Branca de Neve, Bella e outras protagonistas de contos de fadas voltam às telonas interpretadas por atrizes requisitadas

De encantadas a guerreiras, princesas voltam aos cinemas

Atualizado: Segunda-feira, 2 Abril de 2012 as 9:07

Em 2010, a versão de Tim Burton para o conto de “Alice no País das Maravilhas” arrecadou mais de R$ 1,5 bilhões em bilheteria. No ano seguinte, “A Garota da Capa Vermelha” mostrou uma Chapeuzinho que se apaixona pelo lenhador e decide fugir com ele. Depois, Vanessa Hudgensinterpretou uma colegial que se apaixona por uma Fera contemporânea, com tatuagens no rosto e cicatrizes, seguida pela Branca de Neve de Kristen Stewart, que é treinada pelo caçador e vira uma guerreira.

Os contos de fadas estão em alta novamente, e até a empresa de análise de tendências WGSN confirmou a moda das princesas e madrastas malvadas no cinema, em uma análise de tendências cinematográficas publicada em março de 2011. Mas... de novo?

Para a professora Renata Zucolo, mestre em literatura infanto-juvenil pela Universidade de São Paulo, as histórias de fantasia com príncipes, feitiços e bruxas continuam atuais pelo que a trajetória das princesas simboliza. “Nos contos de fadas originais, as mulheres conseguem solucionar problemas da vida delas e chegam ao fim da história com um casamento bom, com um homem que as coloca lado a lado”, explica, afirmando que antes de Walt Disney transformá-las em animação, elas eram mais fortes e menos ingênuas.

Dramas atemporais
Mas, mesmo depois de Cinderella, Rapunzel e as outras mocinhas chegarem aos estúdios da Disney, elas ainda têm um significado importante para as mulheres. “Há sempre uma mãe que tenta impedir o crescimento da filha, que se sente impotente e de certa forma inveja a juventude dela, e uma filha que quer se libertar dessa inveja sem sentir culpa”, explica.


É essa transição que torna o conto de fadas atemporal. “Os contos falam sobre ser criada de um jeito e, em determinado momento da vida, escolher entre o que lhe é imposto e liberta-se para saber quem você é”, diz Renata.

Se a conquista da independência ainda é um tema recorrente do universo feminino, a maneira como ela é atingida mudou. As novas princesas do cinema são mais donas do próprio nariz do que nos tempos de Disney. Uma delas aprende a lutar, a outra vai fugir com o namorado, e tem também a Branca de Neve interpretada por Lily Collins, em "Espelho, Espelho Meu", que tenta recuperar o reino destruído pela Bruxa Má.

Mocinhas duronas
“Essas mudanças nas narrativas vêm acontecendo há algum tempo. ‘Shrek’, por exemplo, é uma ruptura dos estereótipos. Ele é feio e ogro, mas salva a princesa, que por sua vez é mais durona do que ele”, afirma Clotilde Perez, professora da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo.

Para ela, este é o momento em que as mulheres ganham mais poder. “O mundo contemporâneo está mais feminino. A Lady Gaga é uma mulher que faz o que quer, quando quer”, explica a professora.


Entretanto, a mulher ainda não tem tanto poder a ponto de salvar o reino, cuidar dos anões e se livrar da madrasta sozinha, e embora alguns desenhos como “Mullan” tenham dito que sim, nas releituras dos contos clássicos elas continuam precisando de uma mãozinha masculina. “No fundo, o endosso masculino ainda está presente. Em propagandas de shampoo, por exemplo, há sempre um homem para elogiar a beleza feminina”, explica Clotilde.

Mas a professora acredita que a tendência é que os homens enfraqueçam nas histórias infanto-juvenis. “O que nós imaginamos é que a afetividade masculina continue crescendo, mas que os homens percam em endosso”, diz, brincando que não falta muito para que uma próxima Branca de Neve use a força física para salvar o príncipe da madrasta malvada.

 

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