Baladeiros, fãs e esportistas amadores participam de evento dedicado ao esporte do momento

Pista de dança vira ringue de MMA em balada paulistana

Atualizado: Quarta-feira, 25 Abril de 2012 as 9:46

Com a explosão vivida pelo MMA no Brasil, crescem os eventos relacionados ao esporte da moda. Mesmo quem torce o nariz, dificilmente desconhece nomes como Anderson Silva e Vitor Belfort. Na onda da explosão das “artes marciais mistas”, significado em português da sigla, São Paulo abrigou nesse final de semana a terceira edição do Fight Night, evento que reúne balada e lutas ao vivo em um mesmo lugar.

Vista do lado de fora, a extensa fila do Upper Club, na zona sul da cidade, parecia apenas mais uma entre tantas que se formam nas casas noturnas de alto padrão da capital paulista. Mas tanto os homens, presentes em maior número, quanto as mulheres, estavam prestes a encarar um conceito novo. Isso porque enquanto os DJ’s comandavam o som, o centro da pista era ocupado por um octógono, espécie de ringue do MMA.

Ao mesmo tempo em que as 1.500 pessoas presentes, de acordo com estimativa da organização, entravam e se dividiam entre pista e camarotes open bar - que podia a chegar a R$ 4 mil reais para dez pessoas -, os lutadores, selecionados pela organização, preparavam-se em uma área reservada.
Por lá, o clima era de paz. Os lutadores esbanjavam simpatia e bom humor, bem diferente da imagem que passam quando estão se digladiando pela vitória. Muitos ainda são amadores, mas os sonhos são altos. “Quero lutar no UFC e corro atrás disso”, conta Lucas Mineiro, 21 anos, pouco antes de entrar para a luta.
Foi justamente por esse crescimento que surgiu a ideia de fazer um evento com música e lutas ao vivo, conta o organizador da festa Marlon Ceni, de apenas 21 anos. “Quando o mercado começou a bombar, fizemos duas edições com esse conceito, e hoje estamos em uma casa nova para abrigar um público maior”.

Os frequentadores, por sinal, deliravam a cada golpe certeiro desferido nas lutas, intercalando a descontração com a vibração costumeira dos estádios de futebol. Apesar da atenção quase exclusiva no momento dos confrontos, os intervalos faziam a pista ferver ao som de diversas músicas consagradas.
O DJ Jason Salles explica que para este público fã de MMA o importante é garantir a pulsação. “Aqui tem que ser mais batidão e menos letra”. Assim, a música pendia muito mais para rappers como Eminem do que para cantoras pop do momento.

A galera na pista respondia era mais contida na hora de se arriscar na dança, mas apesar dos intervalos relativamente curtos entre as lutas, o clima de paquera rolava solto quando a luz baixava entre os combates. A maioria tinha entre 18 e 20 anos.

Caio Almeida, de 18, disse ter ido à festa tanto pelo MMA, esporte do qual é fã desde criança, como pela balada. As garotas, por sinal, apesar de em menor número, usavam, em grande parte, vestidos curtos e provocantes. Já os meninos eram mais ecléticos. Iam dos conservadores de polo aos de camisetas mais estilosas.

Lucas Mineiro, aliás, contava com grande torcida, o que serviu de combustível para que finalizasse seu adversário. A vitória, entretanto, veio pela dedicação. “Treino todo dia, quatro vezes por dia, diferentes técnicas”, conta. E é essa a rotina de todos os que se dedicam ao MMA.
Cícero Gatonet, lutador da categoria meio-pesado, trabalha de oito a dez horas por dia como garçom, mas faz questão de toda manhã treinar para desenvolver suas técnicas. “O homem é do tamanho de seu sonho, o meu é fazer parte do UFC”, enfatiza.
Se do lado de fora do octógono os lutadores são bem humorados, as risadas somem e a cara fechada predomina quando entram para a luta. Socos e chutes são trocados sem economia. Apesar de assustar quem assiste, muitos atletas garantem que não há violência.

“Parece irônico dizer isso, mas é a realidade”, afirma Cícero. “Pode ser agressivo, de contato físico intenso, mas violento com certeza não é”, completa. O também lutador e treinador Rodrigo Digão sai em defesa do MMA. “Todo esporte tem risco, os atletas de futebol se machucam muito mais”, compara o líder de dezenas de novos atletas.

A prova do clima meramente esportivo era a presença de mulheres no Fight Night. No caso delas, o confronto era de Muay Thai, uma das artes marciais integrantes do MMA. Nesta categoria, valem socos e chutes, mas somente em pé, sem luta no chão. No octógono, Mayara Stefano, de 18 anos, alerta para os cuidados com a alimentação e saúde. “Não dá pra sair e encher a cara”, exemplifica.
Se existem lutadoras, também há garotas na pista. Apesar de praticar judô desde os 12 anos de idade,Ludmila Bastos Ribeiro, atualmente com 21, confessa que mantém distância do MMA por vaidade. Ela tem medo de quebrar alguma parte do corpo. Mesmo assim, defende o esporte. “É violento como qualquer outra modalidade, você já viu futebol americano?”, indaga.
Até por isso, a adversária de Mayara, a estreante Anne Elias Brito, de 26, diz categoricamente que o esporte machuca pouco e, por isso, se uma menina gosta, o fundamental é ter coragem e determinação. “Luta definitivamente também é coisa de mulher”, acredita. Apesar disso, ainda é difícil encontrar garotas para lutar. Anne treinou durante um ano até achar uma adversária da mesma categoria. Mas, para ela, o segredo é não ter medo do desafio.

 

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