Crianças brasileiras são as mais jovens a acessar sites de relacionamento

Brasileirinhos cada vez mais jovens nas redes sociais

Atualizado: Segunda-feira, 6 Fevereiro de 2012 as 11:21

O fenômeno é mundial: crianças e adolescentes passam cada vez mais tempo conectados às redes sociais. No Brasil, não é diferente. Recente pesquisa sobre o assunto aponta as crianças do País como as mais jovens a acessar sites de relacionamento. Em média, o primeiro contato é aos 9 anos, enquanto no resto do mundo se dá aos 12 anos. 

Esse quadro confunde a cabeça dos pais e divide especialistas. Afinal, qual o limite para o acesso de crianças em portais como Orkut e Facebook?

Segundo Patrícia Peck Pinheiro, especialista em Direito Digital e idealizadora do Movimento Criança Mais Segura na Internet, as redes sociais representam oportunidade para os pequeninos se socializarem. 

“A internet trouxe a rua para dentro de casa. É importante estimular o uso ético, seguro e legal. Proibir a utilização não é uma solução, pois as crianças têm seus amigos conectados na rede. O que os pais precisam fazer é orientar e participar, para que eles aprendam desde cedo a ter relacionamentos digitais saudáveis”, sugere.

Wellido Teles, professor do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte) e especialista em redes sociais, acredita que a cautela é o melhor remédio. “A internet e as mídias sociais são plataformas extremamente úteis e valiosas. Contudo, também são traiçoeiras, sobretudo para crianças que ainda não passaram dos 10 anos”. 

Ele reforça que é fundamental que haja um limite na web, com o intuito exclusivo de proteger os filhos. “Vejo a necessidade de estipular horários para uso da internet, que devem ser respeitados. Se adultos já correm o risco de ultrapassar os limites, imagine como é esta situação para meninos e meninas que encontram na internet inúmeras opções de entretenimento e relacionamento. As horas literalmente voam”. 

Para Simão Pedro Pinto Marinho, coordenador do programa de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais e que trabalha com tecnologias digitais na educação, os limites impostos pelos sites precisam ser respeitados. “O Facebook e o Orkut já determinam qual é a idade certa, para que não haja risco de exposição desnecessária”. 

Ele se diz contrário à criação de perfis de crianças e, consequentemente, do monitoramento dos pais. “Não entendo que formação é essa, em que é preciso vigiar. Trata-se do caminho inverso para a criação da confiança”.
Aos 10 anos, vai à rede falar com as amigas

A adesão dos pequenos às redes sociais é algo cada vez mais comum. Juliana Duarte Carvalho Gomes, de 10 anos, conta que tem perfil no Facebook. “Todas as minhas amigas tinham e eu queria me comunicar com elas”, afirma a garota, que gosta de conversar sobre diversos assuntos. “Falamos sobre o que aconteceu na escola, nossos artistas preferidos, entre outras coisas”.

A mãe, Kátia Silene Duarte, diz que confia na filha, mas procura monitorar seu acesso. “Conversamos muito, mas, mesmo assim, sempre fico de olho. Tenho acesso à senha e ela me pergunta tudo o que acha diferente. Juliana sabe que só deve aceitar solicitações de amizade de pessoas que realmente conheça”, esclarece.

Aline de Goes Nunes, de 9 anos, revela que utiliza o Facebook por curiosidade e para ficar mais próxima de colegas e familiares. “Gosto de ver fotos dos meus amigos e saber o que está acontecendo com todos que conheço. Além disso, queria me comunicar com meus colegas e com minha família”. 

Sua mãe, a funcionária pública Célia Góes, não considera prematuro o acesso de sua filha às redes sociais. “É algo natural, pois muitas crianças fazem o mesmo”. Porém, como todo cuidado é pouco, ela conta que administra o tempo e a forma como a menina utiliza a ferramenta. “A Aline fica cerca de uma hora por dia conectada. Tenho a sua senha e controlo os amigos que pedem para entrar em seu perfil”.

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