Fundação Seade: Metade dos jovens não conclui estudos

Fundação Seade: Metade dos jovens não conclui estudos

Atualizado: Segunda-feira, 14 Março de 2011 as 2:41

Metade dos jovens do Grande ABC que têm entre 18 e 19 anos ainda não concluiu o Ensino Médio, segundo dados da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados). São cerca de 232 mil pessoas nessa faixa etária, conforme dados de 2007 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O pior índice é o de Rio Grande da Serra, onde 66% ainda não terminaram essa etapa do ensino, enquanto São Caetano apresenta o melhor resultado: 98% dos jovens já concluíram o Ensino Médio. Entre os dois extremos estão: São Bernardo (46% não terminaram), Diadema (54%), Mauá e Ribeirão (44%) e Santo André (30%).

Estatisticamente, cada ano de escolaridade aumenta a chance de emprego. Para a professora de Psicologia da Educação da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo) Silvia Colello, o mais preocupante é a falta de projeto de vida no final da adolescência. "Não podemos dizer que todos os jovens que saem do Ensino Médio estão encaminhados, empregados e auxiliando na renda familiar."

Muitos são os motivos que fazem os jovens desistirem de estudar. Os principais, segundo a especialista, são a baixa qualidade das unidades de ensino e a má formação dos professores. "Se a escola fosse envolvente, a evasão seria menor."

Outro motivo, segundo a professora, é o caráter imediatista dos jovens, que, muitas vezes, optam por ganhar dinheiro mais fácil na marginalidade ou com subemprego. "A desvalorização do conhecimento pela nossa sociedade e a alta seletividade do vestibular desanimam o jovem de investir na sua educação."

O Ensino Médio é responsabilidade do Estado. No entanto, com os altos índices de evasão, os municípios têm arcado com o prejuízo, uma vez que têm acolhido os jovens que resolvem voltar a estudar.

"Esse jovem já custou ao Estado quando estava na escola. O ensino para adultos foi idealizado para quem não teve possibilidade de cursar na idade correta e não para quem já cursou e voltou depois. Esse dinheiro foi praticamente jogado fora e i sso é sinal de que algo está errado", avaliou a secretária de Educação de São Bernardo, Cleuza Repulho. "Daqui a pouco a gente não tem aluno para colocar nas universidades. Nosso parque industrial vai continuar crescendo e vamos ter de importar mão de obra."

Para o Estado, solução é ensino profissionalizante

A responsável pelo Núcleo do Ensino Médio da Secretaria de Educação do Estado, Lucia Lodi, acredita que a solução para o problema seja, principalmente, a inserção do "mundo do trabalho" nas salas de aula.

Para ela, a educação profissional pode fazer com que o jovem se interesse mais pela escola. "É importante, no entanto, que esse tipo de ensino não substitua a formação básica ou científica do Ensino Médio", ressaltou. "Estamos buscando parceiros para resolver isso em 2012."

A professora reconheceu que nem toda a Região Metropolitana de São Paulo têm cobertura adequada de escolas, mas entende que esse não é o principal problema.

Por: Camila Brunelli

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