Carreira militar é opção para jovens disciplinados

Carreira militar é opção para jovens disciplinados

Atualizado: Segunda-feira, 22 Agosto de 2011 as 9:23

Gustavo Hune, de 18 anos, acorda todos os dias às 5h50 da manhã, arruma a cama, faz a barba e veste a farda. Ele é um dos 518 alunos da Escola Preparatória de Cadetes do Exército (ESPCEX), em Campinas. Gustavo, que está no primeiro ano, recebe R$ 750 por mês para estudar e desenvolver habilidades como tiro, transposição de rios e rapel. "Posso fazer uma série de atividades radicais que, fora, eu pagaria para fazer. Aqui, eu recebo para isso", atesta Hune.

Seguir carreira nas forças armadas é opção para jovens que buscam conquistar um emprego estável, sem muitas surpresas do ponto de vista empregatício. "Geralmente, quem se volta para o serviço militar é por conta da estabilidade no emprego e um plano de carreira extremamente bem definido", explica o Coronel Samuel Horn Pureza, chefe da divisão de ensino do colégio militar de Brasilia.

Da escola para o quartel

Existem 12 colégios militares no Brasil, instituições que se caracterizam por adotar características sociais típicas das forças armadas já a partir do ensino fundamental. "Por ser uma instituição custeada pelo exército, ela prega valores e conceitos próprios das forças armadas. O aluno não é um soldado, mas usa farda, por exemplo", esclarece o Coronel Pureza.

No colégio, além de receberem condecorações de acordo com as notas obtidas, como tenente aluno, ou cabo aluno, os estudantes possuem regras específicas. Meninos e meninas têm que manter a distância de um braço um dos outros, é necessário sempre prestar continência aos superiores, garotas não podem deixar os cabelos soltos e piercings são expressamente proibidos. Hinos brasileiros e gritos de guerra, claro, também fazem parte da rotina.

"De início é bastante difícil, mas depois você se acostuma", garante Ítalo Vieira, de 17 anos, estudante do 2º ano do colegial no colégio de Brasília. Ele explica que tem vários amigos que namoram com garotas do colégio, e a situação não é tão difícil quanto parece. "Dentro do colégio não pode namorar, mas quando não estamos fardados não tem problema algum", explica.

Dura rotina de aspirante

Aqueles que já se formaram no Ensino Médio, e estão certos de que querem seguir na área, podem prestar concurso e se candidatar a uma vaga na ESPCEX. Na escola, a rotina é puxada com aulas acadêmicas, palestras e treinamentos. "A rotina é bem cansativa. A gente é pago para estudar então é natural que exista muita cobrança", conta Hune.

Além disso, quando o aluno sai da linha ele é penalizado, podendo perder o direito a tempo livre nos finais de semana, regulamento do qual Hune já foi vítima. "Faltei em uma palestra uma vez, estava estudando e perdi o horário. Não pude sair na sexta-feira à noite". Situação que ele garante não ter se repetido.

Travessias de rios e lagos fazem parte do treinamento dos aspirantes

Assim que o aluno deixa a ESPCEX, depois de quatro anos, ele já passa a receber um salário base de R$ 4300. Mas, claro, é necessário estar preparado para assumir a identidade militar e tudo o que isso engloba. "Você modifica a forma de falar, de se portar, de se vestir, de arrumar seu cabelo... Todas suas características individuais são deixadas de lado e você adere a um conceito de grupo", conta o estudante de direito e letras Guilherme Kfouri, 22, que participou do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR) em 2007.

Experiência militar para universitários

O CPOR é voltado para jovens de 18 anos que acabaram de iniciar os estudos no ensino superior, o programa faz uma seleção, através de provas de aptidão física e intelectual, entre aqueles que se alistam para o serviço militar obrigatório e demonstram interesse.

Uma vez dentro, o jovem passa um ano recebendo treinamento intensivo em todas as disciplinas militares, o que pode representar mudanças bruscas na personalidade de quem passa pela experiência. "Você está com fome, frio, cansado e, mesmo assim, tem que estar disposto. É pressão psicológica o dia inteiro, por isso o poder de adaptação que você adquire é incrível", conta Kfouri.

No caso de Kfouri, as diferenças entre a vida civil e a vida militar eram bruscas: enquanto pela manhã ele participava do programa de treinamento do exército, pela noite ele frequentava as aulas da faculdade de letras na Universidade de São Paulo, instituição com histórico de rusgas com os militares. "É muito diferente a lógica artística, poética e musical da lógica militar. Eu vivia os dois extremos, mas eu consegui desenvolver os dois lados sem entrar em conflito interno", relata.

Apesar das dificuldades, Guilherme garante que a experiência compensou, principalmente por conta dos amigos novos: "os laços de amizade que se criam são muito fortes, porque você passa por momentos de muita pressão com os seus colegas de quartel".

Marinha para os amantes do mar

Já Douglas Oliveira, de 21 anos, sempre teve relação próxima com a água. "Desde criança, o mergulho foi algo que sempre gostei, o que me fez, naturalmente, gostar também do mar", conta.

Na Marinha, soldados marcham em cenário paradisíaco

Outros aspectos também o ajudaram e tomar a decisão. "As oportunidades de viajar, a vida a bordo de um navio e o próprio uniforme branco, inconfundível característica da Marinha, também contribuíram para confirmar essa vontade de criança", diz.

Um dos aspectos singulares da opção por cursar a Escola Naval é que no quarto ano, quando os alunos se formam, todos recebem o que é chamado de Viagem de Ouro: uma volta ao mundo em um navio da Marinha, passando por diversos países, desde o Marrocos, até Espanha e Estados Unidos.

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