Adolescentes reincidentes em crimes chegam a 80%

Adolescentes reincidentes em crimes chegam a 80%

Atualizado: Segunda-feira, 25 Abril de 2011 as 11:23

Dos 720 registros de adolescentes envolvidos em atos infracionais nos primeiros 3 meses de 2011, 80% sa&s71;o reincidentes. De janeiro a março, a Delegacia Especializada do Adolescente (DEA) recebeu 500 boletins de ocorre&s70;ncia envolvendo menores em crimes como homici&s69;dios, estupro, roubo, tra&s69;fico de drogas e porte ilegal de armas.

A maioria dos casos de reincidência é relacionada a pequenos furtos, posse ou tra&s69;fico de drogas. Pore&s69;m há situações graves de jovens que comentem infrações como assassinatos, tentativas de homici&s69;dios e roubos, como o adolescente W.R.S.F., 17, que em menos de 1 ano foi apreendido 7 vezes, 4 somente este ano. Ele tem passagens por 2 homici&s69;dios, uma tentativa e 4 roubos. Em 2009, W. tambe&s69;m foi flagrado depois de assaltar a mesma fami&s69;lia pela terceira vez em um prazo de 6 meses.

O infrator e&s69; apenas um dos exemplos que lotam o sistema da DEA, entre eles esta&s71;o infratores como M.W.S.R. com 4 passagens este ano, V.S.C., com 3 e B.H.A.N., com 2. Um caso que ganhou repercussa&s71;o em Cuiaba&s69; foi do adolescente de 14 anos que cometeu 2 latroci&s69;nios (roubo seguido de morte), em 5 meses, no bairro Novo Terceiro. A primeira vi&s69;tima foi o salgadeiro Aluizio Chagas dos Santos, 56, morto dentro de casa. A outra trata-se do te&s69;cnico em enfermagem David Magalha&s71;es, 67, morto com um tiro pelas costas quando tambe&s69;m surpreendeu os ladro&s71;es dentro da pro&s69;pria residência.

Embora o foco maior seja em torno dos meninos, as meninas tambe&s69;m aparecem no cena&s69;rio de viole&s70;ncia, como D.T.M.S. que ja&s69; passou 3 vezes pela DEA somente este ano. Para o titular da DEA, delegado Paulo Arau&s69;jo, o alto i&s69;ndice de reincide&s70;ncia esta&s69; focado na desestrutura familiar, na certeza da impunidade e na forma ineficiente como o sistema trata as questo&s71;es de violência relacionadas aos jovens. Ele entende que o atual modelo de reeducação não oportuniza ao infrator a ressocializac&S07;a&s71;o adequada, transformando o Complexo Socioeducativo do Pomeri em "alimentador" da Penitencia&s69;ria Central do Estado (PCE) e do Centro de Ressocializac&S07;a&s71;o de Cuiabá (CRC).

Arau&s69;jo comenta que a maioria dos infratores que vai parar na DEA pertence a fami&s69;lias desestruturadas, normalmente moram somente com a ma&s71;e e uma parcela vive com a avo&s69;, que hoje e&s69; tratada como uma cuidadora, uma espe&s69;cie de baba&s69;, sem receber o respeito existente em outras e&s69;pocas. Antes, os avo&s69;s eram si&s69;mbolos de conhecimento e respeito.

O atual modelo de fami&s69;lia, com as ma&s71;es tendo que trabalhar o dia todo para garantir o sustento dos filhos, termina deixando as crianc&S07;as sozinhas em casa, à mercê de adultos que levam os mais jovensà&s68; criminalidade. A alta incide&s70;ncia de jovens envolvidos em crimes com a presenc&S07;a de adultos mostram a vulnerabilidade que sofrem. Mesmo sem dados estati&s69;sticos, Arau&s69;jo acredita que 80% dos registros contam com a participação de adolescentes. O delegado explica que a DEA trabalha na investigac&S07;a&s71;o do perfil socioecono&s70;mico do adolescente, quando na verdade deveria ter equipes para atuar na apuração das infrações que esses jovens cometem.

Os registros envolvendo jovens sa&s71;o trabalhados pelas equipes dos Centros Integrados de Seguranc&S07;a e Cidadania (Cisc), ficando em pilhas comuns e sem receber a devida atenção.  "Verificamos a necessidade da estruturac&S07;a&s71;o da DEA para investigações gerais dos atos infracionais. Se tive&s69;ssemos equipes para este trabalho, garantiri&s69;amos celeridade".

Araújo comenta ainda que investigac&S07;o&s71;es feitas pela delegacia permitiriam a identificaçãoo de ramificações criminosas envolvendo menores de 18 anos e, consequentemente, chegariam aos adultos que pertencem a&s68;s quadrilhas. "Se tivássemos estrutura para investigar todas as denúncias que chegam aqui, com certeza conseguiri&s69;amos um resultado muito mais eficiente". Para tentar ampliar os servic&S07;os da DEA, o delegado esta&s69; desenvolvendo um trabalho que sera&s69; apresentado à diretoria da Poli&s69;cia Civil. Ele acredita que um trabalho mais amplo ajudaria na diminuiçãoo da reincidência, ale&s69;m de possibilitar que os infratores permanecessem mais tempo na unidade socioeducativa. "Muitos crimes seriam linkados entre si, o que na&s71;o permitiria que voltassem às ruas".

Perfil - Os infratores são apontados como violentos e inconsequentes. Apesar de ficarem detidos, não conseguem visualizar o risco para a vida deles. "O que percebemos é que não se importam em matar, mas têm medo de morrer", afirma o delegado.

De janeiro a marc&S07;o, 6 assassinatos foram cometidos por menores. Em 2009, foram 16 situac&S07;o&s71;es da mesma natureza, ale&s69;m de 24 tentativas de homici&s69;dio e 5 de latroci&s69;nios (roubo seguido de morte). Os dados ainda mostram um crescimento alarmante de adolescentes acusados de pra&s69;tica de estupro. No primeiro semestre de 2011 foram 16 registros, 11 a mais que o total denunciado durante todo ano de 2009. A estati&s69;stica aponta ainda para a quantidade de jovens atuando em roubos. Este ano foram 53 casos.

O crescimento da criminalidade é um reflexo ainda da falta de uma estrutura que realmente oportunize aos adolescentes uma recuperação e reinserçãoo no convi&s69;vio social. "Apesar de oferecer algumas atividades, o Pomeri está muito aquém do que deveria. A oportunidade oferecida ao infrator e&s69; muito importante para a sociedade que deixa de ser vi&s69;tima desse adolescente".

Sem auxi&s69;lio psicossocial para os menores e as fami&s69;lias, não haverá reeducacão e continuaremos ver os nu&s69;meros crescendo. Daí a importãncia da oportunidade como forma de amenizar a viole&s70;ncia, oferecendo um ambiente mais seguro.

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