Aluno divide tempo entre estudo e diversão antes do Enem

Aluno divide tempo entre estudo e diversão antes do Enem

Atualizado: Terça-feira, 18 Outubro de 2011 as 8:19

Quem já passou por uma prova em que todos os conhecimentos aprendidos até aquele momento seriam avaliados sabe o que se passa na cabeça do recifense Rafael Santiago, 17 anos. A poucos dias de prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que mede o desempenho do estudante ao fim da escolaridade básica, uma mistura de sensações toma conta do jovem: expectativa, ansiedade, tensão... Mas ele tira tudo de letra, com uma mistura equilibrada que, segundo especialistas, é uma boa receita para ter sucesso no Enem.

Às 7h, Rafael já está na escola e assiste a uma bateria de aulas, que terminam perto da hora do almoço. Ele vai de bicicleta para casa e, depois do “soninho da tarde”, chega a hora de cair em cima dos livros. “Conheço o meu limite. Estudo três horas seguidas todos os dias; mais que isso, não consigo me concentrar”, diz.

O estudo pode ser no computador, fazendo simulados on-line do Enem, na cama ou na rede da varanda. “Podem não ser os lugares ideais, mas conforto conta para mim. E minha família também respeita o meu horário, faz silêncio, além de não ficar cobrando empenho o tempo todo, sem aquela neurose”, explica.

Com o fim das leituras, entra em cena o Rafael músico. Ele herdou do avô e do tio diversos instrumentos de percussão e um violão, que está aprendendo a tocar. Por enquanto, ainda lê mais sobre as bandas favoritas e ouve discos e CDs do que executa acordes de canções que admira. “Quase todo dia pratico alguma coisa. É como uma terapia, ajuda a relaxar”, conta o jovem.

Antes de dormir, ainda surge o Rafael malhador. Ele montou uma academia na área de serviço do apartamento onde mora. Tem de tudo: pesos, barra, máquina de fazer abdominal. “É como dizem, não basta exercitar a cabeça, o corpo também tem que estar são”, acredita. E também há aquelas noites em que as atividades de Rafael não terminam com a malhação. “Pelo menos uma vez na semana, gosto de sair com meus amigos para desopilar. Vestibular vira assunto proibido na balada”, explica.

Com uma rotina como essa, Rafael consegue equilibrar bem os estudos e a diversão, além de contar com o apoio da família. É assim que ele se prepara psicologicamente para disputar uma vaga no curso de engenharia civil nas universidades públicas de Pernambuco. “Eu estudo diariamente, mas não deixo de fazer o que eu gosto”, defende.

Medida certa

Para a psicóloga Irinéa Catarino, Rafael está no caminho certo. “É difícil encontrar um adolescente que consiga disciplinar os estudos e o lazer sem ser consumido pelo estresse que o vestibular gera. É fundamental saber dividir o tempo de maneira saudável”, pontua.

A especialista chama atenção para o leque de opções que o próprio estudante colocou à disposição dele. “Ele mescla várias atividades e também não se isola da convivência social, o que poderia até levá-lo à depressão”, explica.

O interessante é que, mesmo sem Rafael perceber, a música e a malhação acabam ajudando nos estudos. Uma das reclamações dele é sobre as longas questões do Enem e o pouco tempo disponível para respondê-las. “Como a prova é cansativa e requer raciocínio lógico, interpretativo, sem ‘decorebas’, Rafael pode tirar proveito das atividades não automatizadas que ele pratica. Isto é, para tocar o violão, por exemplo, ele precisa de concentração e esforço cognitivo, mas faz isso com o pensamento livre, com muita serenidade e tranquilidade. O mesmo pode acontecer na hora de responder as questões”, exemplifica.

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