Desemprego global é recorde entre os jovens

Desemprego global é recorde entre os jovens

Atualizado: Sexta-feira, 13 Agosto de 2010 as 1:03

A crise econômica mundial cobrou seu maior preço sobre a juventude e o desemprego entre pessoas de 15 a 24 anos atingiu sua marca recorde. Dados divulgados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que, entre 2007 e 2009, 7,8 milhões de jovens foram demitidos e a entidade já fala de uma "geração perdida".

Metade desse número de novos desempregados foi registrado nos países ricos, epicentro da crise. Mas um milhão de jovens na América Latina também perderam seus empregos, o que faz a região a pior entre todas as economias em desenvolvimento. Já o Brasil seguiu uma tendência contrária. Em 2007, 22% dos jovens estavam desempregados. Em 2010, essa taxa é de 17%. Mas o número ainda é bem superior à média mundial e chega a ser mais elevada que a média de jovens desempregados na América Latina.

Pelos cálculos da OIT, 29 milhões de pessoas perderam seus empregos no mundo entre 2007 e 2009. Um a cada quatro, porém, eram jovens. No início de 2010, 80,7 milhões de jovens estavam sem trabalho, o maior número já registrado pela OIT. A taxa de desemprego nesse segmento passou de 11,9% para 13,2% em apenas dois anos e a tendência é de que continue a crescer em 2010.

Muitos cortes. "Nunca havíamos visto números assim em um espaço tão curto de tempo e tememos que os últimos anos tenham criado uma geração perdida de jovens que dificilmente conseguirão voltar ao mercado de trabalho em condições ideais", afirmou Steven Kapsos, um dos autores do levantamento. Entre 2000 e 2007, cerca de 191 mil jovens foram demitidos por ano no mundo.

Mas só em 2009, esse número chegou a 6,7 milhões.

Os maiores números de desempregos foram vistos nos países ricos. Esse grupo de países tem apenas 10% dos jovens do mundo. Mas contabilizou 45% dos jovens no mundo que perderam seus empregos entre 2007 e 2009.

Em apenas um ano, quase 3 milhões de jovens europeus, americanos e japoneses perderam seus trabalhos.

Em média, 17% dos jovens das economias desenvolvidas estão desempregados, contra apenas 13,1% em 2008. ''No total, são 16,8 milhões de pessoas que começam a se perguntar se de fato encontrarão algum trabalho'', alertou Kapsos. A pior situação é da Espanha, onde a taxa de jovens sem trabalho chega a 40%. Em 2007, esse número era de 17%. Nos Estados Unidos, a taxa de desemprego entre jovens passou de 10% para 18,6% em dois anos. Na Grécia, a taxa passou de 24% para 30%.

No caso dos países emergentes, o número de jovens demitidos desde o início da crise foi bem menor que nas economias ricas. Mas o impacto social pode ter sido mais profundo. Isso porque esses jovens não contam com seguro-desemprego, como nos países ricos. "O temor é de que essas demissões simplesmente aprofundem a pobreza", alertou Kapsos.

A OIT ainda concluiu que, mesmo entre os jovens que trabalham, muitos não conseguem ter uma renda suficiente para sair da pobreza. 152 milhões de jovens estariam nessa situação no mundo - 28% dos jovens trabalhadores.

Receita

Para a OIT, a receita para reduzir o número de desempregados em todo o planeta é manter programas sociais e incentivos para que empresas contratem trabalhadores mais jovens.

Por: Jamil Chade

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