Fazer cinema é para quem quer

Fazer cinema é para quem quer

Atualizado: Terça-feira, 26 Abril de 2011 as 8:35

Em apenas 64 horas, o historiador Vitor Hugo Scotton, 25 anos, descobriu o que é capaz de fazer com uma câmera na mão e uma idéia na cabeça. Em março deste ano, ele participou de um curso realizado pelo projeto Oficina Tela Brasil, voltado para jovens das periferias do País. A turma teve aulas de roteiro, produção, análise de linguagem e desenvolvimento de projetos.

O grupo do historiador produziu o documentário "Embu de Todas as Artes", de sete minutos, sobre três artistas conhecidos pelos moradores da região. "O curso te desafia", diz, orgulhoso. As gravações duraram dois dias e a edição outros dois. "Agora me sinto seguro para novos desafios e já tenho dois filmes na cabeça", afirma.

A iniciativa é dos cineastas Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi, parceiros nos longas "O Bicho de Sete Cabeças", "Chega de Saudade" e "As Melhores Coisas do Mundo". As oficinas são voltadas para jovens sem condições financeiras de pagar por um curso profissionalizante na área de cinema, e já atendeu 1.364 estudantes de 62 cidades diferentes. Ao todo, foram produzidos mais de 180 curtas-metragens.

"A ideia nasceu da vontade de dar oportunidade para estes jovens se expressarem pelo audiovisual, terem contato com tecnologia e contarem suas histórias", diz Laís, que faz a coordenação geral do Oficina Tela Brasil, que nasceu em 2007. "O curso forma um jovem mais competente e encontra novos talentos para a indústria cinematográfica", completa.

O projeto é formado por dois núcleos de educadores que viajam por diversas cidades do país. Nestes municípios, é firmada uma parceria com as Secretarias de Cultura e de Educação, além da escolha de uma ONG ou escola pública para receber o projeto. São cerca de 20 alunos por turma e cada oficina dura, em média, três semanas. "As aulas são totalmente gratuitas e ainda oferecemos uma bolsa-auxílio para os estudantes conseguirem frequentar o curso", explica Laís. Os equipamentos e gastos do projeto são sustentados por patrocinadores do programa.

Os alunos têm aulas de direção, trilha sonora, produção, fotografia, linguagem e, ao final da oficina, produzem três curtas-metragens. "O grupo chega cru e em 20 dias as pessoas se transformam, têm uma postura mais confiante. É muito tocante", relata.

Quando as produções são apresentadas, profissionais da área são convidados para fazer uma análise crítica dos filmes. Já estiveram presentes o roteirista de Cidade de Deus, Bráulio Mantovani; José Mojica, o Zé do Caixão; o ator Caio Blat e o diretor Bruno Barreto, entre outros nomes consagrados do cinema brasileiro.

No dia 10 de abril, quando a produção de Vitor foi apresentada, o convidado especial foi o diretor Bruno Barreto. "Foi sensacional", diz Vitor sobre a avaliação feita pelo diretor.

Outros projetos

A instituição também promove a exibição de filmes em comunidades carentes. São montadas salas de cinema ao ar livre, com mais de 200 lugares, onde são transmitidas produções alternativas.

Além disso, outros projetos estão sendo encaminhados. No mais recente, saem de cena os alunos e entram os educadores da rede pública de ensino. "Vamos oferecer cursos de capacitação aos professores para que eles comecem a inserir ferramentas de audiovisual nas aulas", conta Laís. Os workshops terão início no final de maio e o primeiro local da agenda é o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Veja o documentário "Embu de Todas as Artes", produzido pelo historiador Vitor Hugo Scotton, aluno do projeto Oficina Tela Brasil:

Por: Thais Sabino

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