Fuja do convencional com intercâmbios alternativos. Veja exemplos!

Fuja do convencional com intercâmbios alternativos. Veja exemplos!

Atualizado: Quarta-feira, 6 Abril de 2011 as 8:20

Fazer intercâmbio é um diferencial e tanto na hora de ingressar no mercado de trabalho. Não é à toa que, entre 2002 e 2006, o número de estudantes a buscar vivência em outros países saltou de 16 mil para 21,3 mil, de acordo com a Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD), importante orgão formado por nações ricas que realiza pesquisas sobre fortalecimento econômico. Em busca de um upgrade no currículo, milhares de jovens brasileiros escolhem, todo ano, programas de intercâmbio que oferecem curso da língua estrangeira, colégio ou faculdade em outros países.

Mas o que muita gente não sabe é que algumas instituições oferecem opções de intercâmbio bem longe das convencionais, como são as viagens para aprender inglês nos Estados Unidos ou na Austrália.

Imagine aliar o estudo a projetos sociais, trabalhos em multinacionais, conhecer países com uma cultura totalmente diferente da sua ou, ainda, jogar futebol em um dos clubes mais importantes da Europa. Sair do "arroz com feijão" pode ser uma boa ideia para sua carreira e uma experiência de vida inesquecível. Conheça algumas opções que o iG Jovem selecionou:

APRENDIZAGEM EM MULTINACIONAIS

A Aiesec é uma organização internacional que está presente em cem países e busca formar líderes através de programas de intercâmbio. De acordo com o diretor de comunicação da empresa no Brasil, Gabryel Ferrari, "a Aiesec desenvolve a liderança nos jovens, amplia a visão de mundo deles e faz com que eles pensem no impacto social que cada um pode ter". A instituição oferece dois tipos de intercâmbio: o voluntário, em que o estudante participa de projetos sociais, e o profissional, em que o recém formado da faculdade trabalha em uma das grandes empresas conveniadas  (HP, IBM Tata e Microsoft são algumas delas). O programa é indicado para os interessados na área de gestão.

Ricardo Dutra, de 25 anos, escolheu o intercâmbio profissional. Assim que ele se formou em Engenharia Ambiental no Brasil, decidiu ir para a Índia, em 2009. Ele trabalhou por um ano para o grupo Tata, formado por 98 empresas. "Eu aprendi muito e hoje o mercado reconhece uma experiência diferente como esta", conta ele que, após voltar do intercâmbio, se tornou analista de RH da Tata no Brasil. Na Índia, ele diz que não enfrentou dificuldades e que conseguia se sustentar com o salário pago pela empresa. "Eu voltaria para lá", diz Ricardo.

Ricardo Dutra trabalhou por um ano para o grupo Tata, na Índia

A estudante de Direito e Administração, Luisa Wallwitz, de 22 anos, participou de um programa educacional na Turquia. Ela foi em janeiro e voltou ao Brasil em março deste ano. "Escolhi a Turquia porque eu queria um país que eu tivesse um choque cultural", conta. No programa, segundo a estudante, participaram 35 pessoas de nacionalidades diferentes. "Nós íamos às escolas para cada um mostrar a cultura do próprio país e fazer uma troca cultural", explica. A viagem mudou a forma como Luisa enxerga as coisas. "É uma experiência que você não consegue ter de outra forma", completa ela.

Luisa escolheu a Turquia para conhecer uma cultura diferente

Segundo o diretor de comunicação da Aiesec, a inscrição para o programa de intercâmbio voluntário tem um custo variável de R$ 300 a R$ 800. Durante a viagem, o estudante tem direito a moradia e alguns projetos oferecem refeições. Já para o profissional, o intercambista paga de R$ 1.000 a R$ 2.000 para se inscrever. O salário que ele recebe da empresa, geralmente, é o suficiente para se sustentar, segundo Gabryel.

TRABALHO SOCIAL EM PAÍSES AFRICANOS

Viver em um ambiente com valores de partilha, paz espiritual, onde cada um mostra o próprio dom e um modelo de renovação para a sociedade. Este é o lema do programa de intercâmbio Camphill. Nas comunidades Camphill, a vida cotidiana é compartilhada com crianças, jovens e adultos portadores de deficiência. O objetivo é promover o uso de modelos sociais e holística para melhorar a vida destas pessoas. Os professores e voluntários dão aulas de artes, música, jardinagem e alfabetização às crianças. Os moradores do Camphill também têm acesso a massagens e fisioterapia, aplicadas por profissionais. Atualmente, são mais de 100 unidades espalhadas por 20 países.

Paisagem do Camphill, na África do Sul

O estudante de cinema Luca Reigosa, de 20 anos, foi para o Camphill de Hermanus, na África do Sul, em 2009. "Eu escolhi o programa porque queria trabalhar com crianças especiais e viver em uma comunidade diferente do restante do mundo", explica. Luca conta que sempre quis conhecer a África e precisava de um local onde a língua falada fosse o inglês. Ele passou um ano auxiliando professores e participou de vários projetos como teatro e circo. A vida cercada de crianças em uma fazenda, em total harmonia com a natureza e junto a voluntários de outros países proporcionou um "maravilhoso intercâmbio cultural e uma experiência única", segundo ele. O estudante conta que o papel do voluntário é importante para renovar a energia do local. "Eu pretendo voltar lá para fazer trabalhos de curto prazo e conhecer outras unidades", revelou ele, acrescentando que ainda pretende construir um Camphill no Brasil.

Luca em uma das atividades do Camphill

Para participar são exigidos inglês intermediário e carta de recomendação de um professor. O custo da passagem e despesas extras ao longo da viagem fica por conta do intercambista. O Camphill oferece moradia e as refeições. A escola dá preferência para pessoas que tenham conhecimento em artes ou música e a fazenda para quem gosta de gastronomia. No entanto, estes quesitos não são vistos como exigências.

TREINOS DE FUTEBOL NO MILAN

Além dos programas convencionais, a Intercâmbio & Cia oferece um pacote que agrada bastante os garotos interessados pela bola. Na parte da manhã, os estudantes têm aulas de inglês e à tarde treinam futebol. Mas, não é em qualquer campo de society na rua de trás... O esporte é praticado no Milan, clube que consagrou craques como Alexandre Pato e Ronaldinho Gaúcho. Segundo a gerente de atendimento, Veridiana Cruz, o projeto nasceu de uma parceria entre o clube e a escola Emerald. O AC Milan Soccer Camp dura de duas a quatro semanas, durante o mês de julho.

"Os estudantes têm três horas de inglês por dia, à tarde treinam futebol no Milan, ainda passeiam pela cidade de Dublin e vão a campeonatos de futebol" diz a gerente. "Os treinadores do A. C. Milan focam no desenvolvimento, instruindo os jogadores a alcançar a competência através da abordagem Milan", completa Viridiana. O objetivo é motivar e treinar novos talentos, segundo a gerente.

Os intercambistas estudam inglês de dia e treinam à tarde no Milan

O estudante Luis Felipe Gozalo, de 17 anos, confessa que a oportunidade de treinar futebol foi o motivo que o fez optar pelo programa. "Eu podia ter escolhido outro, mas já que podia treinar futebol, foi a melhor opção", conta. Ele passou 15 dias do mês de julho de 2009, em Dublin, na Irlanda. Os dias de Luis eram cheios. "Eu acordava, ia para o curso de inglês, almoçava e ia treinar futebol", lembra. Pela noite, ele ainda saía com os amigos que conheceu no país. O jovem ficou na casa de uma família irlandesa, onde pôde ter contato direto com a cultura da Irlanda. "O que mais me marcou foram as amizades que fiz, foi uma experiência de vida".

O programa é destinado a meninos entre 12 e 17 anos que tenham inglês intermediário. Para passar duas semanas no intercâmbio, o custo fica em torno de R$ 4.400. No valor estão incluídos a matrícula, acomodação, alimentação, traslados, kit de futebol Adidas, um passeio por final de semana, aulas de inglês e de futebol.

CULTURA E NEGÓCIOS DA CHINA

A China está fora da lista dos países mais procurados para intercâmbio, mas, um programa organizado pela Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico promete uma visão mais ampla do ambiente de negócios no país. Segundo a coordenadora de negócios no Brasil, Marina Schwartzman, "A China é hoje a segunda maior economia do mundo e já se tornou o principal parceiro comercial do Brasil". O programa proporciona aos brasileiros um conhecimento sobre a língua, cultura e a realidade do país. Durante a viagem, os estudantes têm aulas de mandarim, política, economia, relações internacionais e ambiente de negócios na China, na Beijing Language and Culture Univertsity.

Grupo de intercambistas na China

A estagiária Ana Fredrich, de 20 anos, passou três semanas do mês de janeiro deste ano no programa. A escolha do país veio de um interesse da estudante pelos dados econômicos e sociais da China. "Vi uma oportunidade de vivenciar essa transformação que está acontecendo no mundo", diz ela sobre o avanço dos países emergentes. O contato com as diferenças da sociedade chinesa tornaram a viagem "enriquecedora", segundo ela. "Você passa a desconfiar das verdades universais e a questionar certos dogmas", explica Ana. Apesar de ter feito o programa há pouco tempo, ela já tem planos de voltar para o país oriental.

Conhecimentos sobre a China fazem profissionais se destacarem

Para participar é necessário ter mais de 18 anos, estar na faculdade ou já ser graduado em qualquer área de conhecimento e ter inglês avançado, pois todas as aulas são ministradas em inglês. O custo é de R$ 7.950, que inclui a passagem aérea, curso de quatro semanas, hospedagem no campus da universidade, café da manhã, material didático, ingressos e traslados para todas as atividades culturais. "Quem tem um conhecimento sobre a China e uma base de Mandarim já possui vantagem em relação aos demais profissionaisdo mercado", conclui a coordenadora.

Por: Thais Sabino

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