Autor de hits da internet, André Paste será destaque na Campus Party

Autor de hits da internet, André Paste será destaque na Campus Party

Atualizado: Sexta-feira, 17 Dezembro de 2010 as 12:25

André Paste, 19, é capixaba de Vitória (ES), mas está sempre em São Paulo e no Rio de Janeiro animando baladas ao som de Beatles, Michael Jackson, Daft Punk, Cid Moreira e o que mais vier à cabeça. Isso mesmo. A voz peculiar do jornalista da TV Globo deu origem a um hit criado pelo estudante, "Cid Moreira On The Dancefloor", que bombou na internet. A mixagem começa: "A origem de tudo (...) Deus então disse: ‘Todo mundo aqui vai dançar’" – e segue-se a batida de funk. A fama na web rendeu a André, que cursa Publicidade, um convite para dar uma palestra sobre mash-ups – ou a arte de mesclar músicas – na próxima edição da Campus Party, em janeiro de 2011.

Não é a primeira vez que André – cujo sobrenome vem da Itália, e não um trocadilho com "copy and paste" – é chamado para falar sobre discotecagem. Antes de começar a nova temporada da novela "Malhação", ele foi convidado para ir ao Projac ensinar o protagonista a tocar. "Dei uma aulinha para quatro atores, foi bem divertido", lembra. Outra composição que fez sucesso foi "Menino de Rua Não Desligue o Telefone", que mescla "Telephone", de Lady Gaga, com Banda Dejavu. A graça está no inusitado. "Já misturei Coldplay com Gaiola das Popozudas e várias pessoas vieram comentar que adoraram".

Para ele, não existe música ruim. "Eu gosto de tudo, não excluo nada da minha lista", conta. E parece verdade. André diz que consegue se divertir num show de César Menotti & Fabiano, numa baladinha alternativa da noite paulistana, em bailes funk ou no show do Amado Batista. "Teve um show dele aqui em Vitória. Sabe aquela música ‘No hospital, na sala de cirurgia, pela vidraça eu via...?’ Todo mundo conhece, é maravilhoso", ri. "As mulheres cantavam e choravam", completa.

Ele conta que não mistura nenhuma música de forma planejada. A tática é abrir os arquivos numa playlist do programa Abbleton, que aprendeu a usar desde que fez um curso de Produção Musical, aos 14 anos. Depois, ele sai combinando sem muito critério. "É pura tentativa e erro; nada do que eu faço tem muito sentido. Quando consigo encaixar um pedacinho, faço a música inteira", explica o DJ, que misturou 38 canções no primeiro mash-up que produziu, inclusive Claudinho & Buchecha.

Não importa o estilo, o segredo é tocar hits, aquelas músicas que todo mundo conhece. "É incrível ver a reação daquilo que eu produzo em casa", diz. E admite trocar a futura carreira de publicitário por uma de DJ, se tiver a certeza de conseguir se sustentar. "Como não vou trocar o certo pelo duvidoso, vai continuar sendo um hobby, mas um hobby que rende uma graninha", revela. O dinheiro extra vem das noites em que toca: ele sabe que jamais vai poder vender suas criações digitais. "Se eu quiser vender algum mash-up com Beatles e Michael Jackson, vou ter que pagar um bilhão de reais. Impossível".

Play!

Na capital paulista, André costuma tocar no Vegas, no Estúdio Emme e na Neu, aonde vai até mesmo quando não é o DJ. E já tem festa internacional marcada para o fim de janeiro, a Bootie – também com edições em Tóquio (Japão), Paris (França) e São Francisco (EUA). Neste mês, ele ainda é presença garantida em Juiz de Fora (Minas Gerais). A cena de Vitória ainda é fraca, mas ele se arranja por festinhas da universidade e pela produtora Antimofo – segundo ele, a única que agita a região. "Toco muito mais fora do que aqui", calcula.

Mas já é o suficiente para ser reconhecido na rua, mesmo não se considerando uma celebridade da internet. "Tem gente que me conhece e gosta de mim, mas tem outros muito mais famosos", conta, lembrando-se de quando foi abordado em São Paulo e no Rio por admiradores de suas engenhosidades. "Vieram perguntar se era realmente eu. Fiquei muito sem graça".

Esse agito todo aconteceu de repente. Por isso, ele resolveu, no começo de 2010, tirar um ano para descansar, estudar e se dedicar à faculdade. "Coloquei as músicas na internet e já comecei a viajar para vários lugares. Foi pesado, precisei dar um tempo", analisa. Quem disse que deu certo? "Foram apenas três meses. Eu não conseguiria ficar um ano parado". Do Twitter e do Facebook, ele manteve distância; do e-mail, já seria demais. Mas foi o bastante para colocar as ideias no lugar e voltar à ativa.

Enquanto isso, ele aproveita o conforto, a comida e a roupa lavada da casa dos pais. Só depois que se formar vai pensar no que fazer. Ou até o próximo ano sabático. Mas pensa no futuro – e sonha com um encontro com o dono da voz que lhe deu fama. Para ele, nada seria mais legal do que Cid Moreira ficar sabendo de sua obra. "Já pensou se ele falasse comigo? Seria um sonho! Ele é um tiozão muito engraçado", diverte-se.

Por: Larissa Drumond

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