Como encontrar um bom emprego em pequenas e médias empresas

Como encontrar um bom emprego em pequenas e médias empresas

Atualizado: Sexta-feira, 15 Abril de 2011 as 1:04

As micro, pequenas e médias empresas são responsáveis por 56% dos empregos formalizados do País e representam 98% das companhias no Brasil, segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Mas como encontrar bons empregos nessas companhias?

"As pequenas empresas são consideradas fornecedoras de mão de obra para as grandes, mas o profissional não deve buscar uma organização menor focalizando uma oportunidade em outro lugar", afirma Eberson Luiz Federezzi, diretor e fundador da empresa de recursos humanos Global Network.

Segundo o especialista, as micro, pequenas e médias empresas atualmente investem em estratégias e ferramentas para reter os profissionais talentosos e que trazem resultados e inovações. Federezzi destaca que a falta de mão de obra especializada preocupa os empresários.

Por ser praticamente impossível competir com os altos salários oferecidos pelas grandes companhias, eles utilizam outras técnicas para reter seus funcionários: ambientes corporativos mais atraentes, benefícios, prêmios, possibilidades de crescimento, e mudanças na cultura organizacional.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), utilizando o critério do Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat), são consideradas micro as empresas com até nove funcionários, pequenas são aquelas que empregam de 10 a 49 profissionais, médias possuem de 50 a 249 e grandes as que ultrapassam esse número.

Em 2008, de acordo com o instituto, do total de 4.607.261 empresas ativas no País, 4.096.115 (88,9%) eram microempresas, 433.689 (9,4%) eram pequenas

Como encontrar

As organizações de menor porte oferecem boas oportunidades, mas é preciso persistência para encontrá-las, já que as ofertas são pulverizadas e mais difíceis de serem localizadas. "O networking é fundamental. Retomar contatos antigos, sempre manter relações com os ex-colegas e chefes de trabalho, mesmo que seja virtualmente, é imprescindível. A busca por uma vaga deve ser contínua: quanto maior for o esforço, menor será o tempo despendido", aponta Federezzi.

Na hora de buscar emprego é essencial que o profissional seja pró-ativo e perceba quais competências ele precisa para ajudar determinada empresa. Segundo Braulio Candian, diretor da Sampling Planejamento, Consultoria e Treinamentos, em qualquer empresa isso é necessário. Entretanto, nas pequenas é mais intenso, já que não possuem uma área específica que faça essa seleção. "Na entrevista, é melhor que você pergunte qual perfil a empresa busca."

As organizações de pequeno porte buscam profissionais com perfil empreendedor, que vistam a camisa da empresa. Pessoas que estimulem o crescimento da empresa e se dediquem para transformar o negócio em um produto de sucesso, como se fosse o seu próprio.

"É importante que o profissional avalie se ele se encaixa nas empresas de pequeno porte. A vantagem é a possibilidade de desenvolver habilidades e alcançar novos níveis na hierarquia mais rapidamente", afirma Federezzi.

Vantagens

Um dos benefícios dessas empresas é a flexibilidade. Como estão em constante processo de desenvolvimento, os cargos e estruturas também são mais flexíveis e receptivos a mudanças. Além disso, os processos decisórios acontecem com maior agilidade, pois o número de pessoas envolvidas é menor. "Disposição, criatividade e pró-atividade são competências muito valorizadas pelos pequenos empreendedores. O profissional deve analisar a área na qual deseja se estabelecer e observar o nível de profissionalização da empresa que tem como alvo para então disputar a vaga", aconselha Federezzi.

Outro ponto a favor é o fato do relacionamento hierárquico ser muito direto. "Elas não possuem diversos níveis. Por isso, a ascensão da carreira do profissional tende a ser mais rápida", afirma Candian.

Dicas

Segundo Lilian Graziano, professora de gestão de pessoas da Trevisan Escola de Negócios, a maior parte das contratações acontece por meio de indicação. "É fundamental que o profissional tenha um bom networking." As pequenas e médias empresas trabalham com equipes menores. Por isso, quando abrem uma vaga, é preciso preenchê-la rapidamente, pois uma pessoa a menos pode representa rum grande desfalque na equipe.

Outra forma de chegar a esse mercado é enviar o currículo para empresas da área de interesse do profissional. "Em um primeiro momento, essas empresas buscam indicação. Se não recebem nenhuma, vão diretamente ao banco de currículos que possuem", explica Lilian. Para encontrar essas organizações, o profissional pode começar a procurar pelos locais onde mora e costuma frequentar.

Candian também aconselha que os profissionais olhem para o mercado de interesse e pensem o que podem oferecer para cada empresa. Feito isso, é hora de pesquisar, nos mais diversos meios – revistas, palestras e internet –, companhias que procurem competências que a pessoa possua. "A dica é pensar: o que uma pequena empresa precisa que eu possa oferecer."

O mercado de franquias também é crescente e, em sua maioria, formado por pequenas empresas. Candian destaca que há publicações e feiras ligadas às franquias, nas quais o profissional consegue mapear os setores. "Há uma grande diversidade de segmentosE muitas são empresas que estão começando." Além disso, frequentar esses lugares ajuda a ampliar o networking do profissional.

Planejar visitar nas empresas também é uma alternativa. Candian destaca que a companhia pode nem estar com uma vaga em aberto, mas se o profissional se mostrar interessado e apresentar soluções que possam ajudar a melhorar o faturamento e a produtividade, poderá ser contratado. "A coragem é fundamental, principalmente para quem está começando. Aqueles com mais experiência já possuem uma boa rede de relacionamentos e, provavelmente, são contratados por indicações."

Por: Patrícia Lucena

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