Caio Ibelli: “Um bom atleta não vai pra balada"

Caio Ibelli: “Um bom atleta não vai pra balada"

Atualizado: Sexta-feira, 10 Fevereiro de 2012 as 8:12

O surfe nacional teve conquistas importantes em 2011. Pela primeira vez, vimos Kelly Slater perdendo para um brasileiro no mundial, ao mesmo tempo em que o pódium do sub-18 pertenceu a um paulista. E se depender de Caio Ibelli, de 18 anos, 2012 não vai ser diferente. O natural do Guarujá, litoral de São Paulo, acaba de conquistar o primeiro lugar do mundial Pro Junior em uma competição acirradíssima na Austrália.

De volta ao Brasil, Caio falou com exclusividade ao iG Jovem. Contou que, para ele, o segredo do sucesso nas ondas é muita dedicação, treino, “fé em Deus” e nada de festinhas: “Um bom atleta não vai à balada”, disse. Apesar do troféu conquistado com muito esforço, ele ainda é tímido para cantar a vitória: “Ainda estou no meu caminho. O título dá confiança, mas é apenas um começo.”

Depois do Pro Junior, agora Caio começa a treinar para competir o World Tour do próximo ano e enfrentar seus maiores ídolos “peso pesados”: Kelly Slater e os australianos Mick Fanning e Julian Wilson.

O segredo para se dar bem nas ondas Ibelli explica: “tem que acreditar nos sonhos, por mais difícil que seja. Nunca desistir e aprender com as derrotas.”

Leia a seguir o bate-papo completo com Caio Ibelli:

iG: O que representou para você ganhar o primeiro lugar do Pro Junior?
Caio Ibelli: Esse com certeza é um dos títulos mais importantes para um surfista de até 21 anos. Todo jovem sonha em ganhar e muitos que hoje estão no Mundial passaram por ele. Com certeza foi muito bom colocar meu nome no meio de tantos caras talentosos e com carreiras tão sólidas.
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iG: Como você começou a se interessar pelo surfe?
Caio Ibelli: Quando tinha 3 anos de idade meu pai me colocou na prancha pela primeira vez e me levou pra surfar. Comecei a competir com 7 anos no circuito municipal da minha cidade, me dei bem e comecei a me interessar pelas competições. Aos 16, virei profissional. Meu pai é surfista, minha mãe também foi até eu nascer, mas não são profissionais.

iG: Você conseguiu conciliar os estudos com as competições?
Caio Ibelli: Foi bem difícil, porque tem muito campeonato, muita viagem. Minha relação atleta-escola foi bem conturbada, mas os diretores do colégio ajudaram e consegui fazer as provas tranquilamente e fui bem nas matérias. Nunca nem repeti de ano!

iG: Quando seus pais souberam que queria ser surfista, o que falaram?
Caio Ibelli: Eles acharam o máximo! Sempre me ajudaram a evoluir, me apoiaram bastante mesmo. Eles sempre quiseram isso e hoje sou um grande orgulho.

iG: Como é sua rotina de treinos?
Caio Ibelli: Quando não estou em campeonato, fico em casa. Então acordo cedo para surfar. Almoço, faço treino físico e surfo três horas durante a tarde.

iG: Para competir você tem que fazer algum sacrifício?
Caio Ibelli: Acho que a pior parte é deixar de sair com meus amigos. Um bom atleta não vai à balada, mas pra mim é natural, assim me sinto à vontade. Gosto de dormir cedo e comer bem, então não é bem um sacrifício, é o que eu gosto.

iG: Você é muito competitivo? Até que ponto?
Caio Ibelli: Até o ponto saudável. Não sou de fazer maldade, acho que não vale a pena. Quem faz tudo certo se dá melhor. Se fizer errado, vai colher errado.

iG: Como você lida com a pressão de ganhar?
Caio Ibelli: Não sofro muito porque sou calmo e adoro quando me colocam sob pressão, eu funciono até melhor. Na Austrália foi difícil porque eu estava competindo com os australianos e pra mim era muito importante vencer. Cheguei à última etapa como líder e assim eu era visto. Mas no final deu tudo certo. Ganhei a bateria mais importante na hora do desempate.

iG: Quem são seus ídolos no esporte?
Caio Ibelli: Kelly Slater, Mick Fanning e o Julian Wilson. E já pude conhecer os três! Competi com o Julian, conversei com o Mick e dei um oi pro Kelly.

iG: Qual seu grande sonho?
Caio Ibelli: Quero ser o primeiro do World Tour. Já estou me preparando para entrar no ano que vem.

iG: E as Marias-parafina?
Caio Ibelli: Tem bastante! Mas muitas vezes essas meninas gostam de ir pra balada e não sou disso. Além do mais, tenho namorada. Ela é havaiana e conheci surfando, em Bali.

iG: Qual a viagem mais legal que fez surfando?
Caio Ibelli: lhas Maldivas, em julho do ano passado. Fiquei quinze dias instalado num barco de 100 pés, vendo as ondas mais perfeitas do mundo.

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