Fuvest: concorrentes a uma vaga em medicina viram parceiros de estudo

Fuvest: concorrentes a uma vaga em medicina viram parceiros de estudo

Atualizado: Sexta-feira, 25 Novembro de 2011 as 8:05

Thamirys Cristini dos Santos, de 18 anos, e Alan Frangiosi Camargo, de 20, eram apenas concorrentes a uma vaga em medicina na Universidade de São Paulo (USP) em março de 2010, quando se conheceram no cursinho popular MedEnsina, ministrado e dirigido pelos próprios estudantes da Faculdade de Medicina da USP. Quase dois anos depois, e às vésperas de uma nova tentativa na Fuvest, que acontece neste domingo (27), os dois já se consideram amigos.

"Antes eu via o Alan como concorrente meu. Eu o escutava passando as respostas dos exercícios em voz baixa e pensava ‘droga, ele ia acertar mais questões do que eu’. Mas hoje não fico tão nervosa", afirmou Thamirys, que terminou o ensino médio em 2010, mas tenta a Fuvest neste domingo pelo quarto ano consecutivo.

Apaixonada por medicina, ela foi treineira no primeiro e no segundo ano do ensino médio. "Queria me acostumar com a prova." Desde 2008, seus pontos na primeira fase foram respectivamente 30, 51 e 67 (apenas três pontos abaixo da nota de corte no ano passado, de 70 dos 89 pontos).

Para Alan, essa será a terceira tentativa na Fuvest. Ele conta que não prestou vestibular no fim do ensino médio porque trabalhava como aprendiz de tecnologia da informação em uma empresa.

Na primeira vez como vestibulando, em 2009, Alan estudou no Objetivo e fez 48 pontos na primeira fase. “Não dá para trabalhar e estudar e querer fazer medicina”, disse o estudante de escola estadual na Freguesia do Ó, Zona Oeste de São Paulo.

No ano seguinte, ele decidiu se dedicar exclusivamente aos estudos e acertou 59 questões. "Estava pegando o ritmo da rotina de estudar. Quando você trabalha, você estuda na hora do almoço ou em qualquer hora que sobra."

Neste ano, o segundo como aluno do MedEnsina, Alan esteve entre os 10% da classe com melhor nota em um simulado. Ele afirmou que só aprendeu as matérias do vestibular no cursinho. Ganhou, como prêmio pelo bom desempenho, o pagamento da taxa de inscrição da Fuvest, depois transferida a outro estudante, já que Alan também recebeu isenção da própria fundação.

A experiência entre os dois cursinhos fez com que Alan optasse por refazer o MedEnsina. "Os professores do Objetivo são muito bons mesmo, mas aqui eles passam o conteúdo de uma forma mais simples", contou o estudante, que afirma só ter começado a aprender o conteúdo dos vestibulares depois de se formar na rede estadual.

Thamirys também elogia os professores do cursinho popular, que oferece 190 vagas todos os anos a quem não tem condições de pagar pelas aulas. "Tenho muito mais proximidade com qualquer professor que tive no colégio, porque eles sabem pelo que a gente está passando."

Grande parte dos alunos do MedEnsina quer estudar medicina, mas o cursinho aceita vestibulandos de todos os cursos, inclusive alunos de escolas particulares, desde que não tenham condição financeira para custear os estudos. No ano passado, mais de 40 alunos foram aprovados em vestibulares - 23 em universidades públicas e os demais com 100% de bolsa em particulares.

Medicina x USP

Apesar dos perfis distintos, tanto Thamirys quanto Alan afirmam que, mais do que passar na Fuvest, eles querem mesmo é exercer a medicina. "Eu falo para mim mesma que o que eu quero é ser médica, não fazer USP. Quero fazer medicina e me formar o quanto antes e ajudar o mundo", diz ela.

A segunda opção de Thamirys é a Universidade Federal de São Carlos (UFScar), cidade no Interior de São Paulo onde ela tem família e pretende entrar. Para isso, prestou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e acertou 120 questões.

Além disso, ela tem enfrentado uma verdadeira maratona de vestibulares para medicina: além do Enem, a estudante se inscreveu para as provas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Faculdade de Medicina de Marília (Famema), Universidade de Mogi das Cruzes, Faculdade de Medicina do ABC e a Universidade Federal de Santa Catarina.

Alan também não guarda a USP com exclusividade, mas afirmou que só se inscreveu no vestibular das instituições em que realmente gostaria de estudar.

Ele fez a prova da Unicamp e espera que as 150 questões que acertou nas provas objetivas do Enem o ajudem a conquistar uma vaga na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ou uma bolsa do ProUni na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Estilos diferentes

Na trajetória de quase três anos como vestibulando, Alan descobriu que rende mais à noite e, portanto, só começa a estudar às 12h ou 13h, em casa. Às 18h, vai ao cursinho, onde fica até as 23h e, às vezes, segue estudando depois do jantar até 2h, antes de dormir.

Já Thamirys prefere aproveitar o período matutino. Nos últimos meses, depois de largar o trabalho em telemarketing para se concentrar no vestibular, ela criou o hábito de pegar nos livros às 9h e, até as 16h, só parar para pequenos intervalos, antes de sair de casa, em Pirituba, na Zona Noroeste, para o cursinho, que fica nas Clínicas, na Zona Oeste. “Chego mais cedo no cursinho e fico estudando na biblioteca.”

Na reta final da Fuvest, os colegas aproveitam as aulas de revisão do cursinho e se concentram nas matérias que lhes apresentam mais dificuldade. A grande fraqueza de Thamirys são as questões de inglês. Apesar de não achar a matéria difícil, ela acertou apenas uma das cinco perguntas no vestibular do ano passado.

"Não é que eu não saiba, eu não gosto, então acabo deixando para o final e faço na correria."

A estudante só errou uma de português, e gabaritou biologia e história. Essa última é justamente o ponto fraco de Alan. "Sou pior de história porque não é uma matéria objetiva e prática, tem um monte de informação que você precisa ligar", diz ele, que tenta sanar a deficiência revendo os temas que mais errou em 2010.

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