Engenheiro e professor são as carreiras em alta entre as crianças no país

Engenheiro e professor são as carreiras em alta entre as crianças no país

Atualizado: Segunda-feira, 26 Novembro de 2012 as 8:58

 

O pequeno Ayrton Senna sempre quis ser piloto. Roberto Carlos, ainda criança, sonhava em ser cantor. O menino Marcos Pontes só pensava em ser astronauta. O que você queria ser?
 
Uma pesquisa realizada por um site mostrou que as profissões mais sonhadas pelos brasileiros quando crianças são a de engenharia, professor e cientista. Mas também foram citados ninja e princesa. Cada um constrói seu sonho. 
Alexandre tinha 3 anos quando ganhou o brinquedo que mais gostava. Foi a maior lembrança que ficou quando, aos 8 anos, ele perdeu o pai. Dois anos depois, a casa em que ele morava com a mãe pegou fogo. Aos 10 anos, teve a primeira provação. 
“Eu fui junto com os moradores ajudar a apagar a casa. Todo mundo fazendo fila indiana com balde para apagar”, relembra Alexandre. 
 
Perderam tudo, inclusive o brinquedo que representava tanto. “Aquilo dali mexeu muito comigo. Então eu vi que queria ser bombeiro”, conta. 
 
Ele começou a usar as escadas da comunidade como pista de treino. Subia e descia várias vezes ao dia em busca de preparo físico: “E sempre pensando: eu vou ser bombeiro, um dia eu vou ser bombeiro”. 
 
Alexandre precisava estudar para continuar o sonho, mas, naquela situação, teve que começar a trabalhar para ajudar a sustentar a família. Só pôde retomar os estudos cinco anos depois, quando, aos 15, voltou para a antiga terceira série do ensino fundamental. Os estudos estavam só começando. Quando conseguiu acabar o ensino médio, precisava ainda passar no concurso para o Corpo de Bombeiros. 
 
“Comprei os livros de matemática e português e comecei a estudar em casa. Eu falava para mim mesmo ‘Se eu quiser ser bombeiro, vou ter que conseguir fazer isso’”, afirma Alexandre. 
 
Ele conseguiu: “Quando eu entrei na corporação, eu falei assim ‘Esse é o meu sonho, realizei, agora vou fazer de tudo para ser o melhor bombeiro e fazer de tudo por essa corporação’”. 
 
Foi tanto empenho que ele não parou por ali. Quatro anos depois, foi escolhido para representar os bombeiros do Rio de Janeiro em uma competição mundial na Austrália. Eram provas de resistência e força com bombeiros do mundo todo. 
 
“Quando a gente chegou ao mundial, ninguém conhecia. ‘Quem são esses caras?’”, conta. 
 
Ninguém acreditava que aqueles novatos teriam algum futuro. Só que, das quatro provas, em duas, Alexandre quebrou o recordo mundial. Em outra, ficou em primeiro. Ganhou a medalha de ouro e o título de melhor bombeiro do mundo. 
 
“Foi lágrimas, todo mundo chorando, ninguém acreditando”, diz Alexandre. 
 
A pesquisa foi feita com mais de 8 mil pessoas ao redor do mundo e mostrou que só 9% trabalham na profissão que sonharam quando crianças. 
 
“Todos os sonhos são revistos o tempo todo, não só o sonho da criança. Nossos sonhos também são revistos. É um processo de amadurecimento, de outras opções serem colocadas”, afirma a psicóloga Ana Heloía Lemos. 
 
Na vida de Carolina, outra opção se apresentou. Ela sempre gostou muito de bicho. Daí para pensar em ser veterinária foi um pulo. Ela queria abrir um zoológico e já teve até um furão. Ela cresceu e não esqueceu do sonho. Carol se formou e trabalhou por anos com os animais, até que viu que o sonho de criança não era tudo. “Eu estava começando a ficar um pouco insatisfeita, mais com a remuneração”, diz ela. 
 
A veterinária resolveu mudar: “Em muitos momentos, eu me pego pensando ‘gente, como pode eu estar vendendo brigadeiro hoje em dia?’. 
 
Ela começou a fazer doce em casa e acabou que o negócio foi crescendo. Criou mais de 80 sabores diferentes de brigadeiro. Abriu três lojas e a cozinha funciona 24 horas por dia para produzir 150 mil docinhos por mês. 
 
“Muitas vezes eu falo: ‘como seria minha vida sem os brigadeiros hoje?’. Eu não consigo imaginar”, afirma. 
 
Mudar de ideia não significa frustração. A pequena Dilma Rousseff queria ser bailarina. Preta Gil sonhava em ser chacrete. O pequeno Tom Cruise queria ser padre. E você, o que queria ser quando crescesse? 

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