"Ainda posso melhorar", diz o skatista Tony Hawk

"Ainda posso melhorar", diz o skatista Tony Hawk

Atualizado: Quinta-feira, 13 Outubro de 2011 as 9:14

O skatista californiano Tony Hawk esteve no Brasil na primeira semana de outubro para participar do Jump Festival, evento de skate, BMX e motocross para atletas amadores e profissionais, que aconteceu no último domingo (9), em São Paulo. Mesmo depois de 29 anos de carreira, uma franquia de videogames milionária e nove medalhas de ouro nos X Games, Hawk matém a humildade. “Acho que ainda posso melhorar. Preciso aprimorar meus flips”, diz ele em entrevista exclusiva ao iG Jovem.

Tony Hawk é uma lenda viva e um dos principais embaixadores do esporte que, nos últimos anos, deixou de ser marginalizado para ganhar a atenção total de mídia e público. Depois de quase três décadas sob os holofotes, Tony dá a impressão de já ter todas as respostas prontas e dificilmente pensa por mais do que dois segundos antes de soltar uma série de palavras coordenadas e ensaiadas.

Mas, afinal, é o Tony Hawk. Tudo o que ele disser vai ser sempre relevante para o skate. Confira abaixo o bate-papo na íntegra:

Como se sente em voltar ao Brasil depois de 23 anos?

Tony Hawk: Estou feliz de voltar finalmente! Tive umas duas oportunidades de vir para cá antes, mas nunca deu certo. Aqui o skate é grande, existe muito interesse e também apoio ao esporte. E alguns dos melhores skatistas do mundo vieram daqui, então...

O que você acha que mudou no skate de quando você começou para hoje?

Tony Hawk: Agora as pessoas dão muito mais valor para o skate e também apoio, suporte. Antes o skate não tinha seu público e hoje existem milhares de fãs no mundo inteiro. Eles podem até não andar de skate, mas gostam de assistir e isso é importante para que o skate continue crescendo. Em alguns países o skate já é popular e “mainstream”, como no Brasil e Estados Unidos. Em parte, isso é culpa da mídia que nos últimos anos deu muita atenção para eventos como o X Games e ajudou a levar o skate para uma audiência diferente, que aprendeu gostar.

Você acha que seus jogos de videogame tiveram parte nisso?

Tony Hawk: Acho que sim! Sou muito orgulhoso dos nossos jogos e as pessoas realmente gostam e reconhecem que é um bom jogo.

O que é mais difícil no esporte?

Tony Hawk: Continuar se desafiando, cada dia mais. E desenvolver novas habilidades, porque uma vez que você alcançou um nível de popularidade, é muito fácil que as pessoas esqueçam de você rapidamente. Se você não estiver se superando, ninguém mais vai saber quem você é daqui um ano.

Você se considera uma celebridade?

Tony Hawk: Às vezes sou tratado como uma celebridade, dependendo dos lugares onde vou. Mas não, eu apenas me considero um skatista, assim como sempre fui desde que não era popular nem nada. A parte mais difícil é invasão de privacidade, viajar com meus filhos, e também quando as pessoas tem uma concepção errada de você. Vão achar certas coisas sobre você e não serão convencidos do contrário, a menos que você sente e converse com eles.

Seus filhos também andam de skate?

Tony Hawk: Sim, todos eles. Meu filho mais velho é skatista. Os outros dois meninos gostam, mas não é o foco principal deles.

Por que você parou de competir e passou a fazer apenas exibições?

Tony Hawk: Bem, eu competi por vinte anos e fiz isso bastante. Chegou um momento, que as competições estavam tomando muito do meu tempo e eu queria explorar outras oportunidades que a agenda das competições não permite. Eu sempre quis fazer turnês me apresentando, porque é muit mais divertido. Eu não tenho que me preocupar se vou cair, nem com o tempo. Eu ando melhor de skate fora de uma competição!

O que mudou no seu estilo nos últimos 20 anos?

Tony Hawk: O estilo em geral, não só o meu, mudou e eu fui me adaptando. Hoje o skate é mais diverso. Não existe só o vertical e o street. Hoje tem parques, rampas, mega rampas e está tudo junto, antes era diferente. Eu ainda consigo fazer a maior parte de meus truques, mas também tem coisas que eu não aguento mais fazer.

Se tivesse que escolher o melhor momento de sua carreira, qual seria?

Tony Hawk: Provavelmente quando eu fiz meu primeiro 900. Foi quando encerrei minhas atividades nas competições e as pessoas passaram a me reconhecer não apenas pelo skate. Isso foi muito importante na minha vida.

Tem arrependimentos?

Tony Hawk: Acho que não. Tudo que fiz de errado serviu como aprendizado, então fico feliz que passei por isso.

O que te mantém motivado?

Tony Hawk: Eu ainda amo o skate e quero continuar explorando as possibilidades que me mantém motivado porque quero melhorar minhas habilidades. Acho que ainda posso melhorar. Preciso aprimorar meus flips. E também gosto de me inspirar em outros caras.

Tem algo que você não faz muito bem?

Tony Hawk: Sim, não sou muito bom nos kickflips como eu era antes, então quero melhorar nisso!

Qual conselho daria pra quem está começando?

Tony Hawk: Continue se desafiando e faça isso porque você gosta e não porque você acha que esse é o caminho para fama e fortuna. Você tem que ser apaixonado pelo skate se quiser ser bem sucedido.

Até quando você pretende andar de skate?

Tony Hawk: Não sei. Vou descobrir e te conto quando chegar lá! (Risos)

Quem são seus ídolos?

Tony Hawk: Admiro muito o Lance Armstrong, porque ele transformou o sucesso dele em algo incrível para o mundo, como as pesquisas sobre câncer e conscientização, gosto muito disso. Espero um dia realizar algo parecido com minha fundação e fazer a diferença.

Quem é o melhor skatista do momento?

Tony Hawk: Existem tantos estilos diferentes, que é difícil apontar alguém. Mas acho que o Bob (Burnquist) é o melhor no geral, incluindo na mega rampa.

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