em todo momento, emitimos sinais para atrair possíveis parceiros, porque nosso lado biológico se preocupa com a perpetuação da espécie. Para sobreviver, a raça humana precisa dos sinais sexuais que envolvem todos os sentidos: visão, olfato, tato, paladar e audição. Tudo isto excita.

Foi neste lado “animal” que a mídia encontrou um de seus maiores aliados. Na verdade, a mídia já nos estudou, já conhece nossos hábitos. Se nós a vemos, ela nos vê com muito mais assiduidade. Por trás de cada programa ou propaganda há uma legião de profissionais, estudando o melhor ângulo para nos hipnotizar e nos fazer divertir e comprar.

Daí vem a eficiência dos apelos sexuais como estímulo de nossos sentidos para o consumo. As imagens, os sons, as informações que percorrem nosso cérebro são estímulos que atingem nossos centros de prazer sexual. As regiões de prazer sexual estão exatamente na parte de resposta rápida do cérebro. Assim, incitar ao sexo estimula áreas de recompensa e felicidade, uma maneira rápida e eficiente de chamar a atenção de qualquer um.

Porque a mídia voltada para o adolescente transpira mais sexo que outra coisa? Na adolescência ocorrem grandes mudanças físicas e emocionais. É quando os hormônios sexuais entram em “ebulição”; é quando há o despertar para a atração sexual; é quando a exploração do corpo mobiliza muito interesse; é quando começamos a reconhecer os tais sinais sexuais. Sabendo deste grande interesse, quem não usaria o sexo para influenciar o consumo de informações ou produtos?

O problema é quando a mídia se aproveita deste momento para estimular seu público na busca alucinada e inconseqüente dos prazeres imediatos. É nesta hora que se constrói o mito que diz que uma imagem que me impressiona é verdadeira, aceitável e desejável. E nesta embarcamos em cada uma!

Por outro lado, os adolescentes não são pobres espectadores, idiotas manipulados pela mídia. A influência da mídia é maior ou menor conquanto eles tenham outros modelos reforçadores de valores como a escola, a família, ou o ambiente onde vivem. Não são meros robôs. Há sempre um grupo que pensa, estratégia e enxerga além das mensagens que lhes são passadas.

Se nós temos uma parcela de responsabilidade sobre o que a mídia nos transmite, e a nossos jovens e adolescentes, o mais sensato seria começar retirando-a da posição de bode expiatório e prosseguir exercitando a visão crítica em relação às informações e mensagens transmitidas por ela. Só assim poderemos mudá-la. “Espera-se, apenas, torná-la mais congruente com as informações e com os valores que nos acrescentam algo positivo. Precisamos aprender a criar novas relações, novos significados para o que vemos, ouvimos e sentimos.

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