Escolher faculdade é difícil? Quem mudou de rumo dá 14 dicas para você acertar

Escolher faculdade é difícil? Quem mudou de rumo dá 14 dicas para você acertar

Atualizado: Quinta-feira, 28 Outubro de 2010 as 3:43

Pietro Santurbano, 23 anos, tem no currículo dois "pedaços" de faculdade: fez dois anos de Administração de Empresas, numa universidade particular de São Paulo, e quase outros dois de Filosofia, na Universidade de Salamanca, na Espanha. Na época do colégio, ele pensava em escolher uma carreira, se formar e seguir a profissão. A ordem que a maioria considera a certa e que deixa os pais orgulhosos. Mas não foi assim que aconteceu para ele. "Desisti porque não era o que queria. Percebi que não conseguiria passar o dia inteiro dentro de uma empresa, nem ser professor", diz.

A história de Pietro é a de muitos outros. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, 1.303.110 pessoas ingressaram em cursos superiores no Brasil em 2004. Mas, quatro anos depois – um ciclo universitário, em média –, se formaram 800.318 alunos. Ou seja, de cada dez que entraram, quatro desistiram por alguma razão.

E, para complicar mais, nem sempre o curso escolhido vai ter a ver com a carreira que você acaba seguindo no futuro. "Escolher profissão é coisa do passado. É preciso ter em mente que optar por um curso não é sinônimo de decisão para o resto da vida", explica Maria Beatriz de Oliveira, coordenadora do serviço de orientação profissional do Centro de Psicologia Aplicada da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Foi o caso de Alvaro Gonçalves Júnior, 23 anos. Apesar de ter estudado Ciências Biológicas durante quatro anos, hoje trabalha com fotografia escolar na empresa da família. "Sempre fui apaixonado pela natureza, mas criei outros interesses, que me farão mais feliz", diz. Antes disso, aos 17 anos, ele viveu durante seis meses na África do Sul, onde estudou inglês. "Voltei mais experiente, menos tímido, uma pessoa completamente diferente". E, mesmo com a vivência no exterior e um diploma guardado, Alvaro ainda não tem certeza do que quer. "Gostaria de fazer algo relacionado a música, cultura e arte. Mas se eu soubesse a resposta agora, que graça teria?", reflete.

Segundo Leo Fraiman, psicoterapeuta especialista em gestão de carreira, o importante é se permitir – seja viajando para o exterior ou emendando a escola com um trabalho para aproveitar o ritmo. "Aprender uma nova cultura somará não apenas à vida pessoal, mas também à profissional. Sair dos estudos e arrumar um emprego também é uma opção válida", explica. "As pessoas constroem o papel profissional no próprio mercado de trabalho", completa a psicopedagoga da Unesp, que organiza, há 13 anos, a Feira de Profissões de Araraquara, no interior de São Paulo.

Pietro afirma não precisar de faculdade para fazer o que gosta. "Não considero o vestibular honesto. Também não sei como deveria ser, mas acredito que as pessoas devem correr atrás do que precisam para ser feliz", diz o jovem, que também morou em Barcelona e, há um mês, trabalhava no restaurante do tio, em Santos (SP). "Às vezes fico preocupado com grana, mas estou feliz", filosofa. O psicoterapeuta Leo Fraiman concorda. "O segredo está em se conhecer, perceber a realidade do mundo, das carreiras, das opções de ocupações profissionais e os sinais que a própria vida nos dá sobre as ‘reescolhas’ a serem feitas".

14 dicas de quem mudou de rumo

1. Preocupe-se com o futuro, mas pense primeiro no presente. Isso inclui não ter pressa de entrar na faculdade, ou até procurar intercâmbio para jovens – seja para estudar um idioma, fazer um curso específico ou conhecer outra cultura.

2. "Nada na vida é perda de tempo. Os anos de cursinho foram importantes para eu me conhecer melhor", diz Thiago Almeida, 27 anos, jornalista, que demorou a desistir da ideia de ser médico.

3. Novos cursos surgem frequentemente. Procure se informar em feiras de profissões, palestras, workshops ou visitas monitoradas nas universidades.

4. Não desista logo que entrar em crise. Geralmente, os estudantes abandonam a faculdade nos dois primeiros anos, quando as aulas são mais teóricas do que práticas, e o curso acaba não atendendo as altas expectativas.

5. Lembre-se que sua profissão é uma atividade com a qual você vai conviver cinco vezes por semana, pelo menos. Se você se sente preso ao passar oito horas fechado dentro de um escritório, por exemplo, pense bem antes de tomar uma decisão que exija isso.

6. Não escolha a profissão com base na opinião dos amigos, ou da família. É melhor não insistir em Direito ou Engenharia Civil só para agradar alguém, se sua vontade sempre foi Música ou Física.

7. Balanceie os prós e os contras de cada ocupação. Algumas profissões demandam plantão aos feriados, fins de semana – muitas vezes, durante a madrugada –, mas oferecem a oportunidade de viajar e ganhar benefícios. Pese as coisas.

8. Se você pretende explorar outras áreas além do seu trabalho e do conteúdo aprendido em sala de aula, crie um blog ou entre em um fórum de discussão para manter contato com o assunto e se relacionar com outros que tenham os mesmos interesses.

9. Ao entrar numa faculdade curso, participe de simpósios, encontros e palestras que o centro acadêmico oferecer. Funciona para ficar o mais perto possível da realidade do mercado de trabalho, assim como o estágio.

10. Ao perceber que você não pertence àquele curso, ou desista para tentar mais uma vez (ou viajar e planejar o que achar melhor), ou se forme logo. Repetir matérias por faltas e tirar notas baixas por desinteresse é perda de tempo.

11. Se você aprova o curso, mas não está satisfeito com a estrutura nem se identifica com o método de ensino – ou até com as pessoas da sua turma –, peça transferência para outra faculdade. Converse com o coordenador da nova instituição para que você possa assistir a algumas aulas.

12. Outra opção é prosseguir a faculdade, mas procurar cursos livres que não tenham carga-horária pesada para serem realizados em paralelo.

13. Não escolha a profissão com base no dinheiro que você pode vir a ganhar. Depende de cada caso, cada vaga e cada empresa.

14. E, para terminar, uma dica sincera do Álvaro: "Nunca tome catuaba quente em churrasco de faculdade. Especialmente se for no seu primeiro churrasco de faculdade. Aliás, nunca tome catuaba quente."

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