Facebook é acusado de plantar notícia negativa sobre Google

Facebook é acusado de plantar notícia negativa sobre Google

Atualizado: Sexta-feira, 13 Maio de 2011 as 9:51

No último dia 3 de maio, o jornalista americano Christopher Soghoian recebeu um intrigante email vindo de uma das maiores empresas de relações públicas dos EUA, a . A mensagem alertava para uma suposta invasão de privacidade provocada pelo Google Social Circles, um serviço que irá relacionar as buscas do Google e as redes sociais. "O povo americano deve ser alertado da intromissão profunda em suas vidas, que o Google tem catalogado e divulgado a cada minuto de cada dia – sem a permissão de ninguém", dizia o texto.

O que poderia parecer apenas mais uma corrente de mensagens conspiratórias chamou a atenção de Soghoian, um defensor da privacidade individual e frequente crítico do Google, justamente por ter sido enviada pela firma que prestou serviços, por exemplo, para Hillary Clinton na campanha presidencial de 2008. Ele respondeu, querendo saber qual era o cliente que estava pagando por aquilo. No primeiro momento, o funcionário da Burson-Marsteller não quis revelar a informação – tratava-se do Facebook, rede social que se tornou concorrente do gigante das buscas no mercado de anúncios online.

"Agora que o Facebook veio a público, a Burson-Marsteller está autorizada a confirmar que foi contratada para prestar serviços a essa empresa nos Estados Unidos", diz nota enviada ao iG pelo escritório brasileiro da empresa. "O cliente pediu que seu nome ficasse em sigilo com base no fato de que estava contratando a B-M para lançar luz sobre informações de domínio público (...). Não obstante a justificativa, este não é um procedimento aceito na Burson-Marsteller e contraria nossas políticas. Deveria, por essa razão, ter sido recusado", afirma o comunicado.

O caso veio a público após Soghoian publicar a troca de emails com a B-M e afirmar que o Google Social Circles não é uma ameaça à privacidade de seus usuários. O serviço irá vasculhar as redes sociais – como o próprio Facebook - para incluir nos resultados de busca páginas que amigos do usuário tenham recomendado em sites de relacionamento. "O Google é um dos maiores agressores da privacidade. Mas essa questão, em particular, não é grande coisa", disse o jornalista, em uma entrevista.

O Facebook pronunciou-se a respeito do caso, dizendo que não tinha a intenção de fazer qualquer campanha para difamar o concorrente. "Nós recorremos a terceiros [no caso, a jornalistas] para que pudessem verificar a desaprovação das pessoas a respeito do uso de informações de suas contas no Facebook e outros serviços, para serem incluídas no Google Social Circles", diz comunicado enviado à imprensa internacional. "As questões são sérias e nós deveríamos tê-las apresentado de uma forma séria e transparente", reconhece a nota.

O Google tem tentado tornar seu serviço de pesquisa "mais social". O gigante das buscas tem perdido faturamento publicitário para o Facebook, pelo fato de as pessoas estarem comprando cada vez mais produtos através de recomendações e anúncios em redes sociais. Recentemente, o site anunciou o botão "+1", um recurso para que as pessoas possam recomendar um resultado de busca – semelhante ao "curtir", do Facebook. A novidade já funciona nos EUA, mas ainda não tem data para ser lançada no Brasil. Na semana passada, executivos do Google mostraram o funcionamento do Google Social Services numa palestra em São Paulo.  

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