Falta de vagas no mercado de trabalho gera conflito de gerações

Falta de vagas no mercado de trabalho gera conflito de gerações

Atualizado: Segunda-feira, 30 Maio de 2011 as 11:19

Os números do desemprego no país, nos últimos meses, deixaram em situações opostas os trabalhadores jovens e os mais experientes. As novas gerações tiveram dificuldade para conseguir um emprego.

Enquanto os jovens perdem oportunidades, os mais velhos aproveitam a situação. Em 2010 o crescimento do número de vagas foi muito maior para trabalhadores de 50 a 64 anos, do que entre os jovens de 18 a 24 anos de idade.

No ano passado, surgiram mais de 550 mil empregos para o "cinquentões" e 471 mil vagas para os que acabaram de completar maioridade. O empresário Andres Postigo

que, desde janeiro, tenta contratar 13 vendedores, acha que é mais difícil de lidar com os jovens.

"Exige um salário que não é compatível com a experiência real que ele tem. Por outro lado, a pessoa mais velha tem toda a bagagem, a vivência para contribuir para o trabalho", explica o empresário Andres Postigo.

De março a abril, houve queda na taxa de desmprego geral no país. O mesmo aconteceu entre os trabalhadores mais experientes. Entre os jovens, o desemprego aumentou de 14,4%, para 15%.

A universitária Maiara Amorim cursa o terceiro ano de engenharia. O sonho dela é trabalhar em um canteiro de obras. "Estão pedindo estagiário com experiência. Se não me derem a oportunidade, eu não sei onde eu vou arrumar um empego", diz a universitária.

A especialista em seleção diz que a experiência não precisa ser no mercado de trabalho. "Se algum momento fez estágio, se já fez algum tipo de trabalho voluntário, por exemplo, onde tenha conseguido algum tipo de experiência na área. Até projetos acadêmicos podem contar como experiência", lembra a especialista em gestão de pessoas e clientes Juliana Almeida Dutra.

O conflito de gerações chegou de vez ao mercado de trabalho. O ex-metalúrgico Sebastião Barros Pontes, de 60 anos, trabalha vendendo seguros e pacotes de turismo, e não tem medo da concorrência. "Meu filho tem 30 anos e ele fica no banco do time que eu jogo. Então, você vê que a pegada comigo é pesada. Eu não dou moleza não", diz.

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