Encarando a ginástica rítmica

Encarando a ginástica rítmica

Atualizado: Segunda-feira, 31 Outubro de 2011 as 9:13

Este ano, a seleção brasileira de ginástica rítmica fez sua melhor performance nos Jogos Pan-Americanos com sete medalhas: três ouros no conjunto e uma prata e três bronzes de sua maior estrela, a paranaense Angélica Kvieczynski. Com seus movimentos leves e milimetricamente ensaiados, o grupo nacional arrancou suspiros da plateia ao som da música “My Way”, de Frank Sinatra, garantindo o título que entrará para a história do esporte no Brasil.

Diferente da olímpica, a ginástica rítmica faz sucesso entre as garotas por sua estética mais delicada e a ligação forte com a música, em especial nas técnicas parecidas com as do balé clássico.

Apesar do excelente desempenho no Brasil no Pan, no entanto, ainda é uma modalidade que recebe pouco incentivo e até mesmo difícil de se encontrar em grandes centros esportivos. No Brasil, a seleção treina em Aracajú, em Sergipe, onde fica a base de treinamento e moram as feras que representam nosso país lá fora.

Para aquelas que ficaram inspiradas e têm vontade de aprender mais sobre ginástica rítmica, o iGirl visitou o clube Esperia, em São Paulo, e conheceu de perto o treino nada fácil das garotas que estão se preparando para serem as próximas medalhistas vestindo o uniforme verde e amarelo.

A seguir, veja algumas dicas de como se dar bem na ginástica rítmica:

Flexibilidade, força, coordenação e potência

Para começar na Ginástica Rítmica “basta ter vontade”, conta a treinadora e ex-ginasta Sandra Regina Soares, de 45 anos. Geralmente as garotas se iniciam cedo, aos 5 ou 6 anos, e passam a desenvolver as habilidades principais do esporte que são: flexibilidade, força, coordenação, potência. Também é preciso ter desibinição: “Quando subo no tapete me sinto outra pessoa. Perco toda a vergonha e não me sinto limitada”, diz a estudante Marina, de 11 anos, uma das integrantes do grupo Esperia.

Os treinos, a princípio, acontecem duas vezes por semana, com noventa minutos cada. Depois de um tempo, algumas ginastas começam a mostrar talento para competição e passam a treinar mais pesado, com encontros diários de quatro horas. “As meninas mais talentosas tem um rendimento muito mais rápido e logo estão prontas para enfrentar os torneios”, diz Sandra.

A principal parte da ginástica rítmica “é ter consciência corporal”, enfatiza a treinadora. Quem pretende se dar bem no esporte e ganhar medalhas, no entanto, tem que ter muita disciplina, noção musical e saber trabalhar em grupo. Os exercícios são divididos em duas categorias: solo e individual. E para as apresentações, são utilizados vários aparatos, que fizeram a fama da ginástica, como as fitas, bolas, arcos e maças, entre outros.

No começo, as meninas têm que sofrer um pouco, principalmente nos treinos de flexibilidade, mas isso é importante para não acontecerem lesões no futuro. “De vez enquando eu saio do treino toda ralada e com os pés doendo”, diz Renata, de 12 anos. Segundo a jovem uma das piores partes é fazer a ponta, parecida com a do balé, mas com o tempo dá pra se acostumar. “Em fase de competição, o corpo deve ser preparado e elas sentem dor, principalmente na musculatura”, explica Sandra.

Mas todo o esforço vale a pena quando as ginastas passam a apresentar uma postura mais leve, com as pernas alongadas, musculatura definida e o mais importante: prontas para qualquer desafio: “A melhor parte da GR é competir. Não tem sensação melhor que entrar para ganhar e fazer o melhor que podemos”, diz Carolina, de 12 anos. Já a pior parte “é quando você faz alguma coisa de errado e vem aquela vontade de desistir”, diz Marina.

Responsabilidade de gente grande

Como qualquer esporte, a Ginástica Rítmica exige dedicação e comprometimento com os treinos. É preciso levar a sério, investir muitas horas e insistir nas habilidades mesmo quando tudo parece que vai dar errado - a responsabilidade, todas concordam, é de “gente grande”. Exemplo disso é a estudante Carla Bianca, de 15 anos, que mora em Poá, interior de São Paulo, e viaja todos os dias para a capital, acompanhada da irmã mais nova e a avó para treinar.

O talento de Carla chamou tanto a atenção de uma treinadora de sua cidade natal que a estudante foi indicada ao clube. Hoje ela recebe uma bolsa do Esperia, de vale transporte e alimentação, que a mantém incentivada para as competições da equipe juvenil. “Aqui posso realizar meu sonho de treinar para ser uma medalhista”, diz Carla. Segundo ela, tanto tempo de treino lhe renderam também suas melhores amigas, mas por conta disso pouco consegue ficar com a família - a irmã, no entanto, já está seguindo os passos da mais velha.

Isabela Cepa, de 18 anos, treinou Ginástica Rítmica quando era mais nova, mas desistiu do esporte depois de tanta pressão. “Eu tinha medo de fracassar e não aguentei, mas hoje me arrependo. Vendo as brasileiras ganhando medalha me dá saudade. Se eu pudesse, voltaria sem pensar duas vezes”, diz ela com lágrimas nos olhos.

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