Ano de vestibular requer disciplina, mas com momentos de lazer

Ano de vestibular requer disciplina, mas com momentos de lazer

Atualizado: Sexta-feira, 1 Abril de 2011 as 1:46

Quando o último ano do colégio termina, outra coisa também ganha um ponto final: os momentos em que esquecer as lições acabava apenas em algumas semanas a mais de estudo com a turma da recuperação.  O vestibular chega para definir o futuro, e o ano, ou os anos, seguintes serão dedicados a passar por esta prova de força. Então, qualquer desleixo só implicará em atraso de vida. A receita para o sucesso é "se dedicar completamente, ter o máximo de esforço e levar os estudos muito a sério", explica o coordenador de vestibular do Anglo, Alberto Francisco do Nascimento.

Segundo ele, é preciso elaborar uma rotina rígida e adequada. Nascimento explica que o estudante não pode apenas enfiar a cabeça nos livros e que precisa de momentos de lazer e esporte. "Eu acho que o jovem tem que ir pelos menos duas vezes por semana à academia para liberar as energias", exemplifica e sugere filmes e televisão como opções de entretenimento. Mas, tudo isso, aliado ao aprendizado. De acordo com o coordenador, o ideal é estudar no mínimo quatro horas por dia. Porém, as pessoas que conciliam cursinho pré-vestibular e trabalho nem sempre têm esta disponibilidade e precisam se adequar ao que é possível.

"Se dedique, mas saiba quando se dar um tempo", é a dica que Gabriela Brancaglion, de 18 anos, dá aos vestibulandos. Ela fez quatro meses de cursinho e conseguiu entrar no curso de História na Universidade de São Paulo (USP). Durante a preparação para o vestibular, ela intercalava o estudo, às conversas com os amigos e programas de televisão. "Quando eu sentia que estava cansada demais, tirava umas duas horas para esquecer um pouco da prova, era um santo remédio". Além disso, ela aproveitava as horas no ônibus para ver a matéria. "Nunca se sabe quando o metrô vai travar ou o ônibus atrasar", por isso, ela passou a andar com livro, lápis e borracha sempre à mão, costume que continua a praticar na faculdade.

Apesar de confessar não ser um exemplo de dedicação, nem ter montado uma rotina muito regrada, Gabriela aproveitou o máximo das aulas do cursinho. "Onde mais é possível rir em uma aula de física?", comenta sobre a genialidade dos professores. "Foram quatro meses que mudaram minha vida", completa.

Qualidade e não quantidade

Segundo Nascimento, estudar é um ato solitário e, em grupo, devem ser feitos apenas os debates sobre a matéria que foi vista. O local também é importante. "Não pode ter zunzunzum, telefone, tem que ser um lugar calmo", diz ele.

"Tem aluno que tem 30 minutos diários para estudar, outros tem 3 horas, qual é melhor? Não dá para dizer", explica a coordenadora geral do cursinho Poli, Alessandra Venturini. Ela conta que o importante é como o tempo é usado. "Dividir estas 3 horas entre livros, celular e MSN não vale de nada", completa e enfatiza que precisa haver um planejamento a ser seguido.

Quanto a isso, Thomás de Barros, de 20 anos é um expert. Ao ser questionado sobre sua rotina, ele tem a resposta na ponta da língua. "Eu durmo sete horas por noite, chego ao cursinho às 9h para fazer as lições, almoço às 12h, volto a estudar sozinho às 13h e às 19h começa a minha aula no cursinho, vou para casa só no fim da noite", conta. O vestibulando quer passar em direito na USP e, durante a semana, estuda o dia inteiro.

Mas, toda esta disciplina não surgiu da noite para o dia. Thomás está no terceiro ano de cursinho. "No primeiro fui bem relaxado, no segundo levei mais a sério e agora eu me dedico em tempo integral". Aos finais de semana, o futuro profissional faz programas leves e tenta descansar. Por mais puxado que possa parecer, Thomás diz que o primeiro semestre do ano é o mais tranquilo. A partir de agosto, os finais de semana também serão dias de mergulhar nos estudos. Como este é o terceiro ano em que ele tenta ingressar na universidade pública, resolveu abdicar de muitas coisas.

Equilíbrio emocional

Para Thomás, o comprometimento exige uma série de renúncias e, com isso, surge a pressão. "O emocional é o que mais pega, os resultados nem sempre vem com a pressão e, então, explode uma série de coisas e surge a síndrome do ‘eu não consigo’", conta.

O coordenador do Anglo, Alberto Francisco do Nascimento, já viu casos como este ao longo de sua carreira. Segundo ele, às vezes o estudante fica dois ou três anos no curso pré-vestibular, mas tem problemas psicológicos de autoconfiança e precisa tratá-los antes de se entregar aos livros.

O cursinho da Poli tem um departamento, o Vestibulógico, criado para atender estes problemas. Segundo Alessandra, uma equipe de psicólogos e pedagogos atende os alunos que necessitam de orientação ou se sentem inseguros. Em primeiro lugar, eles aconselham o estudante a olhar provas passadas, da universidade onde quer estudar, para entender o que será cobrado no exame. "O ponto de interrogação aparece e a equipe está lá para apoiar os alunos", diz.

Além de fazer uma análise do perfil de cada vestibulando, o Vestibulógico organiza encontros semanais entre os estudantes para eles expressarem dúvidas e compartilharem os medos e ansiedade. "O método auxilia no controle emocional, pois são frequentes os casos em que o aluno deixa o curso por se achar incapaz", explica Alessandra. Com a terapia em grupo, os estudantes dão apoio um ao outro, de acordo com ela.

Dicas para a hora da prova:

- Não reveja a matéria, o que você estudou, está estudado

- Se bater o nervosismo, pare por alguns instantes e tente se concentrar no seu objetivo

- Não leve nenhum problema para o vestibular

- Lembre das explicações do professor

- Saiba que não é o único estudante que está nervoso

- Use a adrenalina a seu favor, com a concentração no teste

Por: Thais Sabino

fonte: IG jovem

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