Fernando Ortega sobre o blog NMM: 'Não é mais brincadeira, é ministério'

Fernando Ortega sobre o blog NMM: 'Não é mais brincadeira, é ministério'

Atualizado: Quarta-feira, 20 Abril de 2011 as 12

Fernando Ortega tem 27 anos, é webdesigner, ministro de louvor e virou referência para centenas de jovens quando o assunto é namoro.

Idealizado por Fernando, o blog Não Morda a Maçã completou três anos e continua conquistando leitores com o seu conteúdo.

O blog contém textos sobre louvor e adoração, preparo para o futuro, humor e, principalmente, sexualidade e namoro cristão. As publicações, antes feitas apenas por Fernando, hoje são produzidas por uma equipe de colunistas.

Em entrevista ao GUIA-ME , Fernando Ortega falou sobre o surgimento da ideia, o crescimento do blog e a namorada Fran que também é conhecida do blog pelo fato de o relacionamento ser a inspirações para os textos do autor. Confira a entrevista.

Guia-me: Como surgiu a idéia de montar um blog para falar de assuntos que interessam aos jovens?

Fernando Ortega: Eu comecei contando para os meus amigos mais próximos as experiências que eu tinha com a Fran e em relação a Deus, e com o passar do tempo os meus amigos da igrejas diziam 'poxa, eu queria ter uma relacionamento igual ao teu' e coisas do tipo, e eu gosto dessa área de internet e pensei em criar um blog, aí criei o Não Morda a Maçã e comecei a colocar lá essas experiências, super despretensioso. A ideia era fazer os meus amigos terem uma noção maior, mas começou a ter acesso e hoje, graças a Deus, eu vejo que o motivo pelo qual tem crescido muito é pelo propósito de adorar a Deus.

Guia-me: Hoje você não escreve sozinho no blog e conta com alguns colaboradores. Como foi a escolha desses outros colunistas?

Fernando Ortega: Inicialmente eu escrevia todos os dias. Não eram estudos todos os dias, mas eu colocava de tudo quanto é coisa lá. Com o crescimento do blog eu já não dava mais conta, então eu chamei o Márcio, que foi o primeiro, e ele é dessa igreja e é um amigo meu. Chamei ele e ainda assim não deu conta porque ele escrevia um e eu escrevia o resto. Aí fiz uma promoção para encontrar um colunista, onde eles me mandavam post, eu ia fazendo uma seleção, aí encontrei a Pati Geiger, que é de Chapecó-SC, logo depois veio a Lenara,de Maringá-PR, e aí eu estanquei. Eu escrevia de segunda e sexta e eles durante a semana. Chegou uma hora que não dava mais também, aí chamei o Matheus Ortega que, embora tenha o Ortega no nome, não é meu irmão a não ser no sangue de Jesus, que também é da Igreja Cristã da Família só que da Vila Mariana. Aí o blog ficou assim, de segunda o Matheus, terça a Pati, quarta a Lenara, quinta o Mário e sexta eu. De sábado e domingo o blog ficava parado, então agora de sábado vai entrar o Gerson Ortega pra escrever.

Guia-me: Nos seus textos e até nas palestras você expõe bastante o seu relacionamento com a Fran. Acredita que o fato de falar para jovens tendo os personagens como exemplo faz diferença?

Fernando Ortega: O que eu conto ali é o que eu realmente vivo com a Fran. As pessoas até falam 'poxa, você expõe sua vida', mas as pessoas hoje necessitam de exemplo. Quando ouvem a respeito de namoro é de um pastor que passou por isso há tempos atrás, principalmente no que diz respeito à pornografia. Antes o cara tinha que passar o 'carão' de entrar na banca e comprar uma revista e hoje ele está à distância de um clique. Quando os jovens vêem um cara aproximadamente da idade deles, passando pelas mesmas lutas - porque eu deixo bem claro que passo pelas mesmas dificuldades, eles se identificam e isso dá uma esperança e os motiva a pensar 'é isso que eu quero para a minha vida'.

Nessa exposição do meu relacionamento com a Fran eu deixo claro que nós não somos perfeitos e que podemos errar em qualquer momento, por isso que a gente pede oração porque ficaria uma carapuça de perfeição e não existe perfeição. Seria loucura minha dizer que meu namoro é perfeito, primeiro porque vai chegar um momento que eu vou ter que vestir uma máscara hipócrita porque nenhum relacionamento é perfeito, e segundo porque eu vou jogar um peso sobre quem está assistindo 'nunca vou chegar nisso porque eles são perfeitos', não, não somos perfeitos. Essa exposição eu acho necessária para as pessoas se identificarem e serem motivadas a ter um relacionamento que, mesmo aos trancos e barrancos, busque adorar a Deus.

Um dos papéis de parede do Não Morda a Maçã

Guia-me: Vendo os comentários dos leitores pude perceber que a galera curte muito o blog. Como é poder ler testemunhos de pessoas dizendo que o que você escreveu ali fez a diferença na vida delas? Como é receber essa gratidão?

Fernando Ortega: É uma fonte motivadora. É muito legal você escrever algo e ler comentários como 'eu entendi que me converti depois que comecei a ler os estudos do Não Morda a Maçã', isso é fantástico. Aí eu falo: estou cumprindo o meu papel de filho de Deus e, principalmente, de adorador. Porque se eu coloco algo que estou vivendo hoje - que nossos posts são sempre assim, do que a gente vive - e coloca em uma linguagem que alcança, uma linguagem nossa, não preciso dizer 'amados amigos, estamos pois aqui', não, a gente fala do jeito que a gente conversa, somos jovens, e quando tem esse feedback é fantástico. Poxa, estou sendo usado por Deus de uma maneira diferente, em que alguns anos atrás ninguém era usado assim porque não havia internet. A gente recebe como sendo um feedback de Deus dizendo 'filhão, é isso aí que você tem que fazer, continua'.

Guia-me: Em algum momento deve chegar alguma crítica negativa também. Como esse tipo de retorno é aceito e trabalhado por vocês?

Fernando Ortega: Nós recebemos de uma pessoa que ficou se passando por vários nomes e eu a identifiquei pelo I.P., ela escrevia coisas esdrúxulas, mas era uma pessoa que não tinha nenhum padrão de Deus e o objetivo dela era destruir. No começo eu confesso que fiquei bem abatido, mas a Fran falou 'Fê, o comentário negativo não pode abalar os vários positivos nem as vidas abençoadas', então eu me foquei nisso. Críticas que venham para construir são muito bem vindas porque ninguém é perfeito. O blog tem crescido, mas ainda precisa ser reestruturado e agora que estamos tendo noção de que o negócio está ficando muito sério.  Estamos montando um conselho para estruturar tudo certinho porque o pessoal tem pedido mais seminários e tudo começou de uma “brincadeira”. Procuramos receber as críticas da melhor maneira possível, principalmente se for de um coração que você vê que quer adorar a Deus e quer te ajudar com isso.

Guia-me: Com essa exposição dos relacionamentos, não só o seu, mas de todos os colaboradores do blog, vocês têm noção que são alvos do inimigo. Como é o trabalho de oração por trás disso? A igreja está envolvida, vocês contam com pastores intercessores?

Fernando Ortega: Em todos os lugares em que nós vamos, pedimos oração. A gente mostra que realmente estamos dando a cara a tapa, mas alguém precisa fazer isso, alguém precisa estar no pior lugar da batalha para que outra vidas sejam abençoadas. Vivo essa dificuldade na minha vida, até pela minha história. Como agora está tomando uma proporção maior e mais séria, falamos para o pastor que precisamos dele porque chegou um momento que não é mais brincadeira, é ministério. E hoje a Igreja Cristã da Família aqui do Butantã suporta esse ministério, toda quarta-feira tem culto de intercessão e as irmãs estão orando por nós, tem a irmã Raimunda que ora muito pela minha vida. Hoje estamos abrindo mais os olhos para essas coisas, mas também temos consciência de que enquanto a gente leva tapa, outros estão sendo abençoados, e é a nossa paixão.

Guia-me: Tem algum projeto para o Não Morda a Maçã que você possa contar?

Fernando Ortega: Um deles é o Gerson Ortega, que sempre foi um baita de um exemplo de vida, de família. Ele está super animado e vai escrever todo sábado. Aos domingos nós vamos fazer o domingo do pastor, onde cada domingo um pastor vai escrever algo voltado para os jovens, ou alguma experiência que viveu. Estamos estruturando os seminários porque tem muito convite, estamos indo pelo menos uma vez por mês e queremos ver como vai ser daqui pra frente, se teremos que sair duas por mês e tudo mais. A idéia do seminário nasceu da pastora Samara de Jacupiranga-SP, ela perguntou: 'vocês não fazem palestra?' e eu disse 'ah, fazemos'. Eu já fui treinado a falar em público, trabalho na liderança de jovens e quando ela me perguntou eu falei que podia dar palestra e começou assim. Então a gente está trabalhando ainda. Os seminários vão ser mais estruturados e de mais tempo. A gente faz hoje em, no mínimo, quatro horas, mas vamos fazer em mais dias, de repente separar um tempo entre homens e mulheres. Queremos estruturar bem para que isso cresça.

Por Juliana Simioni

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