Adolescente que dorme mais vai melhor na escola, diz estudo

Adolescente que dorme mais vai melhor na escola, diz estudo

Atualizado: Quarta-feira, 14 Julho de 2010 as 10:35

Uma nova pesquisa demonstrou que alunos do Ensino Médio de uma escola particular do estado norte-americano de Rhode Island que retardaram o início das aulas matinais por meia hora se mostraram mais alertas, menos deprimidos, mais animados e mais propensos a frequentar a escola do que antes da mudança de horário.

Na verdade, o experimento obteve tanto sucesso que a escola mudou permanentemente o horário de início das aulas, das 8:00 para as 8:30 da manhã. "No final do período experimental, nenhum professor, aluno ou funcionário da administração queria voltar ao horário antigo", disse a Dra Judith Owens, principal autora de um estudo publicado na edição de julho da revista especializada Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine.

"Não tenho como explicar o quanto as manhas ficaram mais prazerosas na minha casa", completou Owens, cuja filha participou do experimento e acabou de se formar na mesma escola. "Muitos dos membros do corpo docente disseram o mesmo: que com o experimento eles tiveram uma melhora na qualidade de vida e também perceberam que os alunos estavam mais descansados e mais dispostos para começar o dia".

O estudo reforça as evidências de que os adolescentes têm necessidades especiais de sono. "Especialistas em medicina do sono há muito tempo sabem que começar o horário escolar mais tarde ajuda os adolescentes a dormirem melhor", disse a Dra Heidi V. Connolly, chefe da divisão de medicina do sono pediátrica do University of Rochester Medical Center em New York. "Os adolescentes são biologicamente programados para preferir ir para cama mais tarde e também levantar-se mais tarde, por isso não é nenhuma surpresa que começar as aulas logo cedo seja um esforço para eles".

O ritmo circadiano dos adolescentes realmente sofre uma mudança durante a puberdade. "O resultado disso é que os adolescentes não conseguem dormir cedo como faziam quando estavam no primário. A mudança pode chegar a até duas horas nos ciclos de sono e vigília", Owens explica.

Mas, mesmo indo para a cama mais tarde, eles ainda precisam da mesma quantidade de sono, fazendo com que a privação de sono "seja um fator crescente dentre adolescentes americanos", diz Connolly.

Owens foi procurada pela St. Georges School, da cidade de Middletown, para conduzir uma pesquisa sobre o início das aulas mais tarde. "No inicio, houve muita resistência por parte dos professores, da administração e dos treinadores esportivos, que pensavam que meia hora não faria muita diferença e que poderia prejudicar os horários das atividades", disse Owens. Mesmo assim, eles concordaram em fazer uma tentativa na antiga escola.

Cerca de 200 alunos do colegial responderam questionários sobre hábitos de sono, aplicados antes e depois da mudança de horário. Os pesquisadores também computaram atrasos e consultas no centro médico da escola. Depois da mudança de horário, os alunos foram dormir em média 18 minutos mais tarde e dormiram em média 45 minutos a mais.

A proporção de alunos que conseguiram ter pelo menos oito horas de sono subiu de 16,4% para 54,7%, enquanto que aqueles que dormiram menos de sete horas por noite caiu quase 80%.

Foi observada uma melhora também em outros parâmetros. "Houve uma significante mudança positiva em praticamente tudo o que observamos – desde a quantidade de sono, a sonolência diurna, o ânimo e os sintomas de depressão até o interesse e a motivação para participar em atividades atléticas e acadêmicas", constatou Owens.

Segundo dados de um diário de acompanhamento de estudo, pesquisas nesta área tiveram inicio13 anos atrás no estado de Minnesota, o que resultou na mudança de horário de início das aulas nas escolas públicas de Minneapolis - que passou para as 8:40 no colegial e 9:10 no nível secundário.

Mas, segundo escreveu a jornalista Kyla Wahstrom, da Universidade de Minnesota, há ainda muita resistência à idéia, com alguns superintendentes de escolas que acabam perdendo o emprego depois de apoiar a mudança de horário.

E mesmo com essas novas evidências, ainda não é claro se tais mudanças funcionariam em todas as escolas ou ainda se as marcantes melhorias observadas iriam durar.

"Pode ser que os adolescentes simplesmente estavam indo pra cama no mesmo horário e conseguiram dormir 30 minutos a mais, o que foi benéfico", disse o Dr Lawrence Friedman, diretor do programa de medicina adolescente da University of Miami Miller School of Medicine. "Mas, será que os adolescentes não interpretariam que o início das aulas mais tarde seria a possibilidade de ficar mais meia hora de pé? Neste caso, todo o benefício seria perdido".

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