Amigos no trabalho devem saber separar lado pessoal

Amigos no trabalho devem saber separar lado pessoal

Atualizado: Segunda-feira, 29 Agosto de 2011 as 12:52

Não contrate quem você não possa demitir." Se você já ouviu essa frase, provavelmente foi de alguém que teve problemas no trabalho com amigos ou parentes. Se, por um lado, é muito bom ter alguém de confiança no mesmo ambiente profissional - por conta do conforto emocional que essa pessoa pode trazer -, por outro muitas vezes é difícil separar onde termina a amizade e começa o profissionalismo.

"Por exemplo, se você trabalha no RH e sabe que seu amigo será demitido, mas essa informação é confidencial, o que faz? Se contar para o amigo, pode manter a amizade, mas perderá a credibilidade no trabalho e pode até ser demitido. Ao mesmo tempo, se não falar nada o amigo pode ficar chateado e o relacionamento, abalado", diz Anderson Cavalcante, palestrante e escritor.

Cavalcante afirma que a solução para manter ambos - emprego e amigo - é ter coerência e bom senso, além de transparência e maturidade. "Há coisas que podem ser compartilhadas com o amigo. Usando novamente o exemplo do RH, se você perceber que seu amigo não está desempenhando bem a função, que não está apresentado os resultados esperados, cabe, como amigo, conversar com ele, incentivá-lo e motivá-lo antes que a demissão aconteça", comenta.

Telefone sem fio

Mas, até os "toques" positivos podem ser mal interpretados. Foi o que aconteceu com a consultora de comunicação Nancy Assad. Ela conta que se desentendeu com um grande amigo depois de aceitar trabalhar em sua empresa.

"Logo que assumi minhas funções, percebi que havia muita falta de profissionalismo e principalmente de ética dentro da organização. As pessoas falavam mal do chefe que, no caso, era meu amigo. Isso foi progressivamente me envenenando e passei a contar a ele o que acontecia na empresa. Ele, irritado, ia tirar satisfações e mencionava que eu tinha sido a informante", relata.

Nancy lembra que por um tempo ainda foi possível serem transparentes e autênticos um com o outro, por conta da amizade de longa data, mas esse tipo de relacionamento não era possível dentro da empresa. "Começaram a surgir intrigas e inverdades a meu respeito e ele passou a ficar aborrecido comigo. Afinal de contas, as pessoas trabalhavam com ele havia muito tempo e ele tinha dificuldade para mudar o próprio comportamento e o do ambiente profissional. A amizade não prevaleceu e nos desentendemos", lamenta.

Clareza

Hoje, a consultora consegue enxergar a situação passada e desabafa dizendo que, na época, se sentiu abandonada. "Todo ser humano tem necessidade de ser amado, compreendido e ter suas competências reconhecidas. Eu deveria ter tido um comportamento adulto e de bom senso, considerando a confiança que me foi depositada, e saber que minhas informações não contribuíam em nada com o resultado dos negócios e só pioravam o humor e o ambiente."

Apesar de a amizade correr o risco de ficar comprometida devido a desavenças no trabalho, Cavalcante afirma que ter bons relacionamentos no emprego é fundamental para o bom desempenho profissional. "Não se dar bem com a equipe ou colaboradores gera até sintomas físicos", conta.

Afago

O produtor de vídeo Claudio Marconi, de 32 anos, trabalhou de madrugada durante um período e diz que só suportou o emprego porque o compartilhava com grandes amigos. "Qualquer ambiente de trabalho hoje é competitivo. Saber que eu podia contar com aquelas pessoas era um afago. Eu entrava à meia-noite. Um dia, cheguei muito atrasado: às 2h. Eu havia perdido a hora porque estava muito cansado. Quando cheguei, o meu amigo já tinha batido meu cartão."

Mas não é para encobrir pequenos deslizes que ter um amigo no trabalho é positivo. Para Cavalcante, o amigo torna o ambiente mais leve porque é uma pessoa em quem se acredita que é alguém em quem se pode confiar.

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