Construindo pontes entre as gerações X e Z

Construindo pontes entre as gerações X e Z

Atualizado: Sexta-feira, 18 Março de 2011 as 9:41

O que fazer quando você encontra-se entre duas gerações tendo que ser a ponte entre elas?

Miriane Ferreira Medeiro tem apenas 21 anos e conhece bem o que é isso. Filha do pastor da Assembleia de Deus em Caçu (GO), ela sempre conviveu com muita pressão. Os mais velhos a queriam como um exemplo para os jovens, já os jovens a viam como a representante deles junto ao pastor.

Ela preferiu evitar o choque. “Pelo diálogo, se chega ao acordo. Não podemos ter medo do debate. Creio que essa tendência ao debate saudável faz, inclusive, parte das nossas bases, da nossa herança como protestantes. Os protestantes surgiram por questionar os ensinos heréticos do catolicismo romano, que não concordou com um debate saudável. Como protestantes, ainda hoje somos ensinados a confrontar tudo com a Palavra de Deus, e acredito que isso tenha se tornado ainda mais intenso nos últimos anos. Afinal, quanto maior o número de informações, maior o questionamento”, analisa Miriane, que é estudante de Psicologia.

“O acesso à informação está mais acentuado. Essa facilidade não existia na minha época”, afirma Miriane. Mas, espere aí: A expressão “Não existia na minha época” está sendo dito por uma menina de 21 anos? Sim! Miriane já sente não ser a caçula de sua geração, e está certa. “Dias atrás, uma adolescente me ligou perguntando sobre um remédio. Falei o que eu sabia a respeito, citei um similar e perguntei se ela conhecia. Ela disse que nunca tinha ouvido falar, apesar de ser conhecido, mas lia a bula dele naquele momento. Falava comigo e digitava o nome do remédio para se informar no Google”, diz Miriane, fazendo menção à Geração Z, nascida nos anos 90, de que falaremos a seguir.

Intergeracional Para o professor Alberto, os conflitos geracionais não são de todo um problema se houver cuidado na hora de acolher as inovações. “Toda novidade traz estranhamento e algumas realmente devem ser rejeitadas, mas as que são boas podem ajudar e muito. Em tudo devemos aplicar o amor e ter o discernimento espiritual para compreender o que é bom, salutar e edificante à comunidade cristã”, dosa o professor.

Eline Kullock lembra que o interesse no estudo sobre as gerações nasceu da necessidade percebida pelos gestores de empresas, já que o conflito vinha diminuindo o rendimento das empresas. “Todas as gerações sempre conviveram juntas. No entanto, hoje o crescimento profissional é mais rápido, graças à aceleração do mundo em geral, principalmente em decorrência do desenvolvimento tecnológico. Os jovens de hoje chegam ao poder mais cedo e de forma mais rápida, entram no mercado precocemente, assumem altos cargos ainda novos. Logo, se sentem maduros para se posicionarem diante de qualquer assunto. E considerando que as pessoas também estão vivendo mais, temos diferentes gerações convivendo, o que causa tantas discussões e possíveis conflitos no dia-a-dia dessas pessoas”. Mas, ela lembra que não é bom sair rotulando: “As classificações existem no intuito de facilitar a compreensão dos marcos existentes entre as diferentes gerações, mas não devem ser taxativas ou radicais”.

Conflitos intergeracionais sempre existiram e sempre existirão, o importante é compreensão e equilíbrio. Tudo que é novo precisa ser administrado para que não seja desprezado o que Deus derramou sobre nossos pais. Afinal, pessoas de ontem foram instrumentos de Deus para sua vida hoje, para o que você é hoje. Como destaca o professor Josué de Souza: “Os mais jovens são a renovação da vida em sociedade. O desafio é conseguir conciliar o questionamento dos mais jovens com a experiência das gerações anteriores”.

Por Henrique Rodrigues / Redação CPAD News

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