Dependentes químicos podem pedir ajuda por telefone 0800

Dependentes químicos podem pedir ajuda por telefone 0800

Atualizado: Segunda-feira, 27 Junho de 2011 as 8:35

Os Centros de Atenção Psicossocial são públicos e estão em todos os estados brasileiros. Funcionam como um posto de saúde para quem é dependente químico ou tem qualquer outra doença psiquiátrica

Neste domingo (26), Dia Mundial de Combate às Drogas, o Fantástico mostra como a luta de uma mãe para livrar o filho do crack, um caso que apresentado domingo passado (19), comoveu o Brasil. Você vai saber também como outros dependentes dessa substância tão perigosa lutam para abandonar o vício.

"Eu comecei a usar droga com 12 anos. Ele fez eu perder muita coisa. Eu perdi família, eu perdi respeito, eu perdi consideração", conta Elaine Cristina da Silva, 28 anos.

"Perdi carro, perdi um monte de oportunidades também", lamenta Germano.

"Eu demorei bastante pra querer ajuda. Eu achava que eu sozinha ia conseguir", diz Elaine.

As histórias do crack começam e caminham quase sempre do mesmo jeito. O que as famílias e os amigos tentam mudar é a forma como elas terminam. Germano e Elaine são ex-viciados na droga usada por mais de 600 mil pessoas no Brasil. Os dois estão em fase de recuperação.

É o que Dona Rosalina quer para o seu filho. No domingo passado (19), ela comoveu o país ao contar no Fantástico sua dificuldade para tratar o jovem.

Quase 90 pessoas escreveram e ligaram para tentar ajudá-la. "São muitas mães que escreveram para mim e choraram comigo naquela entrevista", diz dona Rosalina.

Mães como a secretária Zenilda, que telefonou de Fortaleza: "Tenho três filhos. Nunca passei por esse problema, mas eu senti muito por todas as mães que passam esse problema".

As duas, que nunca se viram, já fazem planos. "No dia que ele se recuperar, que ele voltar para casa, eu vou bater aí para gente comemorar junto, para gente fazer uma festa", diz Zenilda.

O vendedor Marcelo usou drogas por 19 anos. Resolveu levar toda a família para conversar com o filho.

"Houve um momento em que eu falei: 'olha, isso basta. Chega. Eu preciso de ajuda'. Eu reconheci que eu era impotente", conta o comerciante Marcelo.

"Eu já perdi demais. Era para eu estar casado hoje", conta Lucas, filho da dona Rosalina.

Por conta dos tratamentos do filho, dona Rosalina tinha uma dívida com uma clínica particular e com o plano de saúde . No quadro 'O conciliador', ela conseguiu negociar o que devia.

O jovem já esteve internado mais de dez vezes. A mãe frequenta um grupo de apoio a familiares em um lugar chamado de Caps, Centro de Atenção Psicossocial.

Os Caps são públicos e estão em todos os estados brasileiros. Funcionam como um posto de saúde para quem é dependente químico ou tem qualquer outra doença psiquiátrica.

"Não é uma população que dá pra você falar: 'olha, marca para daqui a uma semana'. Ele tem que ter porta aberta e ele tem que ter um acolhimento pelo menos naquele dia", diz Rosângela Elias, coordenadora da área técnica de saúde mental, álcool e drogas de SP.

Lá os pacientes são avaliados e tratados. Os casos mais graves podem ser encaminhados para a internação.

"Se for um paciente que tem uma dependência instalada, que não consegue ficar sem a droga, a melhor chance que ele tem é se ele for internado", explica Arthur Guerra, psiquiatra e coordenador do grupo de álcool e drogas da USP.

Na única clínica municipal de São Paulo especializada no tratamento de dependentes de droga, são 80 pacientes internados que fazem atividades físicas e têm um tratamento médico e psicológico. A maioria das pessoas lá era usuária de crack.

A instituição modelo foi inaugurada no ano passado em uma parceria com um hospital privado. Os pacientes ficam lá no máximo três meses.

"A internação, é importante a gente ter claro, ela é uma parte do tratamento. As pessoas às vezes vêm com a expectativa: 'internou, saiu ótimo, está muito bem, vamos embrulhar pra presente, está bom para sair na rua'. Não é isto", alerta Pedro Katz, diretor técnico do Said.

Para especialistas, o mais importante e mais difícil é convencer os usuários de crack a aceitar ajuda. Quando isso acontece, todo o sistema de saúde precisa estar preparado para receber pacientes e familiares.

"O problema é grave. Estamos fazendo muita coisa, mas precisamos ainda ampliar muito essa rede pelo país todo. Cada ponto da rede, onde o usuário chegar, ele vai ter orientação adequada. Pode ser na unidade básica, no Samu, no pronto-socorro geral ou no hospital psiquiátrico ou no Caps", afirma Helvécio Magalhães, secretário de atenção à saúde do Ministério da Saúde.

Hoje, quem precisa de atendimento pode ligar de qualquer lugar do Brasil para o número 0800 61 1997.

Depois de 16 anos consumindo maconha, cocaína e crack, Elaine pediu para ser internada. Procurou um hospital-geral e depois foi a um Caps. De lá, foi encaminhada para a clínica pública, na Zona Sul de São Paulo.

"Eu vou sair daqui sábado provavelmente. Não vou falar que eu estou com medo das drogas, não estou. Porque eu não quero mais. Eu já sei tudo que eu perdi lá atrás. E eu não quero novamente, eu quero reconquistar, e não quero perder aquilo que eu reconquistar de novo. Eu só quero melhorar a minha vida", garante Elaine.

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