Adolescentes e empresas brasileiras transformam videogame em profissão

Adolescentes e empresas brasileiras transformam videogame em profissão

Atualizado: Terça-feira, 28 Setembro de 2010 as 1:20

Você passa metade do dia jogando Super Mario Galaxy 2 no videogame, e a outra jogando Ragnarok no computador? Se respondeu que sim, claro que isso não é bom, mas a notícia positiva é que jogar videogame também pode ajudá-lo a"ser alguém na vida", trabalhar em uma empresa bacana e ter um cargo legal. Afinal, games não se criam e se distribuem sozinhos. Há empresas que cuidam de cada etapa de produção dos jogos e fazem parte de um mercado que movimenta 60 bilhões de dólares por ano. Nelas, algumas profissões podem exigir que você faça coisas divertidas como jogar todos os dias para opinar sobre o design ou o grau de dificuldade do game – como acontece com Luciana Fávero, de 22 anos.

Ela estuda Midialogia na Unicamp (em Campinas, SP) e trabalha na Zeebo Interactive Studios, que desenvolve jogos para o videogame Zeebo. Na empresa, Luciana trabalha fazendo aquilo que a maioria das pessoas faz por diversão e nas horas vagas: ela testa games. A opinião da estudante sobre cada jogo é ouvida com atenção por quem trabalha com isso, e com base no que ela e outros profissionais relatam após jogar, ele pode ser lançado em seguida ou aprimorado."Vejo se o jogo está bem balanceado, se os textos estão certos... Alguns conceitos são meio relativos, como o quão divertido ele é, e aí, uso meu 'feeling' para avaliar". Para ela, um jogo ruim é aquele que tem traduções ruins, é difícil de controlar e a trilha sonora não combina.

Pode parecer o trabalho dos sonhos, só que, infelizmente, no Brasil, ainda há poucas oportunidades nessa área, já que boa parte dos jogos vem de fora. Mas, justamente por isso, empresas responsáveis por trazê-los para o público brasileiro também são uma boa opção para quem quer entrar no mercado de games. Fabrício Santos é gerente de Grupo de Produtos da Level Up!, que distribui no Brasil jogos como Ragnarok, Grand Chase e Combat Arms."Na minha área, a gente trabalha com a operação dos jogos. Acompanhamos tudo o que está acontecendo, todas as novidades de cada jogo, tanto em relação a conteúdos quanto a produtos", explica."Coletamos as informações com os desenvolvedores de outros países, como Coréia, Rússia e China, passamos para as equipes de marketing e de vendas e, depois que a novidade é lançada, acompanhamos as redes sociais para saber o que o pessoal está comentando, quais as reclamações, os elogios e as tendências dentro do jogo".

Para que a empresa invista na distribuição de um jogo no Brasil, ela também tem que testá-lo, e esse trabalho é feito pela equipe de Fabrício."Avaliamos o conteúdo, o visual e a parte técnica", conta."O jogo tem que ser leve. Não dá pra trazer um super jogo, mas que não vai rodar em nenhum computador brasileiro. Aí tem a parte operacional, que é ver qual suporte o desenvolvedor presta, quais informações ele passa para que a gente consiga solucionar problemas de jogadores e se há previsão de conteúdo novo mais para frente".

O salário de quem trabalha na área de Produtos costuma começar em R$ 1.500 e pode chegar a R$ 4.000, dependendo do cargo. Não há uma formação específica, mas ter feito um curso na área de humanas pode contar alguns pontos."Para a minha área nós procuramos gente com formação como Letras, Administração, Jornalismo, Publicidade e Propaganda... Tem gente que acha que tem que fazer Design de Jogos, mas na verdade não", desmitifica Fabrício."Esses cursos de design formam o cara que desenvolve os jogos, mas poucos trabalham nessa parte de publicá-los. É como um livro: uma coisa é você escrever, outra é saber como divulgá-lo e atingir o público".

Resolvendo problemas

Depois de testados, analisados e divulgados, os jogos ganham milhares de adeptos. Mas, quando esses jogadores notam alguma falha ou têm algum tipo de problema, recorrem a uma outra equipe, que passa o dia desempenhando a bondosa função de solucionar esses probleminhas. Como o pessoal do departamento Game Expert, que atende aquelas pessoas que tiveram itens deletados por outros jogadores, que perderam alguma coisa injustamente (tipo, uma estrelinha de bônus) e toda a sorte de problemas que se pode ter dentro de um jogo. Para fazer esse trabalho, eles ganham de R$ 800 a R$ 1.500 por mês.

Ticiane Pigliucci, de 19 anos, está no último ano de Design Gráfico e trabalha como Game Expert há um ano. Ela entrou na Level Up! por indicação de um amigo e conta que o trabalho é tranquilo, mas, de vez em quando, tem jogador que abusa."Às vezes eles xingam um pouco, porque são meio impacientes...".

Quem tem histórias memoráveis é o chefe de Ticiane, Antonio Batistela, que coordena a área de GE. Ele lembra que, uma vez, um garoto que jogava Grand Chase perdeu todos os seus itens e começou a ligar para a empresa pedindo ajuda para tê-los de volta. Depois de muitos contatos, quem ligou para a Level Up! foi a mãe do garoto, querendo saber o motivo de tantas conversas. Os funcionários explicaram que ele teve os itens deletados por um amigo e que, como já foram devolvidos uma vez, o jogador não podia recebê-los de volta novamente – e a reação da mãe foi a mais inesperada."Ela ficou muito brava com ele, largou o telefone fora do gancho e o menino ficou apanhando. Aí ela voltou à ligação e pediu desculpas", lembra."Parece que o menino usava o dinheiro do lanche da escola para comprar itens do jogo".

Tem que estudar

Você pode usar todas essas histórias para convencer sua mãe de que seu investimento de tempo e mesada nos games não é em vão, mas em um ponto é preciso dar o braço a torcer: em algum momento do dia você vai ter que largar o controle (ou o teclado) para pegar nos cadernos e apostilas. Para se dar bem nessa área, estudo é fundamental."A gente tem funcionários que não têm uma formação acadêmica tão boa e cresceram, mas são exceções e tiveram muito mais trabalho do que teriam se tivessem estudado algo relacionado à área", explica Julio Cesar Vieitez, diretor geral da Level Up!. Não há uma faculdade específica para quem quer trabalhar com isso, mas Administração e Marketing são cursos que ajudam muito esses profissionais.

Júlio também conta que inglês fluente é super relevante, e dá a dica mais importante: não é porque o trabalho é na área de entretenimento que ele não deve ser levado a sério, como qualquer profissão."Você tem que fazer coisas que talvez não faria se olhasse apenas para seu gosto e opinião pessoal. Também tem que se informar sobre o mercado, correr atrás...", explica. E justamente por não haver um curso específico para o mercado de games, é preciso ser um pouco autodidata e, além de fazer uma boa faculdade, estudar por conta própria.

Outro conselho é agarrar as oportunidades e não ficar esperando o emprego perfeito cair no seu colo."Às vezes, você começa em um emprego que não é a vaga dos seus sonhos, mas é importante para aprender, para observar. Eu comecei revisando manual de Mega Drive", conta o diretor.

Além disso, mesmo que seu trabalho seja divertido e adorado e sua função seja levar entretenimento para outras pessoas, é bom saber que você vai trabalhar bastante. Em dia de lançamento de game, o Fabrício, da área de Produtos, chega à empresa às 5 da manhã e vai embora às 9 da noite. Um beijo para a vida pessoal, né?

Produção de games

Todas essas opções são bem bacanas, mas se o seu negócio é desenvolver aqueles jogos que vão bombar muito nas redes sociais, vá atrás disso. Embora poucos jogos sejam produzidos comercialmente no Brasil, essa é uma área que está se desenvolvendo."O mercado de produção de games está crescendo bastante. Não na velocidade que a gente gostaria, mas há novos estudos e empresas americanas chegando ao Brasil", conta Rogério Felix, coordenador do curso de desenvolvimento de jogos Playgame, da escola Saga."O profissional que estuda com certeza tem lugar no mercado".

De acordo com a Associação Brasileira de Desenvolvedores de Jogos Eletrônicos, o salário médio mais alto do mercado de games é o dos profissionais de produção, que foi calculado em R$ 3.500 reais no ano de 2008. E, no mesmo ano, 42 empresas produziam softwares para games.

Quem aposta nessa área é Ricardo Sobrinho, estudante do 3º ano do Ensino Médio, de 17 anos. Ele faz curso de desenvolvimento de games e já desenvolveu, junto com alguns amigos, o jogo"Phobia"."Desenvolvi o cenário do jogo. Gosto dessa parte porque ela permite criar seu mundo e suas regras", conta."Outra área que me interessa é a do roteiro, porque é ela que possibilita criar os personagens".

No curso, Ricardo aprende a desenhar, fazer esculturas, transformar os desenhos e esculturas em 3D, fazer pintura digital, escultura digital e a montar tudo isso em um jogo, criando cenários e personagens. Com esses conhecimentos, o estudante pretende trabalhar na Nintendo ou na Blizzard Entertainment, mas só por algum tempo."Gostaria de montar minha empresa".

Você passa metade do dia jogando Super Mario Galaxy 2 no videogame, e a outra jogando Ragnarok no computador? Se respondeu que sim, claro que isso não é bom, mas a notícia positiva é que jogar videogame também pode ajudá-lo a"ser alguém na vida", trabalhar em uma empresa bacana e ter um cargo legal. Afinal, games não se criam e se distribuem sozinhos. Há empresas que cuidam de cada etapa de produção dos jogos e fazem parte de um mercado que movimenta 60 bilhões de dólares por ano. Nelas, algumas profissões podem exigir que você faça coisas divertidas como jogar todos os dias para opinar sobre o design ou o grau de dificuldade do game – como acontece com Luciana Fávero, de 22 anos.

Ela estuda Midialogia na Unicamp (em Campinas, SP) e trabalha na Zeebo Interactive Studios, que desenvolve jogos para o videogame Zeebo. Na empresa, Luciana trabalha fazendo aquilo que a maioria das pessoas faz por diversão e nas horas vagas: ela testa games. A opinião da estudante sobre cada jogo é ouvida com atenção por quem trabalha com isso, e com base no que ela e outros profissionais relatam após jogar, ele pode ser lançado em seguida ou aprimorado."Vejo se o jogo está bem balanceado, se os textos estão certos... Alguns conceitos são meio relativos, como o quão divertido ele é, e aí, uso meu 'feeling' para avaliar". Para ela, um jogo ruim é aquele que tem traduções ruins, é difícil de controlar e a trilha sonora não combina.

Pode parecer o trabalho dos sonhos, só que, infelizmente, no Brasil, ainda há poucas oportunidades nessa área, já que boa parte dos jogos vem de fora. Mas, justamente por isso, empresas responsáveis por trazê-los para o público brasileiro também são uma boa opção para quem quer entrar no mercado de games. Fabrício Santos é gerente de Grupo de Produtos da Level Up!, que distribui no Brasil jogos como Ragnarok, Grand Chase e Combat Arms."Na minha área, a gente trabalha com a operação dos jogos. Acompanhamos tudo o que está acontecendo, todas as novidades de cada jogo, tanto em relação a conteúdos quanto a produtos", explica."Coletamos as informações com os desenvolvedores de outros países, como Coréia, Rússia e China, passamos para as equipes de marketing e de vendas e, depois que a novidade é lançada, acompanhamos as redes sociais para saber o que o pessoal está comentando, quais as reclamações, os elogios e as tendências dentro do jogo".

Para que a empresa invista na distribuição de um jogo no Brasil, ela também tem que testá-lo, e esse trabalho é feito pela equipe de Fabrício."Avaliamos o conteúdo, o visual e a parte técnica", conta."O jogo tem que ser leve. Não dá pra trazer um super jogo, mas que não vai rodar em nenhum computador brasileiro. Aí tem a parte operacional, que é ver qual suporte o desenvolvedor presta, quais informações ele passa para que a gente consiga solucionar problemas de jogadores e se há previsão de conteúdo novo mais para frente".

O salário de quem trabalha na área de Produtos costuma começar em R$ 1.500 e pode chegar a R$ 4.000, dependendo do cargo. Não há uma formação específica, mas ter feito um curso na área de humanas pode contar alguns pontos."Para a minha área nós procuramos gente com formação como Letras, Administração, Jornalismo, Publicidade e Propaganda... Tem gente que acha que tem que fazer Design de Jogos, mas na verdade não", desmitifica Fabrício."Esses cursos de design formam o cara que desenvolve os jogos, mas poucos trabalham nessa parte de publicá-los. É como um livro: uma coisa é você escrever, outra é saber como divulgá-lo e atingir o público".

Resolvendo problemas

Depois de testados, analisados e divulgados, os jogos ganham milhares de adeptos. Mas, quando esses jogadores notam alguma falha ou têm algum tipo de problema, recorrem a uma outra equipe, que passa o dia desempenhando a bondosa função de solucionar esses probleminhas. Como o pessoal do departamento Game Expert, que atende aquelas pessoas que tiveram itens deletados por outros jogadores, que perderam alguma coisa injustamente (tipo, uma estrelinha de bônus) e toda a sorte de problemas que se pode ter dentro de um jogo. Para fazer esse trabalho, eles ganham de R$ 800 a R$ 1.500 por mês.

Ticiane Pigliucci, de 19 anos, está no último ano de Design Gráfico e trabalha como Game Expert há um ano. Ela entrou na Level Up! por indicação de um amigo e conta que o trabalho é tranquilo, mas, de vez em quando, tem jogador que abusa."Às vezes eles xingam um pouco, porque são meio impacientes...".

Quem tem histórias memoráveis é o chefe de Ticiane, Antonio Batistela, que coordena a área de GE. Ele lembra que, uma vez, um garoto que jogava Grand Chase perdeu todos os seus itens e começou a ligar para a empresa pedindo ajuda para tê-los de volta. Depois de muitos contatos, quem ligou para a Level Up! foi a mãe do garoto, querendo saber o motivo de tantas conversas. Os funcionários explicaram que ele teve os itens deletados por um amigo e que, como já foram devolvidos uma vez, o jogador não podia recebê-los de volta novamente – e a reação da mãe foi a mais inesperada."Ela ficou muito brava com ele, largou o telefone fora do gancho e o menino ficou apanhando. Aí ela voltou à ligação e pediu desculpas", lembra."Parece que o menino usava o dinheiro do lanche da escola para comprar itens do jogo".

Tem que estudar

Você pode usar todas essas histórias para convencer sua mãe de que seu investimento de tempo e mesada nos games não é em vão, mas em um ponto é preciso dar o braço a torcer: em algum momento do dia você vai ter que largar o controle (ou o teclado) para pegar nos cadernos e apostilas. Para se dar bem nessa área, estudo é fundamental."A gente tem funcionários que não têm uma formação acadêmica tão boa e cresceram, mas são exceções e tiveram muito mais trabalho do que teriam se tivessem estudado algo relacionado à área", explica Julio Cesar Vieitez, diretor geral da Level Up!. Não há uma faculdade específica para quem quer trabalhar com isso, mas Administração e Marketing são cursos que ajudam muito esses profissionais.

Júlio também conta que inglês fluente é super relevante, e dá a dica mais importante: não é porque o trabalho é na área de entretenimento que ele não deve ser levado a sério, como qualquer profissão."Você tem que fazer coisas que talvez não faria se olhasse apenas para seu gosto e opinião pessoal. Também tem que se informar sobre o mercado, correr atrás...", explica. E justamente por não haver um curso específico para o mercado de games, é preciso ser um pouco autodidata e, além de fazer uma boa faculdade, estudar por conta própria.

Outro conselho é agarrar as oportunidades e não ficar esperando o emprego perfeito cair no seu colo."Às vezes, você começa em um emprego que não é a vaga dos seus sonhos, mas é importante para aprender, para observar. Eu comecei revisando manual de Mega Drive", conta o diretor.

Além disso, mesmo que seu trabalho seja divertido e adorado e sua função seja levar entretenimento para outras pessoas, é bom saber que você vai trabalhar bastante. Em dia de lançamento de game, o Fabrício, da área de Produtos, chega à empresa às 5 da manhã e vai embora às 9 da noite. Um beijo para a vida pessoal, né?

Produção de games

Todas essas opções são bem bacanas, mas se o seu negócio é desenvolver aqueles jogos que vão bombar muito nas redes sociais, vá atrás disso. Embora poucos jogos sejam produzidos comercialmente no Brasil, essa é uma área que está se desenvolvendo."O mercado de produção de games está crescendo bastante. Não na velocidade que a gente gostaria, mas há novos estudos e empresas americanas chegando ao Brasil", conta Rogério Felix, coordenador do curso de desenvolvimento de jogos Playgame, da escola Saga."O profissional que estuda com certeza tem lugar no mercado".

De acordo com a Associação Brasileira de Desenvolvedores de Jogos Eletrônicos, o salário médio mais alto do mercado de games é o dos profissionais de produção, que foi calculado em R$ 3.500 reais no ano de 2008. E, no mesmo ano, 42 empresas produziam softwares para games.

Quem aposta nessa área é Ricardo Sobrinho, estudante do 3º ano do Ensino Médio, de 17 anos. Ele faz curso de desenvolvimento de games e já desenvolveu, junto com alguns amigos, o jogo"Phobia"."Desenvolvi o cenário do jogo. Gosto dessa parte porque ela permite criar seu mundo e suas regras", conta."Outra área que me interessa é a do roteiro, porque é ela que possibilita criar os personagens".

No curso, Ricardo aprende a desenhar, fazer esculturas, transformar os desenhos e esculturas em 3D, fazer pintura digital, escultura digital e a montar tudo isso em um jogo, criando cenários e personagens. Com esses conhecimentos, o estudante pretende trabalhar na Nintendo ou na Blizzard Entertainment, mas só por algum tempo."Gostaria de montar minha empresa".

Você passa metade do dia jogando Super Mario Galaxy 2 no videogame, e a outra jogando Ragnarok no computador? Se respondeu que sim, claro que isso não é bom, mas a notícia positiva é que jogar videogame também pode ajudá-lo a"ser alguém na vida", trabalhar em uma empresa bacana e ter um cargo legal. Afinal, games não se criam e se distribuem sozinhos. Há empresas que cuidam de cada etapa de produção dos jogos e fazem parte de um mercado que movimenta 60 bilhões de dólares por ano. Nelas, algumas profissões podem exigir que você faça coisas divertidas como jogar todos os dias para opinar sobre o design ou o grau de dificuldade do game – como acontece com Luciana Fávero, de 22 anos.

Ela estuda Midialogia na Unicamp (em Campinas, SP) e trabalha na Zeebo Interactive Studios, que desenvolve jogos para o videogame Zeebo. Na empresa, Luciana trabalha fazendo aquilo que a maioria das pessoas faz por diversão e nas horas vagas: ela testa games. A opinião da estudante sobre cada jogo é ouvida com atenção por quem trabalha com isso, e com base no que ela e outros profissionais relatam após jogar, ele pode ser lançado em seguida ou aprimorado."Vejo se o jogo está bem balanceado, se os textos estão certos... Alguns conceitos são meio relativos, como o quão divertido ele é, e aí, uso meu 'feeling' para avaliar". Para ela, um jogo ruim é aquele que tem traduções ruins, é difícil de controlar e a trilha sonora não combina.

Pode parecer o trabalho dos sonhos, só que, infelizmente, no Brasil, ainda há poucas oportunidades nessa área, já que boa parte dos jogos vem de fora. Mas, justamente por isso, empresas responsáveis por trazê-los para o público brasileiro também são uma boa opção para quem quer entrar no mercado de games. Fabrício Santos é gerente de Grupo de Produtos da Level Up!, que distribui no Brasil jogos como Ragnarok, Grand Chase e Combat Arms."Na minha área, a gente trabalha com a operação dos jogos. Acompanhamos tudo o que está acontecendo, todas as novidades de cada jogo, tanto em relação a conteúdos quanto a produtos", explica."Coletamos as informações com os desenvolvedores de outros países, como Coréia, Rússia e China, passamos para as equipes de marketing e de vendas e, depois que a novidade é lançada, acompanhamos as redes sociais para saber o que o pessoal está comentando, quais as reclamações, os elogios e as tendências dentro do jogo".

Para que a empresa invista na distribuição de um jogo no Brasil, ela também tem que testá-lo, e esse trabalho é feito pela equipe de Fabrício."Avaliamos o conteúdo, o visual e a parte técnica", conta."O jogo tem que ser leve. Não dá pra trazer um super jogo, mas que não vai rodar em nenhum computador brasileiro. Aí tem a parte operacional, que é ver qual suporte o desenvolvedor presta, quais informações ele passa para que a gente consiga solucionar problemas de jogadores e se há previsão de conteúdo novo mais para frente".

O salário de quem trabalha na área de Produtos costuma começar em R$ 1.500 e pode chegar a R$ 4.000, dependendo do cargo. Não há uma formação específica, mas ter feito um curso na área de humanas pode contar alguns pontos."Para a minha área nós procuramos gente com formação como Letras, Administração, Jornalismo, Publicidade e Propaganda... Tem gente que acha que tem que fazer Design de Jogos, mas na verdade não", desmitifica Fabrício."Esses cursos de design formam o cara que desenvolve os jogos, mas poucos trabalham nessa parte de publicá-los. É como um livro: uma coisa é você escrever, outra é saber como divulgá-lo e atingir o público".

Resolvendo problemas

Depois de testados, analisados e divulgados, os jogos ganham milhares de adeptos. Mas, quando esses jogadores notam alguma falha ou têm algum tipo de problema, recorrem a uma outra equipe, que passa o dia desempenhando a bondosa função de solucionar esses probleminhas. Como o pessoal do departamento Game Expert, que atende aquelas pessoas que tiveram itens deletados por outros jogadores, que perderam alguma coisa injustamente (tipo, uma estrelinha de bônus) e toda a sorte de problemas que se pode ter dentro de um jogo. Para fazer esse trabalho, eles ganham de R$ 800 a R$ 1.500 por mês.

Ticiane Pigliucci, de 19 anos, está no último ano de Design Gráfico e trabalha como Game Expert há um ano. Ela entrou na Level Up! por indicação de um amigo e conta que o trabalho é tranquilo, mas, de vez em quando, tem jogador que abusa."Às vezes eles xingam um pouco, porque são meio impacientes...".

Quem tem histórias memoráveis é o chefe de Ticiane, Antonio Batistela, que coordena a área de GE. Ele lembra que, uma vez, um garoto que jogava Grand Chase perdeu todos os seus itens e começou a ligar para a empresa pedindo ajuda para tê-los de volta. Depois de muitos contatos, quem ligou para a Level Up! foi a mãe do garoto, querendo saber o motivo de tantas conversas. Os funcionários explicaram que ele teve os itens deletados por um amigo e que, como já foram devolvidos uma vez, o jogador não podia recebê-los de volta novamente – e a reação da mãe foi a mais inesperada."Ela ficou muito brava com ele, largou o telefone fora do gancho e o menino ficou apanhando. Aí ela voltou à ligação e pediu desculpas", lembra."Parece que o menino usava o dinheiro do lanche da escola para comprar itens do jogo".

Tem que estudar

Você pode usar todas essas histórias para convencer sua mãe de que seu investimento de tempo e mesada nos games não é em vão, mas em um ponto é preciso dar o braço a torcer: em algum momento do dia você vai ter que largar o controle (ou o teclado) para pegar nos cadernos e apostilas. Para se dar bem nessa área, estudo é fundamental."A gente tem funcionários que não têm uma formação acadêmica tão boa e cresceram, mas são exceções e tiveram muito mais trabalho do que teriam se tivessem estudado algo relacionado à área", explica Julio Cesar Vieitez, diretor geral da Level Up!. Não há uma faculdade específica para quem quer trabalhar com isso, mas Administração e Marketing são cursos que ajudam muito esses profissionais.

Júlio também conta que inglês fluente é super relevante, e dá a dica mais importante: não é porque o trabalho é na área de entretenimento que ele não deve ser levado a sério, como qualquer profissão."Você tem que fazer coisas que talvez não faria se olhasse apenas para seu gosto e opinião pessoal. Também tem que se informar sobre o mercado, correr atrás...", explica. E justamente por não haver um curso específico para o mercado de games, é preciso ser um pouco autodidata e, além de fazer uma boa faculdade, estudar por conta própria.

Outro conselho é agarrar as oportunidades e não ficar esperando o emprego perfeito cair no seu colo."Às vezes, você começa em um emprego que não é a vaga dos seus sonhos, mas é importante para aprender, para observar. Eu comecei revisando manual de Mega Drive", conta o diretor.

Além disso, mesmo que seu trabalho seja divertido e adorado e sua função seja levar entretenimento para outras pessoas, é bom saber que você vai trabalhar bastante. Em dia de lançamento de game, o Fabrício, da área de Produtos, chega à empresa às 5 da manhã e vai embora às 9 da noite. Um beijo para a vida pessoal, né?

Produção de games

Todas essas opções são bem bacanas, mas se o seu negócio é desenvolver aqueles jogos que vão bombar muito nas redes sociais, vá atrás disso. Embora poucos jogos sejam produzidos comercialmente no Brasil, essa é uma área que está se desenvolvendo."O mercado de produção de games está crescendo bastante. Não na velocidade que a gente gostaria, mas há novos estudos e empresas americanas chegando ao Brasil", conta Rogério Felix, coordenador do curso de desenvolvimento de jogos Playgame, da escola Saga."O profissional que estuda com certeza tem lugar no mercado".

De acordo com a Associação Brasileira de Desenvolvedores de Jogos Eletrônicos, o salário médio mais alto do mercado de games é o dos profissionais de produção, que foi calculado em R$ 3.500 reais no ano de 2008. E, no mesmo ano, 42 empresas produziam softwares para games.

Quem aposta nessa área é Ricardo Sobrinho, estudante do 3º ano do Ensino Médio, de 17 anos. Ele faz curso de desenvolvimento de games e já desenvolveu, junto com alguns amigos, o jogo"Phobia"."Desenvolvi o cenário do jogo. Gosto dessa parte porque ela permite criar seu mundo e suas regras", conta."Outra área que me interessa é a do roteiro, porque é ela que possibilita criar os personagens".

No curso, Ricardo aprende a desenhar, fazer esculturas, transformar os desenhos e esculturas em 3D, fazer pintura digital, escultura digital e a montar tudo isso em um jogo, criando cenários e personagens. Com esses conhecimentos, o estudante pretende trabalhar na Nintendo ou na Blizzard Entertainment, mas só por algum tempo."Gostaria de montar minha empresa".

Você passa metade do dia jogando Super Mario Galaxy 2 no videogame, e a outra jogando Ragnarok no computador? Se respondeu que sim, claro que isso não é bom, mas a notícia positiva é que jogar videogame também pode ajudá-lo a"ser alguém na vida", trabalhar em uma empresa bacana e ter um cargo legal. Afinal, games não se criam e se distribuem sozinhos. Há empresas que cuidam de cada etapa de produção dos jogos e fazem parte de um mercado que movimenta 60 bilhões de dólares por ano. Nelas, algumas profissões podem exigir que você faça coisas divertidas como jogar todos os dias para opinar sobre o design ou o grau de dificuldade do game – como acontece com Luciana Fávero, de 22 anos.

Ela estuda Midialogia na Unicamp (em Campinas, SP) e trabalha na Zeebo Interactive Studios, que desenvolve jogos para o videogame Zeebo. Na empresa, Luciana trabalha fazendo aquilo que a maioria das pessoas faz por diversão e nas horas vagas: ela testa games. A opinião da estudante sobre cada jogo é ouvida com atenção por quem trabalha com isso, e com base no que ela e outros profissionais relatam após jogar, ele pode ser lançado em seguida ou aprimorado."Vejo se o jogo está bem balanceado, se os textos estão certos... Alguns conceitos são meio relativos, como o quão divertido ele é, e aí, uso meu 'feeling' para avaliar". Para ela, um jogo ruim é aquele que tem traduções ruins, é difícil de controlar e a trilha sonora não combina.

Pode parecer o trabalho dos sonhos, só que, infelizmente, no Brasil, ainda há poucas oportunidades nessa área, já que boa parte dos jogos vem de fora. Mas, justamente por isso, empresas responsáveis por trazê-los para o público brasileiro também são uma boa opção para quem quer entrar no mercado de games. Fabrício Santos é gerente de Grupo de Produtos da Level Up!, que distribui no Brasil jogos como Ragnarok, Grand Chase e Combat Arms."Na minha área, a gente trabalha com a operação dos jogos. Acompanhamos tudo o que está acontecendo, todas as novidades de cada jogo, tanto em relação a conteúdos quanto a produtos", explica."Coletamos as informações com os desenvolvedores de outros países, como Coréia, Rússia e China, passamos para as equipes de marketing e de vendas e, depois que a novidade é lançada, acompanhamos as redes sociais para saber o que o pessoal está comentando, quais as reclamações, os elogios e as tendências dentro do jogo".

Para que a empresa invista na distribuição de um jogo no Brasil, ela também tem que testá-lo, e esse trabalho é feito pela equipe de Fabrício."Avaliamos o conteúdo, o visual e a parte técnica", conta."O jogo tem que ser leve. Não dá pra trazer um super jogo, mas que não vai rodar em nenhum computador brasileiro. Aí tem a parte operacional, que é ver qual suporte o desenvolvedor presta, quais informações ele passa para que a gente consiga solucionar problemas de jogadores e se há previsão de conteúdo novo mais para frente".

O salário de quem trabalha na área de Produtos costuma começar em R$ 1.500 e pode chegar a R$ 4.000, dependendo do cargo. Não há uma formação específica, mas ter feito um curso na área de humanas pode contar alguns pontos."Para a minha área nós procuramos gente com formação como Letras, Administração, Jornalismo, Publicidade e Propaganda... Tem gente que acha que tem que fazer Design de Jogos, mas na verdade não", desmitifica Fabrício."Esses cursos de design formam o cara que desenvolve os jogos, mas poucos trabalham nessa parte de publicá-los. É como um livro: uma coisa é você escrever, outra é saber como divulgá-lo e atingir o público".

Resolvendo problemas

Depois de testados, analisados e divulgados, os jogos ganham milhares de adeptos. Mas, quando esses jogadores notam alguma falha ou têm algum tipo de problema, recorrem a uma outra equipe, que passa o dia desempenhando a bondosa função de solucionar esses probleminhas. Como o pessoal do departamento Game Expert, que atende aquelas pessoas que tiveram itens deletados por outros jogadores, que perderam alguma coisa injustamente (tipo, uma estrelinha de bônus) e toda a sorte de problemas que se pode ter dentro de um jogo. Para fazer esse trabalho, eles ganham de R$ 800 a R$ 1.500 por mês.

Ticiane Pigliucci, de 19 anos, está no último ano de Design Gráfico e trabalha como Game Expert há um ano. Ela entrou na Level Up! por indicação de um amigo e conta que o trabalho é tranquilo, mas, de vez em quando, tem jogador que abusa."Às vezes eles xingam um pouco, porque são meio impacientes...".

Quem tem histórias memoráveis é o chefe de Ticiane, Antonio Batistela, que coordena a área de GE. Ele lembra que, uma vez, um garoto que jogava Grand Chase perdeu todos os seus itens e começou a ligar para a empresa pedindo ajuda para tê-los de volta. Depois de muitos contatos, quem ligou para a Level Up! foi a mãe do garoto, querendo saber o motivo de tantas conversas. Os funcionários explicaram que ele teve os itens deletados por um amigo e que, como já foram devolvidos uma vez, o jogador não podia recebê-los de volta novamente – e a reação da mãe foi a mais inesperada."Ela ficou muito brava com ele, largou o telefone fora do gancho e o menino ficou apanhando. Aí ela voltou à ligação e pediu desculpas", lembra."Parece que o menino usava o dinheiro do lanche da escola para comprar itens do jogo".

Tem que estudar

Você pode usar todas essas histórias para convencer sua mãe de que seu investimento de tempo e mesada nos games não é em vão, mas em um ponto é preciso dar o braço a torcer: em algum momento do dia você vai ter que largar o controle (ou o teclado) para pegar nos cadernos e apostilas. Para se dar bem nessa área, estudo é fundamental."A gente tem funcionários que não têm uma formação acadêmica tão boa e cresceram, mas são exceções e tiveram muito mais trabalho do que teriam se tivessem estudado algo relacionado à área", explica Julio Cesar Vieitez, diretor geral da Level Up!. Não há uma faculdade específica para quem quer trabalhar com isso, mas Administração e Marketing são cursos que ajudam muito esses profissionais.

Júlio também conta que inglês fluente é super relevante, e dá a dica mais importante: não é porque o trabalho é na área de entretenimento que ele não deve ser levado a sério, como qualquer profissão."Você tem que fazer coisas que talvez não faria se olhasse apenas para seu gosto e opinião pessoal. Também tem que se informar sobre o mercado, correr atrás...", explica. E justamente por não haver um curso específico para o mercado de games, é preciso ser um pouco autodidata e, além de fazer uma boa faculdade, estudar por conta própria.

Outro conselho é agarrar as oportunidades e não ficar esperando o emprego perfeito cair no seu colo."Às vezes, você começa em um emprego que não é a vaga dos seus sonhos, mas é importante para aprender, para observar. Eu comecei revisando manual de Mega Drive", conta o diretor.

Além disso, mesmo que seu trabalho seja divertido e adorado e sua função seja levar entretenimento para outras pessoas, é bom saber que você vai trabalhar bastante. Em dia de lançamento de game, o Fabrício, da área de Produtos, chega à empresa às 5 da manhã e vai embora às 9 da noite. Um beijo para a vida pessoal, né?

Produção de games

Todas essas opções são bem bacanas, mas se o seu negócio é desenvolver aqueles jogos que vão bombar muito nas redes sociais, vá atrás disso. Embora poucos jogos sejam produzidos comercialmente no Brasil, essa é uma área que está se desenvolvendo."O mercado de produção de games está crescendo bastante. Não na velocidade que a gente gostaria, mas há novos estudos e empresas americanas chegando ao Brasil", conta Rogério Felix, coordenador do curso de desenvolvimento de jogos Playgame, da escola Saga."O profissional que estuda com certeza tem lugar no mercado".

De acordo com a Associação Brasileira de Desenvolvedores de Jogos Eletrônicos, o salário médio mais alto do mercado de games é o dos profissionais de produção, que foi calculado em R$ 3.500 reais no ano de 2008. E, no mesmo ano, 42 empresas produziam softwares para games.

Quem aposta nessa área é Ricardo Sobrinho, estudante do 3º ano do Ensino Médio, de 17 anos. Ele faz curso de desenvolvimento de games e já desenvolveu, junto com alguns amigos, o jogo"Phobia"."Desenvolvi o cenário do jogo. Gosto dessa parte porque ela permite criar seu mundo e suas regras", conta."Outra área que me interessa é a do roteiro, porque é ela que possibilita criar os personagens".

No curso, Ricardo aprende a desenhar, fazer esculturas, transformar os desenhos e esculturas em 3D, fazer pintura digital, escultura digital e a montar tudo isso em um jogo, criando cenários e personagens. Com esses conhecimentos, o estudante pretende trabalhar na Nintendo ou na Blizzard Entertainment, mas só por algum tempo."Gostaria de montar minha empresa".

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