Consumismo na adolescência

Consumismo na adolescência

Atualizado: Sexta-feira, 16 Setembro de 2011 as 4:43

Os pais e responsáveis vivem um dilema: atendem ou não todos os pedidos dos adolescentes? Entre vários "sonhos" de consumo está a ditadura da moda, que tem nos produtos de "marca" seus carros chefes. Além da moda há o salão de beleza, os ambientes "chics", o lanche da multinacional e uns cem números de outros desejos.

Quer por status, quer para se sentir incluso, ou ainda para simplesmente ostentar, entendendo que desta maneira será "popular", os adolescentes podem levar famílias ao caos financeiro.

Tudo isso tem um preço, e caro. A mídia sabe o potencial deste mercado e explora com maestria. Isso leva a desejar, por exemplo, um celular, mas não um simples celular, tem que ser o top, aquele que contempla todos os recursos para a conectividade total. Quando o assunto é ir à praia ou a piscina, na ótica deles, é impossível não ter pelo menos três roupas de banho distintas. Em se tratando de mulheres, são pelo menos três biquínis, de "marca".

O tênis deve ser o mais conhecido. Pouco impor se custa em torno de um salário mínimo. É este, ou nada feito, afinal o que amigos vão dizer? E pensar que usei conga e kichute na minha adolescência...

Os acessórios são outros desejos de consumo. Brincos, colares, relógios, entre outros, devem mostrar todo o lado fashion das meninas. Os garotos desejam os bonés, roupas transadas e nas festinhas, sempre bem vestidos para impressionar. A estética está em alta não somente no universo feminino. Os meninos se renderam aos cabelos produzidos, perfumes de "marca" entre outros. O que fazer diante deste quadro? Na prática os filhos são reflexos dos pais e educadores. Os responsáveis pelos filhos devem deste a infância estabelecer limites de consumo e demonstrar com clareza o quanto é difícil ganhar dinheiro e manter um patamar de consumo elevado. Evidentemente que há aqueles que nasceram em condições financeiras mais vantajosas, mas mesmo estes devem ser educados para vida financeira. É o que podemos chamar de dar valor às coisas.

Uma educação completa impõe limites, ensina que o equilíbrio da vida está em utilizar os bens materiais para melhorar a vida e que os verdadeiros valores não estão em possuir, ter coisas, mas sim em ter uma consciência coletiva, em forjar cidadãos que pratiquem a solidariedade e que sabem que o melhor é ser reconhecido pelo que efetivamente a pessoa é. Não é tarefa fácil. Esta geração nasceu digital, se isola, pula etapas na vida, são sedutores desde cedo e cresceram com os descartáveis, com a falta de perenidade. A educação completa passa por ensinar os limites em cada etapa da vida. Se há adolescentes consumistas, muito de deve a permissão que os pais concederam.

Nunca é tarde para rever essas questões. Isso vale tanto aos pais como para os filhos adolescentes. Viver com mais simplicidade pode ser um primeiro indicativo.

Por: Reinaldo Cafeo - economista, presidente da Acib e articulista do JC

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