A última fábrica de pinball do mundo ainda tem fichas

A última fábrica de pinball do mundo ainda tem fichas

Atualizado: Segunda-feira, 23 Maio de 2011 as 10:18

Já faz mais de uma década que a Stern defende sozinha o território dos pinballs. O destino de solidão foi rascunhado em 1999: naquele ano, a Williams Manufacturing Company, então uma das remanescentes desse segmento, decidiu concentrar sua área de entretenimento na WMS Gaming, fabricante de caça-níqueis e divertimentos do gênero. Também em 1999, a Sega, fabricante de jogos eletrônicos - como o Sonic, um de seus maiores sucessos e mascote da empresa desde 1991 - seguiu a decisão da concorrente e se desfez da linha de produção de pinballs.

Seria o fim se Gary Stern não tivesse aparecido. Filho de Samuel Stern, um profissional que se dedicou à indústria do pinball por 50 anos - e que presidiu a Williams Manufacturing -, Gary comprou da Sega a área que a empresa queria fechar. A transação não apenas garantiu a sobrevivência de um segmento inteiro da economia como reatou criatura e criador: a divisão de pinballs da Sega tinha sido comprada por ela em 1994 - e ela, então sob o nome de Data East, pertencia a Gary na época.

É de se supor que, com a concorrência de um PlayStation, um Xbox, um Wii, a vida da Stern não seja exatamente fácil. Um jogo grande, pesado e imutável, com sua bola de prata que roda pelo tabuleiro para saltar rampas, fugir de buracos, acender luzes e espocar plips e tóins, pode ter pouco apelo a quem já se habituou a jogos "baixáveis" na internet ou intercambiáveis em CDs e discos de Blu-ray. Mas um capitalista não estaria há 12 anos se mantendo no mercado apenas para não deixar morrer sua paixão de infância.

Já vão longe os dias em que a Stern produzia 27 mil máquinas por ano, mas o número atual, de dez mil unidades, está estabilizado há pelo menos seis anos. E a companhia, localizada nas cercanias de Chicago, nos Estados Unidos - uma espécie de "Vale do Silício" da indústria do pinball até a década de 1990 -, ampliou seu time de profissionais com contratações de designers, programadores e operários para a montagem.

"Sempre haverá demanda pelo pinball", diz Gary Stern, em mensagem ao iG. "A relevância do jogo vai depender muito de nós e de nossa equipe, um time de apaixonados pelo pinball". A demanda pelo jogo tem crescido desde o ano passado, afirma, e espera-se, quem diria, um bom crescimento até 2012.

Cada máquina construída pela Stern tem 3,5 mil peças e leva 32 horas para ficar pronta. As unidades-padrão saem por US$ 5 mil (em torno de R$ 8 mil) e as edições limitadas custam quase US$ 7 mil. Nos Estados Unidos, o grosso das vendas é para clientes que desejam ter seu próprio pinball em casa, mas no exterior ainda é significativo o volume das vendas para bares e casas de fliperama. As exportações incluem destinos como Reino Unido, Espanha, Itália, França, Alemanha, Áustria, China e Austrália. "E, de vez em quando também o Brasil", informa a empresa.

Gary Stern, não só um veterano da indústria do pinball como, hoje, o único empreendedor a empunhar essa bandeira no mundo, prefere crer que sua indústria não depende exclusivamente de uma onda de saudosismo ou de um fugaz modismo retrô. Evidência disso é seu jogo favorito: "o que está hoje em produção". Nada de olhar para o passado, ainda que o auge de toda a indústria só possa ser enxergado pelo retrovisor.

Por: Patrick Cruz

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