Dois bicudos não se beijam

Dois bicudos não se beijam

Atualizado: Quarta-feira, 27 Novembro de 2013 as 10:24

briga - namoroDias atrás presenciei a seguinte cena: dois jovens casais, todos eram amigos, juntos em uma mesa de restaurante e conversavam sobre educação de filhos. Ainda não eram pais, mas entraram em um acirrado debate de como educar meninos e meninas. Um casal especificamente parecia mais envolvido com a questão e travaram um caloroso debate entre eles. Duas pessoas claramente esclarecidas, de opiniões fortes, discordavam sobre diversos pontos. Não se escutavam e buscavam o apoio de seus amigos. Não chegaram a nenhuma conclusão. Sabiamente um dos amigos interrompeu a discussão e mudou o rumo da conversa. Saldo da noite: o casal que estava feliz se desentendeu, perderam a boa companhia dos amigos e ela chorou.
 
Essa é uma cena comum e que se repete muitas vezes ao nosso redor. Pessoas se desentendem (isso é normal), mas quando se trata de um casal onde esse tipo de entrave acontece habitualmente, existe o risco do desgaste da relação e um pode ferir o sentimento do outro.
 
Não nascemos sabendo lidar com as diferenças, aprendemos à medida que amadurecemos para conviver com ela. Seria chato um mundo onde todos concordassem sobre tudo. A possibilidade da troca nos traz crescimento e enriquecimento. Acima de tudo, nos faz exercitar a compreensão sobre o outro e a empatia.
 
Aplicando esse conhecimento para o mundo das relações, podemos afirmar que o maior desafio está em encontrar o equilíbrio na convivência. Uma relação onde ninguém discorda pode ser tão cansativa quanto aquela onde o embate é constante. Nem um extremo nem outro.
 
Para alguns casais, por mais que se amem, o equilíbrio pode ser difícil de alcançar. São pessoas que para manterem seu ponto de vista, tornam-se irredutíveis e fechadas a outras opiniões. Os dois esquecem que simplesmente pensam de forma diferente sobre um determinado assunto e vira uma questão de honra definir o vencedor. Isso é ruim para o próprio casal e bem incômodo para quem está ao redor.
 
A fim de evitar mágoas e ressentimentos que se acumulam a cada discussão, o casal pode (e deve) recorrer a alguns exercícios. Primeiro: se esforçar e desenvolver a capacidade de escuta (parece simples, mas poucas são as pessoas que estão verdadeiramente abertas a escutar o que o outro tem a dizer). Segundo: muitas vezes temos tantos pré-conceitos que atropelamos o parceiro e não damos espaço para que ele se expresse livremente. Terceiro: vale compreender que uma opinião diferente não é um ataque, é apenas uma opinião. Não importa quem está certo ou errado, o que importa é o crescimento, a possibilidade de ouvir algo novo e reformular ideias previamente formadas. Durante uma discussão, um dos dois ao perceber que os ânimos estão exaltados, recue e observe o ponto que estão para recomeçar a conversa.
 
Independente de terem ambos uma personalidade mais forte, trata-se de uma relação e não de uma disputa. O mais importante é saber que existe espaço para todas as opiniões e que a ideia do outro tem tanto valor quanto a sua. Quando chegamos nesse ponto, passamos a valorizar ainda mais a troca, a apreciar o fato de termos ao lado alguém diferente de nós e que pode agregar e contribuir para um ciclo de constante crescimento e transformação na vida.
 

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