Adolescentes trocam e-mail por comunicação mais direta na web

Adolescentes trocam e-mail por comunicação mais direta na web

Atualizado: Terça-feira, 23 Agosto de 2011 as 9:30

No final dos anos 1990, quando a internet se disseminou pelos lares de todo o mundo e fez gerações sentarem em frente ao grande e bege monitor para se comunicarem com gente que estava na rua de trás ou do outro lado do planeta, o e-mail era a principal identidade virtual de cada um. Ninguém tinha "@" no Twitter ou perfil no Facebook. Sequer os blogs existiam. E os apelidos nas tão populares salas de bate-papo podiam mudar a cada login. Portanto, a única maneira fixa de identificar um amigo era pelo endereço de e-mail, para onde eram enviadas as mensagens mais importantes e urgentes e as piadas infames que até hoje circulam pela internet.

De acordo com uma pesquisa feita pela Viacom Networks, dona das marcas Nickelodeon, VH1 e Comedy Central, no entanto, a popularidade do e-mail tem caído drasticamente nos últimos tempos e entre as gerações mais recentes. Segundo os dados levantados pelo estudo "Conicktado", apenas 55% dos jovens de 10 a 12 anos usam e-mail. E, entre os adolescentes que têm de 12 a 14 anos, o número é ainda menor: 27% utilizam o serviço.

O estudante do sexto ano do Ensino Fundamental Gabriel, de 12 anos, confirma os resultados da pesquisa e é enfático: "ninguém usa e-mail", diz. A única exceção que faz com que ele e os amigos abram a caixa de entrada é a data de entrega de trabalhos da escola. "Às vezes a professora pede para mandar um trabalho por e-mail. Mas se ela tivesse MSN, ninguém ia usar e-mail mesmo!", conta.

Segundo ele, o e-mail foi abandonado pelo simples fato de que não há motivo para continuar acessando. "Não tem utilidade", diz. "Dá medo de a mensagem não chegar". Além disso, ele conta que pelo serviço de mensagem instantânea a conversa é mais real e direta. "Se você quer saber a resposta do seu amigo para algo importante, é só pressioná-lo pedindo para responder logo", afirma.

Para se comunicar com os amigos, Gabriel usa o MSN quando quer tratar de assuntos mais particulares, como o passeio do fim de semana, e o Facebook e o Formspring para conversar sobre questões que podem ser tornadas públicas. "No Formspring eu não coloco coisas que possam me fazer passar vergonha, nem o meu telefone, e nem onde vou encontrar meus amigos", diz ele, preocupado com a própria segurança.

Bruno, que tem 16 anos contraria a pesquisa. "Eu sempre tive e-mail", conta. Segundo ele, a ferramenta é útil, principalmente, para assuntos do colégio. "É pelo e-mail que fico sabendo das datas de entregas de trabalhos e coisas do tipo".

Mesmo sendo usuário ativo da conta no e-mail, no entanto, Bruno vê mais facilidades em formas mais diretas de comunicação, como o MSN Messenger. "É mais prático, mais direto, você fala e a pessoa já responde na mesma hora".

Maria Luisa, de 14 anos, é outra fã das redes sociais: "Eu passo mais tempo no Facebook e Twitter, principalmente", diz. Viciada em internet, ela conta que acessa a web todos os dias. "Fico pelo menos três horas na internet todo dia", diz.

Mas e quanto ao e-mail? "O e-mail não é instantâneo e isso dificulta a comunicação. As redes sociais aproximam mais as pessoas", explica. Apesar disso, Maria Luisa tem, sim, uma conta de e-mail, que usa com certa frequência, muitas vezes para falar com pessoas mais velhas e tratar de assuntos importantes. "O e-mail serve mais para contar coisas sérias, combinar viagens com meu pai ou coisas do tipo".

Já segredos, a estudante acha que o melhor é não confiar na web. "Se é algo muito pessoal eu prefiro falar por telefone ou ao vivo, é muito melhor", finaliza.

veja também