Dia dos namorados: alegrias e dores

Dia dos namorados: alegrias e dores

Atualizado: Quinta-feira, 10 Junho de 2010 as 12:12

Datas comemoradas massivamente, para homenagear aqueles a quem amamos e valorizar sentimentos pessoais, como o Dia dos Namorados, trazem grande alegria para muitos, enquanto que, para tantos outros, só motivam tristeza e dor.

Quando, nesse dia, não se tem a quem homenagear, dando uma lembrancinha, ganhando um presentinho, ou simplesmente saindo para passear, a frustração pode ser grande, talvez porque nesta data os sentimentos de tristeza e abandono se intensificam, na mesma medida em que a participação de todos chega a parecer obrigatória, às vezes até mesmo para aqueles que reconhecem a perversa relação entre datas especiais e marketing comercial.

O pior, porém, é o primeiro Dia dos Namorados depois do término de uma vida, às vezes muito antiga, em comum: as lembranças se misturam à raiva, à saudade, ao ciúme, ao amor incompleto e incontido, ao sabor acre e salgado das lágrimas, num coquetel de péssimo gosto, indicando que não há mais nada a comemorar.

A sensação que se tem é de que esse estado de sentimentos não vai passar nunca, junto com a certeza de que nenhum novo amor jamais acontecerá, na ainda longa vida. A solidão toma a alma da pessoa que se sente abandonada, e a faz reviver as lembranças ainda vívidas do amor passado, embora, pelo menos nesse momento, elas devam ser evitadas a todo custo, pois esta não é uma ocasião para recordar mas, antes, para esquecer tudo o que for possível, porque lembrar das situações anteriores, experimentadas num passado tão próximo, intensifica o sentimento de injustiça, de ter sido vítima de uma armadilha da qual é muito difícil escapar: a pessoa se sente numa prisão sem grades, da qual não consegue se libertar, por mais solta que esteja na vida. Aliás, estar solta na vida é de repente o grande problema, assim como o é recomeçar a partir da solidão.

Nessa condição é preciso se cuidar muito, para que a perda não afete os centros importantes da vida. Continuar a trabalhar, a conviver socialmente, a ter amigos e buscar junto a eles uma motivação para se alegrar, fazer um curso ou dedicar-se a alguma causa há tempos adiada e, principalmente, não se castigar, deformando a silhueta ou perdendo a vaidade, são as propostas indispensáveis para se sobreviver ao rompimento.

Em geral, os envolvidos não percebem que antes de estarem sujeitos a um amor agora impossível, eles estão sujeitos às transformações naturais da vida e que, provavelmente, muito em breve outro amor virá, outros Dias dos Namorados serão comemorados e uma nova e mágica aventura tomará o lugar da perda.

Basta esperar e se conscientizar de que é necessário se abrir a novas emoções, a novos conhecimentos, sem pena de cortar os vínculos com a relação anterior, sem remorsos por desistir e, principalmente, sem medo de se machucar outra vez, para poder, corajosamente, amar de novo.

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