"Capitão América: O Primeiro Vingador" não inova, mas diverte

"Capitão América: O Primeiro Vingador" não inova, mas diverte

Atualizado: Sexta-feira, 29 Julho de 2011 as 8:24

Um mundo em que os bons são sempre bons e os maus são sempre malvados. Este é o clima que impera em “Capitão América: O Primeiro Vingador”, filme, baseado no super-herói da Marvel, que estreia nesta sexta-feira (29) nos cinemas brasileiros. Se a produção peca pela falta de originalidade em alguns pontos, boas explosões e cenas de ação envolventes fazem valer o ingresso.

O longa se passa na década de 40, em meio à Segunda Guerra Mundial, e é centrado na história de Steve Rogers (Chris Evans), um jovem órfão que tem no amor pela pátria sua maior virtude e tenta de tudo para se alistar no exército das forças aliadas. Rogers, no entanto, não faz, nem de longe, o perfil das forças armadas: ele é fraco, extremamente magro, vive apanhando dos colegas e, ainda por cima, sofre de asma.

Depois de diversas tentativas frustradas, o Dr. Abraham Erskine (Stanley Tucci), que comanda um projeto que visa a formação de um exército americano de super soldados, percebe em Rogers uma característica essencial para o sucesso de sua empreitada: a bondade. Algo que o aspirante, definitivamente, tem de sobra. Steve Rogers é tão certinho que faz Clark Kent parecer um valentão – ao menos o homem de aço tem seus momentos fúria, quando sob influência de criptonita vermelha.

O medo de Erskine se justifica. Anos antes, quando a substância milagrosa ainda estava em fase de testes, o general alemão Johann Schmidt (Hugo Weaving) fez de si próprio cobaia da experiência e, com força sobre humana, a soberba toma conta de seu caráter. A ganância desenfreada coloca Schmidt em uma marcha desenfreada pela dominação global – mas é claro que com Steve Rogers transformado em uma verdadeira máquina de combate, a batalha ficará muito mais equilibrada.

O bom e velho maniqueísmo vai sempre ditar as ações dos protagonistas. O general alemão é um vilão sem escrúpulos, que pensa apenas em si mesmo e não hesita em atirar, ainda que seja contra seus próprios combatentes. Rogers, por outro lado, prega a não violência, “não quero matar ninguém”, diz o pacifista quando perguntado sobre como queria ajudar o país nos frontes de batalha, e em momento algum apresenta desvios de caráter.

A falta de profundidade psicológica é o principal problema do filme, especialmente em se tratando de um super-herói da Marvel. Personagens como Peter Parker (“Homem-Aranha”), Tony Stark (“Homem de Ferro”) e os integrantes do “X-Men” sempre sofreram com conflitos internos, dúvidas e incertezas cabíveis a qualquer ser humano e isso foi bem transmitido nos respectivos filmes.

Sim, “Capitão América” tem problemas, mas o filme deslancha boa dose de entretenimento e em nenhum momento as duas horas de duração se tornam cansativas. Diversos elementos cômicos e cenas de ação – que são muitas – ajudam para não deixar que a peteca caia.

Destaque também para a trilha sonora repleta de ambientações, bem ao estilo “Indiana Jones”. As músicas não ficam na cabeça, mas têm papel essencial na construção da tensão e do clima heróico dos acontecimentos.

“Capitão América: O Primeiro Vingador” pode não ser a melhor empreitada da Marvel, mas definitivamente não é dinheiro perdido e tem potencial para agradar desde os fãs de super-heróis até quem estiver em busca de um filme “light” para o fim de semana. Depois é só esperar para maio de 2012, quando “Os Vingadores” estreia mundialmente. Que venham os vilões!    

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