Amor virtual pode dar certo?

Amor virtual pode dar certo?

Atualizado: Terça-feira, 5 Julho de 2011 as 9:43

São muitas as histórias sobre os romances surgidos por meio da internet. No começo foi uma febre, depois acalmou. Mas os casos continuam, e talvez por terem se tornado comuns, ficaram de lado. Mas aqui está um livro, um romance virtual, uma história real. A escritora Heleny Galati, em seu recém-lançado livro, narra sua história com um indiano que conheceu no MSN e com o qual viveu um romance real. No artigo abaixo, fala sobre o amor virtual sem preconceitos e diz que ele pode funcionar, sim.

Artigo: Amor virtual, sim!

Sentimento é sentimento. Assunto complicado para a maioria das pessoas. Quando ele se une à tecnologia, a maioria foge, com medo ou desconfiança. Seria possível um amor virtual dar certo? Ele poderia mudar a pessoa? Ajudá-la a superar dificuldades?

Pode, sim! Sei que pode!

Em junho de 2009, aceitei em meu MSN um rapaz de origem indiana. Alguém bastante diferente de mim, em vários aspectos. Além de sermos de países diferentes, nossas religiões, idades, hábitos e sonhos eram incompatíveis. Entretanto, existia um ponto em comum: o desejo de descobrir coisas novas. Sentimentos e relações diferentes das que tínhamos. Eu, estressada e infeliz em um relacionamento de anos. Ele, preocupado com o novo relacionamento que lhe era imposto.

Nossas conversas, no início, giravam sobre cultura. Aos poucos, foram se tornando pessoais. Ele contava como era difícil a vida em seu país, o trabalho, o salário, o quanto era complicado enfrentar sua posição dentro da família. Eu, infeliz comigo mesma, sufocada por uma série de etiquetas e dúvidas, perdida e querendo, desesperadamente, descobrir quem era. Foi repentinamente que nosso relacionamento passou de amizade a algo mais. Ele começou a falar de como eu lhe fazia bem. A forma como o encarava, a simplicidade dos sentimentos que expressava. E foi, então, que ele me tocou, dizendo o quanto apreciava não apenas minha mente, mas tudo em mim. Foi o começo da intimidade. Profundo, gostoso e que, pouco a pouco, me transformou.

Todos os dias ele me acordava com um bom dia e perguntava como me sentia. A diferença de fuso horário (oito horas e meia) permitia-lhe isso. E eu respondia que meu dia começava sempre bem quando suas palavras me alcançavam. Ligávamos nossas câmeras e ficávamos ali, horas, falando de tudo e de todos. Contanto histórias. Namorávamos, conversávamos, compartilhávamos. Existia, acima de tudo, uma espécie de cumplicidade e compreensão. Eu sabia que ele conversava com outras, ele sabia que eu fazia o mesmo, mas isso não importava. Quando estávamos ali, nós dois, era ele e eu. Nada mais.

Pouco a pouco esse carinho, respeito e, acima de tudo, incentivo fizeram com que eu olhasse no espelho e visse outra pessoa. Alguém mais feliz, mais completa, mais mulher. Esse rapaz me deu isso com suas longas conversas, com suas brincadeiras, até mesmo abusadas, às vezes.

E eu me enamorei por mim. Comecei a me perdoar pela inércia, por ter me deixado abater pela opinião dos outros. Superei, acima de tudo, os complexos e medos. Enfim, passei a ser eu novamente. E não foi apenas isso. Nosso relacionamento me levou a redescobrir um potencial que não lembrava mais. Revivi o prazer de escrever e escrevi. Contei nossa história no livro Asif. No primeiro volume, Asif – Perdão, narrei o processo de me curar. No segundo, Asif - Superação, mostrei como finalmente me libertei. Romance virtual. Sim, ele pode funcionar. Pode lhe dar nova perspectiva sobre você. Pode ajudar a se curar. E, depois, a se abrir para o real novamente.

Por: Célia Pardi

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